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Imagem: Rafael Vilela/Colaborativo

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Novas mídias se tornam aliadas de movimentos sociais na criação de narrativas próprias

Criado em 08/12/15 21h22 e atualizado em 09/12/15 17h01
Por Davi de Castro Edição:Líria Jade Fonte:Portal EBC

As novas mídias já fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros diariamente. Segundo pesquisa mais recente do IBGE, quase metade da população (49,4%) já está conectada à internet. E neste ano, pela primeira vez, o número de smartphones (306 milhões) superou o de computadores (154 milhões), de acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas. Para além do uso recreativo e social, essas tecnologias da informação e comunicação se consolidaram como um importante instrumento de mobilização social.

 

Desde os protestos de junho de 2013, diversos coletivos independentes de mídia se destacaram pelo uso ostensivo das plataformas digitais, que deram voz ao clamor das ruas e serviram de contraponto à cobertura da mídia tradicional. Para a repórter e fundadora do coletivo Jornalistas Livres, Laura Capriglione, o coletivo Mídia Ninja foi quem melhor cobriu as manifestações à época. “Eles mostraram que temos força para contar nossas histórias e fazer nossas narrativas”, analisou a jornalista.

 

Protesto de estudantes em São Paulo
Creative Commons - CC BY 3.0 - Protesto de estudantes em São Paulo

Rovena Rosa/Agência Brasil

A repercussão inspirou muitas outras mobilizações sociais que vieram depois, como a dos estudantes secundaristas de São Paulo, que chegaram a ocupar 196 escolas no estado na última sexta-feira (4) como forma de evitar a reestruturação no ensino que previa o fechamento de 90 escolas. Capriglione avalia que os estudantes estão fazendo um dos movimentos mais “lindos” que ela já viu em todo o tempo em que atua com cobertura de mobilizações sociais.

“Juntaram juventude, cultura, poesia e o que é fundamental: mídia”, ressaltou.

 

O movimento #OcupaEscola tem realizado oficinas de mídias com todos os participantes, ensinando técnicas para produção e edição de vídeos e fotografias, bem como publicação dos conteúdos em páginas nas redes sociais de cada escola ocupada. “Eles perceberam que a imprensa era um obstáculo terrível, pois a narrativa da mídia tradicional foi no sentido de só criminalizar os estudantes, com alegações de vandalismo, drogas e até sexo dentro das escolas”, explicou a jornalista.

 

Mais uma produção autônoma e independente direto das ocupas.Veja como fazer um vídeo e o quanto ele pode ser uma boa...

Posted by Canal Secundarista on Terça, 24 de novembro de 2015

 

Ivana Bentes, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, considera que essas mídias fragmentadas poderiam se tornar uma “massa de mídias” em oposição à mídia de massas. Mas para isso é preciso que elas estejam conectadas, articuladas entre si, argumentou a também professora de Comunicação.

 

Em queda

 

Os meios tradicionais têm perdido força ante à internet, sobretudo para as gerações mais jovens. O tempo de consumo da web (4h59) de segunda a sexta-feira já é maior que o dos outros meios, como televisão (4h14) e rádio (3h42), segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. O escritor e ator Gregório Duvivier avalia que o conservadorismo desses meios, sobretudo da televisão, afasta a geração mais jovem.

 

“Se as emissoras investissem num humor mais livre ou num jornalismo mais livre iriam atrair mais espectadores, mais alcance. Elas iam saber dialogar com essa geração. Mas elas não querem conquistar os novos espectadores, eles querem é continuar agradando os patrocinadores de sempre”, disse o co-fundador do canal de humor na internet Porta dos Fundos.

 

Duvivier também criticou a relação que alguns veículos de mídia estabelecem com políticos durante o debate realizado hoje (8) no encontro, promovido pelo Ministério da Cultura. O escritor usou, como forma de protesto, uma camiseta estampada com fotos de políticos que são sócios de emissoras de rádio e TV.

 

No mês passado, com base no artigo 54 da Constituição Federal, organizações da sociedade civil entraram com representação no Ministério Público Federal contra 32 deputados e oito senadores que possuem concessões de emissoras.“É um problema muito sério essa relação promíscua dos jornais com o Poder, o que é muito comum no Brasil”, disse.

Creative Commons - CC BY 3.0
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