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Gonzagão se apresenta com o seu conjunto. Ao centro, Marinês, mãe do maestro Marcos Farias e comadre de Luiz Gonzaga. (foto do arquivo pessoal de Marcos Farias, afilhado de Luiz Gonzaga)

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Gonzaga foi, antes de tudo, um marqueteiro, diz o afilhado

Criado em 13/12/12 11h14 e atualizado em 18/03/16 15h15
Por Aline Leal Edição:Tereza Barbosa Fonte:Agência Brasil

Brasília - O rei do baião foi um grande marqueteiro, muito antes que a expressão se tornasse comum no país. Ao longo da carreira, o rei fez muitas viagens pela estrada parando em cada cidadezinha para se apresentar. Nesse momentos, ele aproveitava para presentear donos de restaurante e prefeitos com seus discos, como uma forma de divulgar seu trabalho, lembra o maestro Marcos Farias, afilhado de batismo de Luiz Gonzaga.

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Gonzagão também teve a preocupação de procurar parceiros de classe socioeconômica mais elevada para que seu trabalho, que já atingia o povo, chegasse também à classe A. “ Ele começou a buscar parceiros para compor, daí encontrou Humberto Teixeira, que era poeta, veio Zé Dantas, que era médico”.

Veja fotos do arquivo pessoal de Marcos Farias:

O maestro conta que Gonzaga “era doido pra entrar na sociedade”, e foi com essas parcerias e também com Carmélia Alves que ele conseguiu conquistar o público da classe A. “Trazendo uma socialite pra o envolvimento na música nordestina ele já ganhava a sociedade. Aí eram as madames querendo aprender a dançar xaxado, baião”.

Farias conta que seu padrinho dizia que o artista tem que ser artista 24 horas e ser exemplo. “Ele era exatamente o que cantava e o que aparentava, era verdadeiro” diz. O maestro relata que Gonzaga era um batalhador, acordava cedo, era pontual com os compromissos, mas que apesar de tudo não ficou rico. “Comparando com os artistas de hoje, Gonzaga era pobre e morreu pobre” diz Marcos.

Outra sacada importante para a carreira de Gonzaga foi a sua indumentária. “Ele era um cara que fazia um marketing muito bem feito. Imagina na década de 40 e 50 uma pessoa no Rio de Janeiro aparecer com chapéu de couro, roupa de couro. Ele sabia que ia ter um impacto muito grande”, conta..

“Outros escritores já disseram isso e eu concordo: Gonzaga é o nosso Don Quixote de La Mancha, sua roupa e seu chapéu de couro eram sua armadura, a sanfona era sua espada e sua voz era seu grande sonho” se orgulha o maestro de seu padrinho.

Luiz Gonzaga acreditou muito nos artistas nordestinos. Ele presenteava artistas iniciantes com acordeons para que pudessem fazer um trabalho melhor. “Ele trazia pessoas pra trabalhar com ele, era muito generoso”. Segundo Farias, seu padrinho acreditava nas pessoas, “encontrava talentos de diversas formas e trazia pra perto dele, ajudava, encaminhava ”.

Marcos Farias lembra que, com a idade, a osteoporose foi debilitando Gonzaga e ele já não dominava as técnicas como antes. O corpo já doía muito e ele foi convocando gente para tocar com ele. “Com isso apareceu muita gente nova, muita gente boa”.

Edição: Tereza Barbosa

Creative Commons - CC BY 3.0

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