Conheça a biografia de Fernando Pessoa e de seus heterônimos

Nádia Faggiani e Gilberto Costa - Repórteres do Radiojornalismo e da Agência Brasil 11.06.2013 - 16h11 | Atualizado em 11.06.2013 - 16h20

Brasília e Lisboa - Considerado o maior poeta da língua portuguesa, Fernando Antonio Nogueira Pessoa, conhecido apenas como Fernando Pessoa, completaria nesta quinta-feira (13), 125 anos, se estivesse vivo. Nascido em Lisboa, Portugal, o poeta fingidor, como se auto-denominava, criou os heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, cada um com personalidade e biografia próprias, o que os leva a serem objeto de maior parte dos estudos sobre a obra de Pessoa.

“O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente”

A pesquisadora portuguesa Teresa Rita Lopes, especialista na obra do poeta, lembra que apesar de Fernando Pessoa ter assinado textos literários com mais de 70 nomes, ele próprio afirmou a existência de apenas 3 heterônimos, personagens que adquiriram independência em relação a seu criador. “Se vocês virem o estilo do Ricardo Reis, é inconfundível, o do Alberto Caeiro e do Álvaro de Campos também. Só esses três é que têm vida própria, personalidade própria e estilo próprio. E os três são ele melhor. Para Fernando Pessoa, essa androginia  espiritual era uma maneira dele atingir a perfeição”.

Confira a matéria em áudio:

O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa afirma que Fernando Pessoa viveu mais por meio da sua poesia que na sua própria vida. “Ele tinha uma vida, digamos assim, medíocre no seu exterior, e uma vida interior em que ele construiu seus próprios personagens. Enfrentando uma certa solidão, ele acabou construindo seus companheiros de geração: o Álvaro de Campos, Ricardo Reis e o mestre de todos Alberto Caeiro”.

O primeiro poema foi escrito para a mãe, aos 7 anos de idade. Quando tinha 5 anos, seu pai, funcionário público e crítico musical do “Diário de Notícias, morreu de tuberculose.  Já no ano seguinte, a mãe casou-se pela segunda vez com o cônsul de Portugal em Durban, África do Sul, país onde Fernando Pessoa chegou aos 6 anos e viveu até aos 17. Nesse período ele recebeu educação em língua inglesa e, por isso, seus primeiros textos foram escritos nesse idioma.

O sobrinho de Fernando Pessoa, Luís Miguel Rosa Dias, de 82 anos, conta que a presença do tio na África do Sul é evidente. “Em Durban tem o colégio onde ele estudou, tem um museu só de Fernando Pessoa. Em Pretória, uma das praças principais tem um busto de Fernando Pessoa. E é tudo Fernando Pessoa por todo o lado”.

O poeta teve influência de autores ingleses, como William Shakespeare, Edgar Allan Poe e Lord Byron. Aos 17 anos, Fernando Pessoa voltou definitivamente sozinho para Lisboa e passou a se interessar pela literatura portuguesa. Tornou-se tradutor de cartas comerciais, que eram sua fonte de renda. Nas horas vagas, sentava-se em uma cafeteria para escrever poemas.

“Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias”.

O professor de crítica literária da PUC-São Paulo e especialista em Fernando Pessoa, Fernando Segolin, afirma que a figura enigmática do poeta desperta interesse no leitor porque ao mesmo tempo em que fala dos pequenos dramas do dia-a-dia, apresenta diversas visões sobre o mundo.

“Se deve a essa dimensão terna e por outro lado angustiada e consciente da contradição humana. E é um homem que fala também dos nossos pequenos dramas do dia a dia. Ele sempre foi durante toda sua vida um homem extremamente comum, que andava pelas ruas de Lisboa e trabalhava como correspondente comercial. E no instante em que ele percebeu que, na verdade, através da poesia, ele poderia oferecer ao mundo uma visão multifacetada, é que faz dele um grande poeta”.

Os únicos livros do poeta publicados em vida são as coletâneas de poemas em inglês “Antinous”, “35 Sonnets” e “English Poems I, II e III”, além do livro “Mensagem”, em língua portuguesa.
Pessoa morreu em 1935, aos 47 anos, de cirrose hepática.

O poeta, que iniciou a vida escrevendo ainda criança, morreu escrevendo. Sua última frase no leito de morte foi escrita em inglês: “I know not what tomorrow will bring” - “Eu não sei o que o amanhã trará”O poeta, talvez já prevendo a importância do seu legado para o mundo, já anunciava em seu Livro do Desassossego: “Um dia, lá para o fim do futuro, alguém escreverá sobre mim um poema, e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino."

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