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Tabuleiro de xadrez

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Pesquisa mostra que família influencia no desempenho de crianças que jogam xadrez

Criado em 14/03/16 11h53 e atualizado em 14/03/16 11h58
Por Agência USP de Notícias

Os enxadristas brasileiros que possuem a titulação máxima no esporte, de Grande Mestre (GM), têm em comum a forte influência familiar por intermédio da herança cultural pelo esporte e iniciação precoce, entre os 2 e os 11 anos de idade. É o que observou Jéssica dos Anjos Januário em sua monografia de bacharelado em Educação Física e Esporte apresentada à Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP. Ela estudou o caminho percorrido pelos grandes mestres do xadrez no Brasil.

Pesquisa permitiu conhecer a trajetória dos Grandes Mestres enxadristas até alcançarem o título

Orientada pelo professor Renato Francisco Rodrigues Marques, da EEFERP, Jéssica analisou entrevistas de onze enxadristas com o título de GM no País. Queria conhecer a trajetória que percorreram até alcançar o título, além do contexto sociocultural e pedagógico que permearam suas formações de sucesso. Foi quando a influência familiar e a iniciação precoce ressaltaram. “Esta iniciação é adequada através do sentido lúdico das atividades de aprendizagem em ambiente familiar capazes de proporcionar o gosto e a aquisição pelo prazer da prática ainda na infância”, observa. A pesquisadora observou também que todos apresentaram dificuldades semelhantes devido ao contexto brasileiro.

Incentivadora do xadrez como esporte nacional, Jéssica acredita na escola como uma das principais responsáveis pelo crescimento “dos meios de acesso e manutenção da prática do xadrez” na realidade do Brasil. Ela é jogadora de xadrez da equipe de Ribeirão Preto, atual campeã dos Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior de São Paulo, professora de xadrez de uma Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental de Ribeirão Preto e árbitra da Confederação Brasileira de Xadrez.

Segundo ela, o número de praticantes cresceu durante as últimas décadas, principalmente pelos incentivos públicos e privados direcionados ao xadrez escolar. Ela acredita que, além dos benefícios educacionais diretos que a prática é capaz de proporcionar “a inserção do xadrez no ambiente escolar, em longo prazo, será capaz de formar gerações que terão a oportunidade e compartilhar a cultura específica desta modalidade”.

O contato inicial nos primeiros anos escolares, segundo Jéssica, pode oferecer chances de desenvolvimento do xadrez na idade adulta, conforme o sucesso observado nos casos dos Grandes Mestres brasileiros que estudou.

Mas avisa que apenas inserir o esporte na grade curricular não basta. “É preciso saber quem, onde e com quais objetivos estamos ensinando”, recomenda. Como qualquer modalidade esportiva, a prática do xadrez, segundo a pesquisadora, deve estar contextualizada ao ambiente sociocultural que a insere, além, é lógico, de saber quais “os objetivos, as potencialidades, as limitações e significados apresentados pelos praticantes”.

Além disso, os métodos de ensino utilizados para a prática do xadrez nas escolas devem ser diferentes daqueles empregados em momentos de lazer e também dos métodos empregados em treinos de alto rendimento. E, também, devem ser adaptados a cada região do Brasil, para ficar de acordo com os valores próprios de seus habitantes, já que vivemos num país de dimensões continentais.

Benefícios do xadrez

A prática do esporte “estimula o pensamento, a execução e a fluidez do raciocínio lógico, desperta o espírito reflexivo e crítico, amplia a capacidade de tomada de decisões autônomas, instiga a imaginação e a versatilidade de elaboração de planos, potencializa habilidades como a paciência e a autoconfiança, demanda a elaboração de estratégias para a resolução de problemas, ativa a concentração e a memória, favorece o aprendizado de outras disciplinas, sobretudo a matemática, desenvolve capacidades sociais, afetivas e morais dos alunos, proporciona o respeito ao adversário através do espírito esportivo, dentre muitas outras”.

Com tantos benefícios, antecipa Jéssica, “o desafio, por aqui, é despertar gerações que se aventurem pelo vasto universo das sessenta e quatro casas”!

O estudo de Jéssica recebeu menção honrosa durante o Sexto Congresso de Iniciação Científica USP-UNICAMP-UNESP e, em junho deste ano, a autora foi convidada para apresentar seus resultados na conferência Trajetória Esportiva de Grandes Mestres Brasileiros: Aspectos Socioculturais e Pedagógicos no Campo Social do Xadrez, representando o estado de São Paulo no I Congresso Internacional de Xadrez ocorrido em Campo Novo do Parecis, Mato Grosso.

Para dar continuidade a suas pesquisas, Jéssica acabou de entrar para o curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.

Creative Commons - CC BY 3.0
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