| Publicado em
22/12/00
Comunicação Empresarial nos
dias de hoje
Hélio Augusto de Magalhães (*)
Nos anos 90, principalmente a partir da primeira metade, as empresas e
o mercado passaram por processos constantes de mudanças, em conseqüência das fortes
alterações e mutações políticas, econômicas e sociais, muitas vezes, num contexto
dinâmico, contínuo e contraditório.
Neste período o mundo empresarial presencia no cotidiano os efeitos da
era da globalização da economia e do crescente apelo para o exercício da competividade,
da responsabilidade social e ambiental e eficiência na produção.
Este fato levou os executivos a conviverem com permanentes oscilações
em diferentes situações, sendo necessário o ajuste do ponto de vista do papel da
comunicação empresarial na instituição.
Outros fatores contribuíram para esta realidade: a mudança do papel
do estado na economia, o impulso irreversível de abertura comercial, as privatizações
de empresas estatais, desregulamentação de diversas atividades econômicas, e as
aquisições e fusões maciças de empresas nacionais por grupos transnacionais. A tudo
isto, soma-se a paulatina integração do país a abertura comercial, a formação de
blocos econômicos e a informatização do mercado.
É justamente este processo de globalização que muda a face da
economia brasileira, levando as empresas a transformarem a comunicação empresarial como
uma área estratégica de resultados, decorrente da qualidade de seus profissionais.
Paralelo a estes acontecimentos, o conceito de cidadania está mais
presente na vida das pessoas, com a sociedade exigindo das empresas maior transparência e
prestação de contas de suas ações.
Este processo macroeconômico traz como condição crucial para as
empresas a rápida difusão de novos meios de comunicação, forçando as organizações a
abandonarem o amadorismo e contar com profissionais especializados em comunicação,
capazes de fazer as mediações entre os diferentes públicos.
A partir dos anos 90, as empresas brasileiras viram surgir à sua volta
públicos que querem saber não só de produtos e serviços, mas com claros objetivos de
diálogo. Não é mais possível, principalmente para as instituições públicas,
conceber e executar planos, propostas e programas isolados da comunicação institucional,
mercadológica, interna e administrativa. Neste momento é necessário para as empresas
criarem uma filosofia e uma política que privilegie a integração dessas ações
comunicacionais para fazer frente a essa sociedade afluente e ter acesso aos mercados
complexos.
A pluralidade deste mercado faz as empresas dependerem de forma
fundamental, da produção múltipla e permanente de informações agregadas aos seus
produtos, serviços e ações de seus gestores. O acirramento da concorrência em escala
internacional faz com que as empresas encarem a comunicação de forma muito mais
abrangente, abrindo canais cada vez mais eficientes.
Outro caminho a trilhar é a consolidação de uma maior
fundamentação teórica para o exercício da comunicação empresarial. Hoje muitas
pessoas, instituições e organizações estão despertando para essa necessidade. Não é
mais possível nos dias de hoje organizações alheias a estes fatos e trazer como
subproduto uma empresa fechada e analfabeta em comunicação.
As buscas destes novos paradigmas têm que passar pela pesquisa e
identificação do conhecimento técnico-científico já disponível. O profissional em
comunicação precisa criar novas perspectivas e demandas adquiridas nos cursos de
pós-graduação, bem como, a preocupação das organizações em apostar na
comunicação, montando ou atualizando estruturas, redefinindo políticas, treinando
pessoas, recorrendo a assessorias e consultorias especializadas. Pensar, decidir e
administrar a comunicação vai muito além de produzir belas peças institucionais,
jornais, home page, entre outras coisas.
O próprio termo comunicação contém, etmologicamente, o sentido de
"colocar em comum", de compartilhar. Pode-se, hoje, facilmente mostrar que a
comunicação organizacional, tal como é conduzida, visa muito mais o controle e a
dominação de situações e dos empregados do que o "colocar em comum". Pode-se
mostrar que ela se faz muito mais em moldes de fragmentação e anulação do que de
construção de reais processos de comunicação. Um dos mais importantes valores da
comunicação empresarial é o da credibilidade frente aos seus diferentes públicos.
Quando opera sem eficácia, legalidade e legitimidade profissional estes valores ficam
comprometidos.
Neste período que precede o terceiro milênio as crenças, valores e
tecnologias relacionadas à comunicação empresarial nos revelam uma atividade
extremamente holística. A comunicação empresarial é uma ferramenta estratégica,
suporte de administração para todas as atividades da empresa. Ela é a maior aliada das
atividades de marketing e de recursos humanos quando trabalha profissionalmente valores
como missão, visão, valor, identidade, parceria, cooperação interpúblico e
interempresa, e cidadania empresarial.
Devemos esclarecer, ainda, que a responsabilidade da comunicação
empresarial é muito importante para ser considerada uma exclusividade de umas poucas
pessoas ou de uma área. Ela deve ser delegada a todos os funcionários da instituição.
Entretanto, é preciso contar com a pessoa certa que analise a comunicação da empresa
globalmente e que ela tenha uma base teórica, que conheça o mapa geral da profissão e
tenha vivenciado alguns destes conhecimentos. É necessário que esta pessoa dedique seu
tempo e energia, atenção e experiência direcionados à comunicação como um todo.
Finalmente, devemos destacar que dentro de uma concepção moderna, a
área de comunicação empresarial tem um papel importante na "administração de
percepção" e na leitura do ambiente social da instituição. Nessa perspectiva deve
contribuir para a análise dos planos de negócios da organização, identificando
problemas e oportunidades no campo da comunicação.
A inserção do jornalista e do relações públicas na cultura da
organização torna a empresa e seus empregados mais conscientes de sua responsabilidade
social. É importante destacar que o profissional desta área não pode fazer milagres:
ele nada conseguirá se não puder contar com a disposição da própria organização.
(*) Hélio Augusto de Magalhães
é jornalista da Área de Comunicação Empresarial da Embrapa Pantanal |