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Rio quer reintegrar jovens infratores por meio de iniciativa educacional

Criado em 04/11/15 20h51 e atualizado em 04/11/15 21h21
Por Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil Edição:Maria Claudia Fonte:Agência Brasil

Uma iniciativa educacional que mescla o ensino tradicional e o lúdico será testada no Rio de Janeiro para capacitar e reintegrar ao mercado de trabalho 25 adolescentes de 14 a 18 anos que cometeram atos infracionais e estão em liberdade assistida.

O projeto piloto Educação na Medida é uma parceria entre o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ), o Ministério Público Estadual, a prefeitura do Rio, o Instituto Brasileiro Pró Educação, Trabalho e Desenvolvimento (Isbet) e a organização Circo Crescer e Viver, por meio de um Termo de Cooperação Técnica.

Além de oficinas de informática, direitos dos cidadãos, responsabilidade social, empreendedorismo, políticas públicas e meio ambiente, haverá práticas circenses e passeios a centros culturais e parques.  Para uma das idealizadoras do projeto, a procuradora do trabalho Dulce Martini Torzecki, a inserção do circo como atividade lúdica poderá ser muito positiva no acolhimento e inclusão dos menores infratores.

“As artes circenses podem trabalhar as outras inteligências e a questão da auto-estima. Esses jovens já têm na rua vários atrativos, e se não buscarmos uma forma eficaz de resgate, talvez os percamos de vista de novo”, disse ela. “O objetivo, quase um sonho é fazer com que esses adolescentes escolhidos sintam-se cidadãos, indivíduos em igual condições de outros jovens", concluiu ao afirmar que o Poder Público precisa se antecipar às medidas paliativas e construir alternativas aos presídios.

O curso tem duração de seis meses, prorrogáveis por mais seis meses, e cada aluno terá uma bolsa mensal de R$ 400. Os adolescentes foram indicados pela Secretaria Municipal de Assistência Social, e hoje são acompanhados pelo Centro de Referência em Assistência Social (CREAS) Simone de Beauvoir, que atende a região da Mangueira e proximidades, zona norte da capital fluminense.

O centro é responsável pelo atendimento de 20% dos adolescentes em conflito com a lei, que cumprem medida no município. A ideia é que, posteriormente, o projeto atenda mais jovens e seja levado a outras comunidades. Com base no perfil dos adolescentes, os assistentes sociais selecionaram dez meninos para participar das atividades circenses. Quinze alunos farão o curso formal.

Outra compartida do projeto é o fortalecimento dos vínculos familiares, com reuniões mensais dos responsáveis pelos jovens com uma equipe multidisciplinar da Secretaria de Assistência Social. Após seis meses, será oferecido um curso de aprendizagem e vínculo empregatício para todos os alunos em uma empresa, com carteira assinada.

De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Social do Rio de Janeiro e vice-prefeito, Adilson Pires, o grande salto do projeto são as parcerias e o foco na educação, priorizando a cultura e o lúdico. “Essas parcerias do bem podem estimular outros agentes públicos e a própria prefeitura a ingressar em projetos como esse”, disse, ao revelar que o custo de capacitar e encaminhar para o mercado de trabalho é muito menor de encarcerar pessoas.

Segundo ele, no Rio há mais de 1.050 adolescentes cumprindo medidas sócio-educativas, e a atuação dos Creas está longe das necessidades desse público. “Há necessidade de mais recursos para essas políticas públicas. Cada menino é uma história de vida e é nossa responsabilidade”, completou.

 

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