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Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Escolhido, geralmente, entre os mais experientes do grupo, seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia

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Saiba de onde vem a quadrilha, dança típica das festas juninas

Criado em 07/06/13 17h46 e atualizado em 11/06/13 16h12
Por Bruna Ramos Fonte:Portal EBC

Quadrilha São João Festa Junina
Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Escolhido, geralmente, entre os mais experientes do grupo, seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia (Rooswelt Pinheiro/ Agência Brasil)

A quadrilha, dança típica das festas juninas brasileiras,  é carregada de referências caipiras e matutas. Mas sua origem vem de muito longe. A “quadrille” surgiu em Paris, no século XVIII, como uma dança de salão composta por quatro casais. Era dançada pela elite europeia e veio para o Brasil durante o período da Regência (por volta de 1830), onde era febre no ambiente aristocrático.

Da Corte carioca, a quadrilha acabou caindo no gosto do povo. Ao longo do século XIX, a dança se popularizou no Brasil e se fundiu com manifestações brasileiras preexistentes. “O brasileiro é um povo muito criativo e criou a forma estilizada de dançar a dança dos nobres”, opina a arte-educadora Lucinaide Pinheiro. A partir daí, diversas evoluções foram sendo incorporadas à quadrilha, entre elas o aumento do número de pares dançantes e o abandono de passos e ritmos franceses. As músicas e o casamento caipira que antecede a dança, também foram novidades incorporadas ao longo dos anos.

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Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Escolhido, geralmente, entre os mais experientes do grupo, seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia. O abrasileiramento de termos franceses deram origem, por exemplo, ao saruê (Soirée - reunião social noturna, ordem para todos se juntarem no centro do salão), anarriê (en arrière - para trás) e anavã (en avant - para frente).

Tradição enraizada em Brasília

Para muitos, a quadrilha não se restringe ao mês de junho. Grupos profissionais de quadrilheiros levam a sério a dança, se apresentam em festas e participam de concursos até o mês de setembro. Sem contar os ensaios anteriores às apresentações e as confecções de roupas, que exigem tempo até ficar tudo perfeito. “No início de janeiro já começamos a ensaiar e, em abril, estamos prontos para viajar pelo país”, diz Hamilton 'Tatu', do Grupo Parafolclórico Quadrilha Junina Pau Melado. A escola de Samambaia, cidade-satélite de Brasília, tem 78 membros e coleciona títulos: cinco no circuito brasileiro e quatro no local.

Além deste, diversos outros grupos do Distrito Federal e entorno vivem da quadrilha. Organizados em uma entidade – a Liga Independente de Quadrilha Junina do Distrito Federal e Entorno (LinqDFe) – os grupos se apresentam, anualmente, em um circuito junino. “De maio à primeira semana de agosto, as agremiações se apresentam em dez cidades-satélite. Mas nossa meta é aumentar este circuito para quinze cidades”, aponta José Pereira, presidente da Linq.

A entidade foi criada em 2000 e hoje conta com 62 grupos filiados. “Essa associação surgiu da necessidade de organização dos grupos de quadrilha. Nós buscamos recursos para o circuito e para fomentar os grupos”, define Pereira. O liga deu tão certo que serviu de ponto de partida para a Confebraq – Confederação Brasileira de Entidades de Quadrilhas Juninas.

Para dançar, basta ter disposição. Muitos  grupos acolhem pessoas de todas as idades. “Temos a categoria mirim, infantil, cascudo e adulto”, define Hamilton. Os integrantes do grupo devem ter, porém, disponibilidade, já que ser quadrilheiro profissional significa ter uma agenda apertada.

Mais do que arte e dança, a quadrilha junina é uma expressão da cultura popular. E quem se dispõe a desenvolvê-la, acaba perpetuando a tradição de origem francesa. Para a arte-educadora Lucinaide Pinheiro, os dançarinos são, para muitos, grandes referências. “Essas pessoas são mais do que quadrilheiras, elas têm uma ação de protagonismo dentro das suas comunidades”, opina.

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