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Aula para refugiados

Imagem: acnur/ted adnam

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Professores revelam dificuldades de escolas em absorver imigrantes

Criado em 28/09/16 18h07 e atualizado em 28/09/16 20h32
Por Patrícia Serrão Edição:Luiz Claudio Ferreira

Pesquisadores de universidades no Rio de Janeiro entendem que escolas e faculdades têm apresentado dificuldade de absorver e inserir estudantes refugiados no Brasil. No seminário  "Seminário Aspectos socioeducativos dos processos migratórios", realizado pela Fundação Casa de Rio Barbosa, eles explicaram que o problema principal não está na matrícula (já que não há limitação de acesso aos cidadãos que tenham o protocolo de pedido de refúgio), mas na inserção dos conteúdos e na integração à estrutura educacional.

 

Na baixada Fluminense, por exemplo, se concentram refugiados congoleses e angolanos. O professor Luciano Aragão, da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro, estudou o caso das crianças congolesas. Ele reclama da falta de preparo das escolas brasileiras. “As escolas brasileiras não estão preparadas nem para receber os nacionais. A gente tem vários problemas de falta de investimento, infraestrutura. Então existe muita dificuldade de fazer com que as escolas estejam realmente preparadas”, considera.

 

Luciano Aragão explicou que, no caso que ele estudou, a diretora do colégio afirmou que conversou com as mães dos alunos para explicar o que é a situação de refúgio e isso ajudou a facilitar a integração, pois colaborou para que refugiados e famílias fossem compreendidos pelos demais alunos. “As escolas têm várias dificuldades. A fundamental delas é ter a sensibilidade de compreender essa 'tradução', das crianças viverem em vários mundos: o local de origem; a comunidade onde se está instalado e mais a escola. Isto impacta significativamente sobre a escolarização, a aprendizagem e a vivência. Esse é o principal eixo”.

 

Na região do Norte Fluminense, a situação é semelhante. A professora Bianca Pires André, professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), estuda a integração de crianças filhos de migrantes na região. Além da falta de preparo das escolas, a pesquisadora reforça que, mesmo com poucos recursos, é possível melhorar. “A gente não está preparado nem para receber os brasileiros. Então é um desafio. Cada escola vai enfrentar de acordo com o quantitativo que vai recebendo e vai aprender com eles como ela pode ser orientada a ajudá-los e a melhorar.”

 

A professora explica que a integração depende muito da acolhida que a escola dá para estes alunos. "Acolhida não só como oferta de auxílio na aprendizagem do idioma, mas também a acompanhar o processo, acompanhar a família na escola, oferecer diversidade metodológica porque muitas vezes a gente também tem um ensino muito tradicional e não dá opção metodológica e tecnológica para criança poder se expressar.”. Para ela, só da professora avisar antes a turma que vem um aluno de outro país e explicar a situação dele pode já facilitar a integração desta criança.

 

Situação dos refugiados

 

De acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), o Brasil possui 8863 refugiados reconhecidos, de 79 nacionalidades distintas. O número de solicitações de refúgio aumentou 2.868% entre 2010 e 2015. A maioria dos solicitantes de refúgio vem da África, Ásia (inclusive Oriente Médio) e o Caribe.

 

De acordo com relatório do Conare os sírios formam a maior comunidade de refugiados reconhecidos no Brasil. Eles somam 2.298, e são seguidos pelos angolanos (1.420), colombianos (1.100), congoleses (968) e palestinos (376). Ao todo são 79 nacionalidades presentes no Brasil. Para as escolas e universidades brasileiras lidar com crianças e adolescentes das mais diversas nacionalidades está sendo difícil.

 

Ensino Superior

 

A professora Isabela Cabral Felix de Souza, pesquisadora da Fiocruz, estudou os alunos vindos da África e América Latina na UFRJ. As dificuldades não são muito diferentes dos estudantes de ensino médio. “Dificuldade de transporte, locomoção e em termos educacionais além da língua é de ter uma maior flexibilização para o tempo de aprendizagem. Principalmente no processo inicial. No primeiro ano ter flexibilização de não ter que fazer todas as matérias juntas.”

 

Para ela, a integração na UFRJ é muito mais uma iniciativa dos alunos do que um projeto dos professores. "Os gestores que eu entrevistei falaram da necessidade de sensibilização maior dos professores e o currículo precisa ter mais espaço para a integração dos alunos estrangeiros”, conta.

 

Creative Commons - CC BY 3.0

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