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Imagem: RFI/ Ramalho

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PSG também tem “legião brasileira” no futebol feminino

Criado em 21/03/16 13h05 e atualizado em 21/03/16 13h13
Por Elcio Ramalho Fonte:RFI

Erika, Cristiane e Rosana. Essas são as três jogadoras brasileiras que, nesta temporada, reforçam o Paris Saint-Germain, um dos principais times do futebol feminino na França.

Na versão masculina, a “legião brasileira” é bem conhecida, com seis atletas do país espalhados pelo ataque (Lucas Moura), meio de campo (Thiago Motta), e principalmente na defesa (Thiago Silva, David Luiz, Maxwell e Marquinhos).

No feminino, o PSG também tem a ambição de ser uma grande equipe e para isso não poupou esforços para trazer a Paris três brasileiras de reconhecido talento. A atacante Cristiane e a zagueira Erika assinaram contrato em agosto passado. Para as duas, o futebol francês é uma novidade.

Cristiane já passou pela Suécia e Alemanha, mas foi seduzida pelo projeto do PSG.“A estrutura, o nome, o peso da camisa e voltar a disputar novamente uma Liga dos Campeões. Tudo isso é importante para mim e para minha carreira. E também pela dificuldade do futebol feminino no Brasil. Isso atrai a atleta para vir para fora e tentar alguma coisa diferente na carreira”, diz.

Aos 33 anos, Cristiane desembarcou na capital francesa em maio do ano passado e foi anunciada como reforço em agosto, depois de um período de adaptação. “Muita gente especulava sobre a minha idade. Vim para cá e acabei surpreendendo. O treinador não tem do que reclamar por causa dos resultados que tenho feito, nos jogos, no dia a dia. Meu saldo é positivo”, avalia a atleta, que marcou 21 gols, uma média de um por jogo.

Craque também da seleção brasileira, Cristiane comenta que o futebol francês precisa evoluir em relação a outros campeonatos europeus. “O futebol francês tem muito a crescer ainda. Não há muitas equipes fortes; a Champions League é a competição mais forte que se tem por aqui. Os outros clubes não têm muito investimento. Aqui [na França] tem nós, do PSG, o Lyon, que tem uma estrutura muito boa, e o Montpellier, que também está crescendo. Eu acho que essa dificuldade [de falta de investimentos de outras equipes dificulta nivelar melhor o campeonato”, avalia.

Nome de peso

A zagueira Erika, 28 anos, trocou o Brasil pela França, seduzida por jogar em um grande clube. “Muita gente conhece o PSG pela equipe masculina. Um grande nome, uma grande equipe. Quando tive oportunidade de vir para cá, claro que pensei nisso. Na época, tive outros convites, mas quando se fala em PSG, independentemente da equipe ser boa ou não, o nome era importante”, conta Erika.

Para a meio campista Rosana, foi um reencontro com o futebol francês. Ela atuou pelo Lyon, entre 2011 e 2012. Aos 33 anos, foi chamada para trazer sua experiência ao ambicioso time da capital. Foi a última brasileira a chegar, em fevereiro, quando se rendeu à proposta do PSG.“Os últimos campeonatos falam por si só. Foram vice no francês e vice na Champions League. Isso foi o que mais me atraiu. Não só eu, mas a maioria das jogadoras que jogam em alto nível. Tem muita competitividade. Então, o que me atraiu foi a possibilidade de disputar títulos expressivos", avalia.

"Além dos investimentos que vêm sendo feitos nos últimos anos, já conhecia algumas jogadoras que me falaram da infraestrutura. Consegui juntar os dois: disputar títulos expressivos e trabalhar com jogadoras com quem já trabalhei e com uma estrutura que a gente não encontra no futebol brasileiro”, diz Rosana.

A presença de Erika e Cristiane, com quem já jogou pela seleção brasileira, ajudou na adaptação. “A gente é uma máfia brasileira (risos). É muito legal a nossa integração porque facilita no campo, a gente se conhece, jogamos muitos anos juntas na seleção. O fato de falar a mesma língua, a orientação, o jeito de jogar, a comunicação, fica tudo mais fácil”, diz. “A gente também se dá muito bem fora e isso ajuda bastante”, completa.

Expectativa de troféus

Com apenas quatro rodadas para terminar o campeonato francês, o PSG segue em vice, com três pontos do Lyon, a equipe mais forte da competição. Salvo um tropeço pouco provável, o Lyon deverá ficar com o troféu. Mas o PSG ainda disputa a semifinal da Copa da França, e enfrenta o Barcelona, por uma vaga nas semifinais da Liga das Campeãs da Europa, mais conhecida como Champions League.

O sonho da conquista europeia é o foco da zagueira Erika: “Vim com esse pensamento, com essa missão: quero uma Champions. Para mim é importante chegar ao menos em uma final. Isso é o que eu quero”.

A atacante Cristiane também não descarta erguer um troféu logo na sua primeira temporada do clube: “A Copa da França ou a própria Champions, por que não? Espero que minha passagem aqui seja positiva e quero marcar meu nome na história do PSG”.

Para Cristiane, ainda é cedo para pensar em seu futuro com a equipe feminina do PSG. “Meu contrato é até maio, mas quero deixar para decidir após as Olimpíadas. Tenho 21 gols em 21 jogos. Estou deixando boa impressão, ainda tenho tempo para conversar”, afirma.

 

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