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Palmas (TO) - Grupo de rap com integrantes da etnia Guarani Kaiowá, Bro MC's, se apresenta na Oca da Sabedoria durante os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Guaranis Kaiowá cantam sua realidade nas rimas do rap

Criado em 29/10/15 09h25 e atualizado em 29/10/15 10h16
Por Cibele Tenório Fonte:Portal EBC

Em 2008, quando quatro jovens da etnia Guarani Kaiowá criaram o Bro MC, grupo de rap, a inciativa não foi vista com bons olhos pelos demais. Mas bastou que as lideranças da aldeia ouvissem calmamente as rimas que falavam sobre os desafios e lutas do povo do Mato Grosso do Sul para que aprovassem e abençoassem a iniciativa.

“Quando levamos para os caciques eles ouviram e falaram pra gente seguir em frente porque entenderam que as letram falavam do que nós devemos espalhar pro mundo”, diz Bruno Guarani Kaiowá, um dos integrantes do grupo de Dourados (MS).

Desde o início, a decisão foi a de escrever rimas em português e em guarani. “A gente fez essa escolha justamente para mostrar que não deixamos de lado a nossa cultura”. Os indígenas começaram a se arriscar nas primeiras rimas depois de ouvir rap num programa de rádio. Gravavam tudo numa fita e iam repassando para os demais jovens da aldeia até que alguém teve a ideia de criar um grupo.

Ouça aqui uma dás músicas dos Bro MC’s

 

 

As canções falam sobre as reivindicações e os conflitos da comunidade nativa da maior reserva urbana do Brasil, que é vítima constante de violência na disputa pela demarcação de terras no Mato Grosso do Sul. “O rap é nossa ferramenta para denunciar o que acontece e também serve para nos defender e para mostrar a realidade do povo no Mato Grosso do Sul e de outros estados”

 

PEC 2015

O grupo de rap participou nesta quarta-feira (28) de uma mesa sobre produção cultural nos Jogos Mundiais Indígnas (JMPI) em Palmas (TO) e comentou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00, que altera as regras para a demarcação de terras indígenas, de remanescentes de comunidades quilombolas e de reservas.”A gente ficou muito triste. Eles (os deputados que votaram pela aprovação) acham que nós estamos atrapalhando. A gente não quer tomar a terra do outro, a gente só quer a posse da terra onde nossos antepassados morreram”, fala Bruno.

 

Apesar de divulgarem suas canções online, em um canal do YouTube, o grupo ficou surpreso com a recepção calorosa que recebeu nos JMPI. Durante a apresentação dos Bro MC’s, muitos parantes, como são chamados os indígenas de outra etnia, cantaram as rimas em coro. “A gente não tem dimensão de até onde nossa música tem chegado e foi muito gratificante estar aqui ouvir as pessoas e poder mostrar nosso som. Mostrar que a gente também é capaz e não vamos ficar só dentro de uma oca, segurando uma flechinha”.  

Creative Commons - CC BY 3.0

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