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Ex-analista do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do II Exército em São Paulo (DOI-CODI/SP), Marival Chaves Dias do Canto, prestou depoimento durante 5 horas à Comissão Nacional da Verdade

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Ex-agente do DOI-Codi confirma participação de empresários na repressão

Criado em 31/10/12 16h56 e atualizado em 31/10/12 18h39
Por EBC Fonte:CNV

Ex-agente da ditadura confirma participação de empresários na repressão
Ex-analista doDOI-CODI em São Paulo, Marival Chaves Dias do Canto, prestou depoimento durante 5 horas à Comissão Nacional da Verdade (Foto: Ascom / CNV)

Empresas e empresários simpatizantes do regime militar no Brasil (1964-1985) contribuíram diretamente com recursos financeiros e materiais para a repressão. A informação foi confirmada pelo ex-analista do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do II Exército em São Paulo (DOI-Codi), Marival Chaves Dias do Canto.  

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“Carros novos eram fornecidos e um sítio foi emprestado para servir como local de cárcere privado, tortura e morte. Antonio Carlos Bicalho Lana, por exemplo, foi torturado e morto no sítio de um empresário do ramo de transportes”, disse durante depoimento de 5 horas para a Comissão Nacional da Verdade nesta terça-feira (30).

Chaves ingressou no Exército aos 18 anos, em 1965. Dois anos depois, ele já integrava a 2ª Companhia de Polícia do Exército e cursava a escola de sargentos, patente da qual deu baixa em 1985, no início da redemocratização.

Chaves afirma ter trabalhado apenas com análise de informações e que nunca participou diretamente de operações de prisão, tortura, morte e desaparecimento de opositores do regime.

Início da repressão

Segundo o depoimento de Chaves, foi na Polícia do Exército, em 1967, que despontou em São Paulo o processo de repressão às organizações da luta armada, por meio da Segunda Seção (S-2) do quartel-general do 2º Exército, braço operacional do grupo que deu início ao processo. “Foi o braço armado e embrionário da repressão”, afirmou.

Foi nessa época que o DOPS e a Guarda Civil passaram a colaborar com os homens do Exército que atuavam na repressão, no que deu início à Operação Bandeirantes (OBAN), em São Paulo, formalizando a parceria entre os órgãos de repressão federais (Forças Armadas, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal) e as forças estaduais, uma espécie de projeto-piloto que acabou se transformando no DOI-CODI.

Na S-2 da P.E., Chaves já era subordinado ao oficial que o levou ao DOI-Codi, anos mais tarde, em 1973. Segundo ele, o primeiro centro de tortura em São Paulo, mantido pelo Exército, funcionou na 2ª Companhia de Polícia do Exército. 

 

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