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Desculpem o transtorno; estamos em greve

  • 23/11/2017 15h58

Coluna da Ouvidoria
Joseti Marques - Ouvidora da EBC

Em novembro de 2015, a Ouvidoria foi provocada pela jornalista Akemi Nitahara, à época conselheira do Conselho Curador da EBC, sobre a pertinência de os veículos públicos geridos pela empresa noticiarem a greve de seus empregados, que estava ocorrendo naquele momento. A questão foi respondida em uma Coluna da Ouvidoria, em que o principal argumento favorável a se noticiar a greve foi que, do ponto de vista jornalístico, “não informar o cidadão sobre a greve na empresa pública de comunicação seria, por princípio, uma omissão”, levando-se em consideração que as greves nos demais serviços são invariavelmente noticiadas.

Embora a mídia em geral trate greves apenas sob o aspecto dos transtornos que causam à vida em sociedade, não se ocupando das condições de trabalho que levam às paralisações, é indiscutível que a notícia ajuda o cidadão a se organizar em relação às condições excepcionais da prestação dos serviços interrompidos.

Por esse motivo, a Ouvidoria considerou, à época, que não informar o público sobre a greve que estava ocorrendo na EBC deixaria implícito que o serviço prestado pela comunicação pública é irrelevante e que sua interrupção não causaria transtornos aos usuários dos veículos do sistema. A greve foi então noticiada, mas o desconforto em noticiar a própria greve ficou visível na forma tímida como as rádios, a Agência Brasil e o Portal da EBC trataram a questão. A TV Brasil sequer tocou no assunto.

A EBC está novamente em greve, desde o dia 14/11, e a Ouvidoria reafirma sua posição de que se deve prestar contas ao público sobre a paralisação dos serviços que, afinal, são pagos com o dinheiro dos impostos de todos os cidadãos. O Conselho Curador, que provocava e estimulava reflexões desta natureza, foi extinto com a Medida Provisória que alterou a Lei da EBC, em 2/3/2017. 

Mas aos poucos e de forma surpreendente, o estranhamento do público sobre a precariedade dos serviços, parcialmente interrompidos,  foi chegando à Ouvidoria de várias partes do país. A ouvinte Isabel Pinheiro, de Santa Maria/RS, quer saber “por que houve mudança para pior na programação da Nacional”, e acha que “conseguiram acabar de vez com o [programa]  Alô, Dayse”. De Marabá, no Pará, Virgilio Ribeiro Neto reclama que “já fazem mais de 10 dias que não são postadas, nesse site, as matérias do Repórter Brasil”, e pergunta se o serviço deixará de existir.

João Marcos Barboza reclama que “o programa Abraço Negro estava sem o áudio da apresentadora e de um dos entrevistados”. Sem saber que uma greve estava prejudicando a transmissão, o telespectador fez um desabafo que deixou implícita sua preferência pela TV Brasil, mesmo que apontando, de forma injusta, os profissionais que, em condições normais, fazem o bom trabalho que mantém sua audiência:

“... que falta de profissionalismo, que falta de respeito ao público, e o pior é que o programa foi gravado e ninguém conferiu isso (...). Adoro a TV Brasil, mas sinceramente desse jeito fica difícil; é muita gente incompetente, sem amor à TV...”

Edilene Moura, de Mimoso, município de Arraias/TO, afirma que é ouvinte assídua do programa Brasil Rural e que a Rádio Nacional de Brasília já faz parte da rotina de toda a família. Ela diz que “não estamos entendendo o motivo de estarem reprisando as entrevistas e, pior ainda, por que mudaram o apresentador?”.

Celso de Marco, de Brasília/DF, diz que escreve “única e exclusivamente para lamentar a falta de atualização do site da EBC, que permanece com data de 13/11/2017”. Ele reclama que os vídeos dos telejornais Repórter Brasil e Repórter DF também estão desatualizados, e termina dizendo que espera sinceramente que os problemas sejam sanados.

Estas são apenas algumas das mensagens que, na percepção da Ouvidoria, demonstram a importância que os veículos da comunicação pública têm para as pessoas. A interrupção parcial da prestação dos serviços afetou o cotidiano delas e nos deixou ver que, para além das medições convencionais de audiência, temos um público que espera mais do que simples programação, mas um conteúdo de qualidade, como preconiza a missão da EBC. E a qualidade, no que tange a conteúdo jornalístico, por exemplo, tem como um dos fundamentos basilares a informação precisa, sem ressalvas, mesmo que eventualmente ao custo da exposição de mazelas internas.

A Ouvidoria reafirma sua convicção de que é melhor pedir desculpas pelo transtorno e dizer publicamente que “estamos em greve”, do que perder a audiência de telespectadores, leitores, internautas, ou ainda de ouvintes como João Marcos Barboza, que podem considerar que os problemas que têm sido observados devem-se não à paralisação, mas à incompetência técnica e à falta de amor dos profissionais da EBC pelos veículos públicos.

A falta de informação provoca impressões equivocadas e avaliações injustas, o que, no caso da EBC, aponta diretamente para a responsabilidade ética do jornalismo público. 

Até a próxima!


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