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Leitor interpela Ouvidoria sobre artigo na Coluna

Publicado em 16/03/2016 - 11:51

Por Joseti Marques Editor Joseti Marques

A Ouvidoria recebeu uma manifestação do leitor Renato Lazzari, de São Paulo, capital, sobre o artigo “Jornalismo público e a busca da verdade no palheiro das versões”, publicado na semana passada, na Coluna da Ouvidoria. Primeiramente, agradeço a leitura e atenção dos comentários e peço licença para compartilhar a resposta com os demais leitores, já que alguns aspectos levantados pelo Renato podem ser preocupação comum a todos que se interessam pela comunicação pública. E para começar a conversa, vamos esclarecer alguns pontos.

A manifestação do titular da Ouvidoria nos veículos da EBC é uma exigência legal, cumprindo uma das mais árduas tarefas que é a análise crítica de conteúdos, em seu papel de ombudsman. Esse trabalho tem como principal objetivo incidir positivamente sobre a qualidade do serviço que prestamos à sociedade, através da TV Brasil, Agência Brasil, Radioagência, Portal EBC e as oito emissoras públicas do sistema. O que nos inspira e orienta é a missão da EBC, de “produzir e difundir conteúdos que contribuam para a formação crítica das pessoas.”

Assim, o diálogo permanente da Ouvidoria com os produtores de conteúdo, a partir do que entendemos como interesse público,  nos leva a refletir sobre as práticas consagradas tanto no jornalismo, como na produção de programas, bem como sobre o contexto comunicacional em que estamos inseridos. E é a partir dessa compreensão que nos manifestamos. Não podemos, por exemplo, passar ao largo ou usar subterfúgios de linguagem sobre a prevalência dos veículos privados, o principal deles a TV Globo, que ainda hoje conformam e influenciam o público sobre como e o que pensar, aproveitando-se do vácuo histórico resultante da ausência, no país, de um projeto de educação consistente.

E quando apontamos o “público” para dizer da influência dos veículos comerciais em sua formação, não nos referimos apenas às pessoas que compõem as audiências, mas principalmente ao imenso contingente de profissionais que todos os anos são formados nas faculdades de comunicação das universidades, que os preparam para o grande mercado do qual os veículos da comunicação pública não fazem parte.  Sim, os jornalistas e demais produtores de conteúdo da comunicação pública ou foram formados nas lides das empresas privadas da grande mídia, ou nos bancos escolares que também atendem ao grande mercado.

Costumo dizer que a EBC é a comunicação pública stricto sensu, porque tem um complexo de mídia que divide espaço no mesmo território das demais emissoras de rádio, TV e agências. E a bem da verdade, em grande desvantagem. Somos, no dizer técnico, os últimos “entrantes” no contexto da radiodifusão no Brasil. Somente em 2007 consagrou-se o ente público previsto na Constituição de 1988, que prevê que o sistema de comunicação no país deve ser dividido em estatal, privado e público. Os veículos públicos, com apenas oito anos, estão saindo agora da primeira infância – ainda não sabem o que vão ser quando crescerem.  E não estou me referindo à competência dos profissionais envolvidos, mas ao projeto em si.

Por exemplo, quando o leitor diz que ficou “com a impressão de que o jornalismo da EBC está confundindo estatal com governamental”, devo concordar com ele e dizer que, em alguns momentos, confunde sim. Assim como o público em geral sequer reconhece que somos públicos e não estatais, nem tampouco governamentais.

E sobre a afirmação de que “TV pública não precisa de 'Ibope'; não deve se preocupar com isso”, peço licença para discordar. Para que a comunicação pública seja um divisor de águas nesse contexto de hegemonia das mídias privadas, entre tantas outras demandas, precisamos de audiência sim, e para isso não basta ser competentes; temos que ser estratégicos e muito competentes. E é aí que entra o controle de qualidade feito pela Ouvidoria. Temos sim que nos preocupar, não com o Ibope, que faz medições próprias da competição do ambiente comercial, mas com a preferência do público. Somente a sociedade e o cidadão justificam nossos esforços de levar cultura, informação relevante, entretenimento de qualidade aos lares brasileiros.

E sobre a pergunta a respeito do que “a TV Brasil está tentando disfarçar”, ou “o que precisaria ser mostrado e a TV Brasil esconde”, não se trata de nenhuma das duas hipóteses. A TV Brasil e os demais veículos da EBC precisam descobrir que podem e devem falar sobre tudo o que não cabe nos manuais de Jornalismo, nas práticas de mercado ou nas teorias acadêmicas. Mas é honesto perguntar: como fazer isso se ninguém ensinou ou construiu manuais a respeito? Esta é a questão fundamental que nos interpela ao fazermos a crítica.

O atencioso leitor nos brinda ainda com a seguinte reflexão: “apenas levantar questões não me parece missão fácil e nem que seus resultados possam ser medidos em pontos de audiência”. Realmente não é fácil apontar deslizes sem oferecer uma saída. Mas quando o caminho ainda está sendo construído, encontrar a saída é uma tarefa que compete a todos. Seria arrogância, do alto da experiência ou dos títulos acadêmicos, ou de ambos, nos arvorarmos a ditar as regras.

Mas devo dizer que estamos a caminho e essa é uma boa notícia, que talvez possa contemplar com mais propriedade as reflexões do leitor: a EBC, em cooperação com a Unesco, está criando um centro de pesquisa aplicada, desenvolvimento e inovação em comunicação pública. Em torno dele, temos quase 200 profissionais entre doutores, mestres, especialistas e aqueles que detém notório saber – e todos são trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação. Certamente que ainda não é uma resposta, mas é, pelo menos, o começo de um caminho.

Muitíssimo agradecida, Renato, pela oportunidade da boa conversa.

Até a próxima!

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