Duque de Caxias tem a maior proporção de crianças internadas por diarreia na Baixada Fluminense

Akemi Nitahara - Agência Brasil 22.03.2013 - 07h32 | Atualizado em 22.03.2013 - 19h26

Os números do saneamento básico mostram que o Brasil ainda tem muito a avançar

A maior proporção de crianças apenas indica que a cidade não interna muitos adultos com diarreia. (Valter Campanato/ABr)

Rio de Janeiro - Pesquisa da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Instituto Trata Brasil, nos 100 municípios mais populosos do país, com dados de 2008 a 2011, mostra Duque de Caxias como o município com a maior proporção de crianças entre as pessoas internadas por diarreia no país, com 77,1%.

O estudo Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População mostra que Duque de Caxias teve internação média de 58,6 pessoas por 100 mil habitantes no período, ficando na posição 37 entre os municípios analisados.

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Os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade com essas internações foram de R$ 9.807/100 mil habitantes em 2011, deixando a cidade na 21ª posição das cidades com menor gasto. Em 2010, 41,6% do esgoto da cidade eram coletados e apenas 4,36%, tratados.

Segundo Sandra Vitória Martins, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias, a maior proporção de crianças apenas indica que a cidade não interna muitos adultos com diarreia.

Ela esclareceu que a diarreia é doença que pode dar em adultos e crianças. Em adultos, quando é muito grave, geralmente são surtos alimentares, decorrente de contaminação por bactéria em restaurantes ou abrigos.

“Outra coisa é a água contaminada. Se a gente não interna adulto, de uma certa forma [é porque] há uma fiscalização sanitária boa nos restaurantes, supermercados, onde às vezes se compra comida contaminada, fora do prazo de validade. Em uma cidade onde há pouca internação de adulto, significa que essa parte da alimentação está organizada”.

A médica confirma que a doença nas crianças está relacionada ao saneamento básico e à água. “Aqui temos uma dificuldade com a água: todo mundo sabe que a Baixada Fluminense tem um fornecimento de água muito precário”. Ela disse que o fornecimento irregular leva as pessoas a furar poços artesianos em casa muitas vezes sem água de qualidade. “E aí realmente leva a criança a ter diarreia”.

Sandra diz que Caxias participa do programa de monitoramento das doenças diarreicas do Ministério da Saúde. A cidade também faz coleta e análise da água das unidades de saúde e das escolas, dentro do programa Vigiágua, além de integrar um programa para limpeza de caixas d'água de seis em seis meses.

A diretora lembrou que Duque de Caxias ficou em sétimo lugar entre os municípios do estado no número absoluto de internações por diarreia, com 137. Os dados da pesquisa do Trata Brasil mostram que a taxa de internações por 100 mil habitantes caiu de 103,1 em 2008 para 61 em 2009, 41,4 em 2010 e em 2011 ficou em 28,9.

A prefeitura informou que a concessão do serviço de saneamento em Duque de Caxias é responsabilidade da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), mas a empresa nega isso. Quanto à água, a Cedae diz que o estado tem 84,6% de cobertura, sem especificar as regiões com deficiência nessa cobertura. Segundo a Cedae, estão sendo investidos R$ 3 milhões na região, em uma parceria com o governo federal.

Edição: Tereza Barbosa
 

 

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