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Medicação psiquiátrica infantil é tema de debate na TV Brasil

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Ritalina inibe o espírito crítico das crianças, diz especialista

Criado em 26/11/13 14h53 e atualizado em 14/01/14 15h07
Por Adriana Franzin/EBC

Medicação psiquiátrica infantil é tema de debate na TV Brasil
Pediatra questiona a prescrição de medicamentos psiquiátricos para crianças

Os pais têm uma jornada longa de trabalho e pouco tempo livre para descansar. Os filhos estudam grande parte do dia e preenchem o restante do tempo com atividades direcionadas e conduzidas. No fim do das contas, o diálogo, o contato e a ligação entre ambas as partes vai ficando de lado. O cenário, agravado pelo excesso de tempo que as crianças passam em frente a televisão, computador e outros entretenimentos com telas, tem causado um processo medicalização da infância, com uso excessivo de um remédio chamado Ritalina.

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Segundo a pedriatra Thelma B. de Oliveira, estudiosa do tema desde o início da carreira e autora dos livros Pediatria Radical e O Livro da Maternagem, a natural e fisiológica explosão de energia das crianças vem sendo confundida, atualmente, com sintomas de um problema conhecido como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que é bem mais raro do que parece e que vem sendo paulatinamente “tratado” com um remédio perigoso.

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Creative Commons - CC BY 3.0 -

De acordo com a pediatra, o uso de doses altas da Ritalina vem sendo associado, inclusive, a casos de morte súbita. Os riscos também envolvem a criação de uma cultura de uso excessivo de remédios, o que pode incentivar o uso de drogas no futuro.

Além disso, o remédio inibe o espírito crítico da criança. Na opinião da doutora Thelma, seguindo o padrão de diagnóstico existente, gênios da humanidade como Van Gogh, Shakespeare e vários outros seriam medicados e, provavelmente, teriam sido podados nas suas inteligências. “Não se sabe ainda o que vai dar o uso indiscriminado de uma droga que tira a criatividade e o espírito crítico das crianças”, afirma.

O que mais aflige a especialista é muitas vezes são os próprios pais que procuram escolas conhecidas por facilitar o acesso ao remédio. “Parece duro, mas isso veio juntar a fome com a vontade de comer, porque as mães querem crianças comportadas, que não deem trabalho. Então a medicação veio suprir isso, criança que não dê trabalho, que não questione, que seja eternamente obediente”, critica.

Esses falsos diagnósticos são feitos, geralmente, em poucas consultas que, na opinião da médica, são insuficientes para determinar a receita desse tipo de droga: “Não bastam os relatos da mãe para diagnosticar a necessidade de um medicamento. É preciso um acompanhamento, um lapso de tempo para realmente conhecer aquela criança, fazer testes, talvez até medicações de prova para comprovar a real necessidade dele”.

Para ela, o uso indiscriminado da medicação está associado a uma rotina de vida que impede a criança de se conhecer. “Essas atividades múltiplas terceirizam a criança ao cuidado de estranhos, então elas têm pouco contato com os pais, poucas ocasiões para refletirem sobre si mesmas e muito contato com telas, que são, em si mesmas, deletérias para a atividade cerebral”.

O verdadeiro remédio, segundo ela, para muitas crianças que são erroneamente diagnosticadas com TDAH deveria ser o contato familiar. “As crianças sentem muita falta de contato corporal com os pais”. É possível, segundo ela, fazer atividades em conjunto, promover conversas profundas sobre como a criança está sentindo, criar um canal de comunicação, como um quadrinho em que os pais manifestem carinho, interesse na vida da criança. Para ela, não basta dedicar o tal “tempo de qualidade”. É importante passar tempo em quantidade também para evitar que esses tipos de medicamentos se façam necessários.

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