Relatório aponta que países não cumprirão metas de melhoria da educação

Amanda Cieglinski - Portal EBC 16.10.2012 - 06h00 | Atualizado em 16.10.2012 - 08h11

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lança hoje (16) o 10º Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos. O documento analisa o cumprimento das seis metas previstas no acordo de Dacar (Senegal), que foi assinado por 164 países na Conferência Mundial de Educação de 2000. Todos os signatários, incluindo o Brasil, se comprometeram em atingir seis metas de melhoria da qualidade da educação, entre elas a redução do analfabetismo entre adultos e o aumento do acesso de crianças menores de 5 anos à pré-escola.

O documento avalia que a maioria das metas dificilmente serão atingidas.“Infelizmente, o relatório deste ano mostra que os avanços em muitas metas está diminuindo e a maioria dos objetivos não devem ser alcançados. Apesar do cenário sombrio geral, os progressos verificados em alguns países pobres mostram o que pode ser alcançado com o compromisso de governos nacionais e doações internacionais, incluindo um número maior de crianças em atendimento pré-escolar, garantindo a conclusão do ensino primário e a transição para o secundário”, aponta o estudo.

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Além de trazer um panorama sobre o cumprimento das metas de Dacar, o relatório também foca a questão do acesso à educação e qualificação profissional dos jovens. O estudo destaca que, nos países em desenvolvimento, 200 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos sequer completaram a escola primária (equivalente ao ensino fundamental) e precisam de caminhos alternativos para adquirir habilidades básicas para o emprego. Um em cada oito jovens estão desempregados e mais de um quarto estão ligados a trabalhos que os deixam na linha da pobreza ou abaixo dela. “Enquanto os efeitos da crise econômica continuam a sufocar as sociedades no mundo todo, a profunda falta de qualificação da juventude é mais nociva do que nunca”, diz o estudo.

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A Unesco defende que investir no desenvolvimento das habilidades de jovens é uma estratégia inteligente para países que querem impulsionar seu desenvolvimento econômicos. O estudo estima que cada dólar gasto em educação gera de 10 a 15 dólares em crescimento econômico ao longo da carreira dela. A entidade recomenda que governos e países doadores de fundos globais para a educação precisam se empenhar mais para garantir o investimento necessário. Além disso, destaca que a contribuição do setor privado na educação dos jovens ainda é muito pequena - equivalente a 5% do total de ajuda oficial à educação - ,  quando o setor econômico é o primeiro a se beneficiar de uma mão de obra mais qualificada.

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