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Há 68 anos, fracassava o atentado contra Hitler

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Relançamento de obra de Hitler pode impulsionar crescimento da extrema direita, diz pesquisadora

Criado em 08/01/16 20h19 e atualizado em 08/01/16 22h02
Por Fernanda Duarte Edição:Líria Jade Fonte:Portal EBC

Pela primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial (que durou de 1939 a 1945), o livro “Mein Kampf” (A minha luta, em tradução livre), um manifesto de Adolf Hitler, é publicado na Alemanha. O lançamento da obra comentada do líder nazista foi feito hoje (8) pelo Instituto de História Contemporânea de Munique (IFZ, na sigla em alemão). O objetivo do relançamento do livro, cujos direitos passaram a ser recentemente de domínio público, é contextualizar a obra e desmistificar declarações do ex-líder alemão.

Para a professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, Adriana Dias, a reedição da publicação, no entanto, acontece em um momento delicado para a Europa, em que se registra o crescimento de movimentos de extrema direita e de aumento de casos de xenofobia e racismo, principalmente contra imigrantes e refugiados.

“A Europa vive um cenário de crise econômica e atentados, o que cria um caldeirão na narrativa social muito parecido com o das décadas de 1920 e 1930. O cenário não é bom, o livro é uma caixa de pandora, que abre todas as portas de ódio, com mentiras, que infelizmente são 'compráveis' em tempos de opressão social e econômica”, avalia a pesquisadora.

Indagada sobre a possível repercussão do livro no Brasil, a antropóloga, que pesquisa há mais de 15 anos sobre os grupos nazistas na internet e também fora dela, disse acreditar que o movimento de extrema direita deve se intensificar também no país. “No Brasil mais de duzentas mil pessoas já leem livros e materiais neonazistas e com a ascensão da direita isso tende a piorar.”

Para ela, os simpatizantes brasileiros do neonazismo (que estão espalhados pelo país, mas concentrados majoritariamente nos estados do Sul e do Sudeste), são muito influenciados pelas ações dos seus pares na Europa. “O movimento no Brasil é extremista, se apoia muito no modelo americano e europeu, e como característica singular desenvolveu um ódio extremo ao nordestino”. Além disso, segundo ela, é comum estarem envolvidos em ataques homofóbicos, contra negros e judeus.

Creative Commons - CC BY 3.0
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