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Pokémon Pokemon Go

Imagem: Reprodução

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Pokémon Go: uma reflexão aos pais

Criado em 25/08/16 10h03 e atualizado em 25/08/16 10h08
Por Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

Muitas são as críticas ao uso desse jogo virtual, que virou febre no mundo e no Brasil. Vários pais, educadores e especialistas estão preocupados com os efeitos dessa tecnologia no bem-estar de crianças e adolescentes. Mas alguns profissionais da infância aproveitaram o momento para utilizá-la em favor de suas causas.

O veículo Meio & Mensagem publicou um artigo de Susan Linn, fundadora da organização norte-americana Campaign for a Commercial-Free Childhood (CCFC), em que ela conta que jogou Pokémon Go e ficou encantada com os desafios do game virtual. Ao mesmo tempo, essa experiência a fez questionar alguns aspectos.

Um deles está relacionado à ética e privacidade. Segundo ela, pokémons estão se espalhando por lugares que, até então, eram isentos de publicidade, como cemitérios, alguns parques e, como Susan mesmo conta no texto, “estava se escondendo em minha casa ou nos arredores. Sem minha permissão!”.

Ela ressalta, “cada pokémon virtual colocado no mundo é propaganda gratuita para brinquedos, roupas, acessórios, cinema, apps, vídeos, games e muito mais”, o que estimula o consumismo, especialmente de crianças, vulneráveis a esse tipo de apelo.

Por outro lado, os bichinhos virtuais já invadiram o Hospital de Michigan, nos EUA. Os profissionais de lá incentivam as crianças internadas a “caçar” os pokémons pelos corredores da instituição. A ideia é que o aplicativo ajude a tornar as horas de internação menos entediantes e aproxime as crianças umas das outras, para que se relacionem, troquem ideias, conversem, não sentindo o isolamento e o sofrimento que o ambiente hospitalar muitas vezes provoca. A ideia tem dado certo, animando os pequenos.

Outra experiência foi de Leandro Ferreira, professor de geografia de São José do Rio Preto (SP). Embora o celular seja proibido na escola, uma vez por semana é aberta uma exceção, com a concordância dos pais. Uma das experiências foi sair pelas ruas do bairro, divididos em grupos, para mapear o entorno da escola. Paralelamente, o professor alertou os alunos sobre o uso inadequado do aplicativo, especialmente na rua, assim como o tempo dedicado ao jogo.

O aplicativo também inspirou uma campanha pelas crianças refugiadas sírias. Um grupo de ativistas aproveitou o sucesso do jogo para atrair a atenção do mundo ao problema. A campanha propõe aos fãs do game que parem um momento de caçar monstros virtuais para ajudar famílias presas no conflito.

“Estou na Síria… Salve-me!”, é um tuíte do grupo, acompanhado da foto de crianças segurando imagens de pokemóns.

Também na Síria, o designer Saif Aldeen Tahhan criou a campanha Syria Go, pedindo à comunidade internacional ajuda ao seu país. Em uma série de imagens, ele coloca desenhos de objetos que crianças necessitam sobre cenários reais da guerra na Síria, como casas e escolas destruídas.

Mas precisamos ressaltar que o uso excessivo desse e de qualquer jogo virtual por crianças merece nossa preocupação, já que pode afastá-las de outras atividades bem mais importantes para seu desenvolvimento, como o brincar livre, a leitura e o relacionamento direto com adultos e seus pares.

“Desejaria adiar a imposição da realidade aumentada a crianças pequenas. Estas crianças precisam de oportunidades infinitas para se dedicarem à tarefa fascinante de explorar a realidade ‘real’ da maneira mais natural possível — na vida prática, na criatividade e no jogo isento de publicidade”, defende Susan no artigo.

Por isso, a reflexão sobre o efeito das telas na vida dos pequenos deve permanecer na pauta, assim como usar a tecnologia para criar boas soluções.

Creative Commons - CC BY 3.0

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