Digite sua busca e aperte enter


Branca de Neve inspira as meninas

Imagem:

Compartilhar:

Princesas da Disney ditam modelos de beleza e comportamento entre as crianças

Criado em 19/02/13 13h49 e atualizado em 19/02/13 15h02
Por Adriana Franzin Fonte:EBC*

Branca de neve
Branca de Neve inspira as meninas (Mydisneyadventures / CC)

Para ser uma princesa, é preciso ser bonita, comportada e casada. Essa é a imagem que as crianças formam a partir dos padrões oferecidos pela marca “Disney Princesas”, na opinião da antropóloga  Michele Escoura, do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. 

Ela fez uma pesquisa com aproximadamente duzentas crianças de cinco anos de idade de três escolas, públicas e particulares do interior de São Paulo (duas em Jundiaí e uma em Marília). No estudo Girando entre Princesas: performances e contornos de gênero em uma etnografia com crianças, a antropóloga constatou que as imagens das personagens fazem parte do contexto de vida das crianças e estão presentes no cotidiano delas como referencial de feminino.

Ao longo de um ano de análises, Escoura percebeu que as brincadeiras relacionadas ao tema eram uma demarcação de participação exclusiva das meninas e que a identificação do modelo de princesa girava em torno de padrões estéticos, comportamentais e de relacionamento conjugal.

Na experiência, a pesquisadora exibiu os filmes Cinderela e Mulan. Duas personagens conceitualmente diferentes: Cinderela é a princesa ‘clássica’, passiva, sempre à espera de outras pessoas para resolver os seus problemas; Mulan, segundo a própria descrição no site da Disney, é uma princesa rebelde, que a partir de suas ações, desencadeia os acontecimentos na história.” A proposta era que as crianças fizessem desenhos comentando a cena mais relevante de cada um dos filmes.

A conclusão: por não seguir os padrões e, principalmente, por não ter se casado com o par romântico, Mulan não foi considerada uma princesa pelas crianças. O que chama a atenção, na análise da pesquisadora é que nos modelos aceitos, a princesa é totalmente dependente do príncipe e a realização pessoal como exemplo de feminilidade só se completa após o casamento ou a sua sugestão.

Contudo, em vez de marginalizar completamente as personagens das princesas, a antropóloga aconselha os pais a garantirem que as crianças tenham acesso também a outros tipos de referenciais do que é feminino. Na opinião dela, as meninas precisam saber que não existe só uma maneira de serem felizes, bonitas e aceitas.

*Com informações da Agência USP de Notícias

Creative Commons - CC BY 3.0
Fale com a Ouvidoria

Deixe seu comentário

Publicidade