Digite sua busca e aperte enter


A falta de difusão de informações sobre o serviço por parte do governo municipal é criticada por mães e organizações que defendem o parto humanizado

Imagem:

Compartilhar:

Em São Paulo, mães e entidades reclamam de falta de divulgação da Casa de Parto de Sapopemba

Criado em 22/10/12 09h53 e atualizado em 22/10/12 12h05
Por Camila Maciel Edição:Juliana Andrade e Lílian Beraldo Fonte:Agência Brasil

Casa de Parto2
A falta de difusão de informações sobre o serviço é criticada por mães e organizações que defendem o parto humanizado (Marcelo Camargo/ABr)

São Paulo – A professora de obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP) Ruth Osava critica a postura da prefeitura paulista de dar pouca visibilidade ao trabalho desenvolvido na Casa de Parto de Sapopemba, na zona leste da capital. “Tem uma ala que é completamente contra e há muitos esforços para fechar a unidade”, destaca. Fundadora da casa de parto e diretora entre 1998 e 2005, ela avalia que, como não há justificativa técnica para o fechamento do local, a prefeitura prefere não divulgar o serviço sob o argumento de que o número de partos é reduzido. “É uma tentativa de fechar de modo mais sutil. Uma das alegações é que a casa seria economicamente inviável, mas uma coisa leva a outra: tem pouco parto porque não é divulgada.”

Durante quatro dias, a reportagem da Agência Brasil fez contatos com a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal de São Paulo, responsável pela Casa de Parto de Sapopemba, a primeira do país, criada em 1998. No entanto, não conseguiu autorização para visitar o local, assim como não obteve as informações sobre o funcionamento da estrutura e o número de partos feitos por mês. A reportagem também informou à secretaria as críticas quanto à não divulgação do serviço, mas o órgão não quis se pronunciar.

A falta de difusão de informações sobre o serviço por parte do governo municipal é criticada por mães e organizações que defendem o parto humanizado. “[A Casa de Parto de Sapopempa] é um serviço muito boicotado. O telefone de lá muda sempre. Se qualquer hospital quiser fazer a divulgação dos seus serviços, isso é super bem visto, mas na casa de parto, não”, critica Camila Inês Rossi, 27 anos, que teve a filha Anisha Raiz, hoje com 1 ano e 4 meses, no local e elogia o trabalho desenvolvido.

Ela destaca que a divulgação do serviço é feita pelas próprias mulheres atendidas na casa de parto. “Fiquei sabendo por uma amiga que teve filho lá. Ela, inclusive, fez um blog para divulgar a casa e muitas mulheres ficam sabendo assim.”

A obstetriz Ana Cristina Duarte, coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama), relata que a própria rede básica de saúde da região não indica a casa de parto como opção para as mulheres. “Os médicos dos postos de saúde, onde as mulheres fazem o pré-natal, dizem onde elas podem ganhar o bebê, mas não falam das casas de parto.”

Os entraves para se obter informações sobre a casa de parto interferem também na produção acadêmica, critica a professora Ruth Osava. “A última pesquisa feita lá é de 2009, a partir daí foi dificultada qualquer investigação lá dentro. Pedimos informações e a prefeitura negou. Esses dados simplesmente não são mais acessíveis”, relatou destacando que considera a medida inaceitável por se tratar de um “patrimônio público”.

Para a coordenadora do Gama, um dos motivos que levam a prefeitura a evitar a divulgação do serviço é a posição contrária do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) ao funcionamento das casas de parto. Uma resolução do conselho proíbe o trabalho dos médicos nessas unidades. Ana Cristina Duarte aponta que, com a falta de divulgação, a demanda é pequena. “Daria para fazer pelo menos o dobro dos atendimentos que são feitos hoje”, estima.

Na avaliação da especialista, a prefeitura ainda não fechou a Casa de Parto de Sapopemba temendo repercussões negativas e protestos por parte da sociedade civil. “A população vai se levantar contra. Vai aparecer como algo ruim para o governo. Ninguém mexe, porque senão pega mal, mas também ninguém ajuda, e finge que a casa de parto não existe. Desse jeito, vão colocando um serviço de excelência no ostracismo”, critica.

Mães elogiam atendimento na única casa de parto do Distrito Federal

Casas de parto da periferia de São Paulo são opção para atendimento humanizado

Mantida pela prefeitura, casa de parto no Rio registra 2 mil nascimentos em oito anos

Com atendimento a mulheres saudáveis, casa de parto dispensa presença de médico

Conselhos de medicina recomendam que partos sejam feitos somente em hospitais

Mães elogiam atendimento na única casa de parto do Distrito Federal

Sanitarista David Capistrano foi pioneiro na defesa das casas de parto

Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo

Creative Commons - CC BY 3.0

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.

Você será direcionado para o "Fale com a Ouvidoria" da EBC e poderá nos ajudar a melhorar nossos serviços, sugerindo, denunciando, reclamando, solicitando e, também, elogiando.

Denúncia Reclamação Elogio Sugestão Solicitação Simplifique

Deixe seu comentário