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Participação das mulheres brasileiras nos Jogos Olímpicos

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Participação das mulheres brasileiras nos Jogos Olímpicos

Criado em 02/08/12 09h30 e atualizado em 13/09/12 10h57
Por Mariana Martins* Fonte:EBC na Rede

*Atualizada às 12h40


As mesmas dificuldades que as mulheres enfrentaram - e até hoje enfrentam - no mercado de trabalho convencional, elas também passaram no mundo dos Jogos Olímpicos. O Brasil teve a sua primeira participação em 1920, mas foi apenas em 1932 que a primeira atleta do sexo feminino representou o país em Olimpíadas. A nadadora Maria Lenk foi a primeira mulher brasileira a participar dos Jogos mas não conseguiu ganhar uma medalha. A primeira medalha só surgiu em Atlanta 1996 quando foi introduzido o volei de praia. Jaqueline Silva e Sandra Pires ganharam a medalha de ouro numa final inédita entre duplas brasileiras. Só em 2008 que a tão desejada medalha de ouro feminina em prova individual foi conquistada, por Maurren Maggi no salto em distância. Nesta olimpíada de Londres, a estreia brasileira acaba de ser marcada por mais uma inédita medalha de ouro feminina no judô com Sarah Menezes e o bronze da também judoca Mayara Aguiar 

Histórico


A dificuldade da participação das mulheres nos Jogos Olímpicos não era um problema apenas do Brasil. Os primeiros Jogos da Era Moderna, realizados em 1896, não tiveram a participação feminina. Aos poucos, as mulheres foram começando a participar, mas até hoje o número de mulheres é menor que o número de homens. A delegação brasileira que está em Londres já conta com 123 mulheres (ou 47% da delegação), mas esse processo foi longo e marcado por dificuldades. 

A primeira vez que as mulheres participaram dos Jogos Olímpicos foi na segunda edição, em Paris no ano de 1900. Eram 22 mulheres para 975 homens. Na edição seguinte, Saint Louis 1904 nos Estados Unidos, o número de mulheres diminuiu bastante e foram apenas 6 para 645 homens. Nos anos seguintes, 1908 e 1912, a média de mulheres aumentou e voltou a ser de pouco mais de 30, 40 participantes para uma média de 2 mil homens. 

Os Jogos Olímpicos ficaram suspensos por oito anos por conta da I Guerra Mundial. Em 1920, as olimpiadas de Antuérpia na Bélgica marcaram o retorno dos jogos e também a estreia do Brasil, mas ainda sem representantes femininas. Nesse ano, o número de mulheres em jogos olímpicos aumentou, mas proporcionalmente a mudança não foi tão significativa, tendo em vista que o número de homens também foi maior, chegando perto dos 3 mil atletas. Em 1928, o número de mulheres quase dobrou com relação à competição anterior, mas o Brasil não participou desta olimpíada. 

A estreia com Maria Lenk

 

Maria Lenk e Agnelo
Maria Lenk e ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz durante lançamento do livro da ex-atleta (Rose Brasil/ABr)

Apenas em 1932 o Brasil teve pela primeira vez uma mulher, a nadadora Maria Lenk, na sua delegação. A nadadora não foi apenas a primeira mulher brasileira, mas a primeira mulher sul-americana a participar de uma olimpíada. Maria Lenk não conseguiu medalhas, mas sua participação em olimpíadas foi memorável, e nas preparações para as olimpíadas de 1940 quebrou recordes mundiais. Lenk era a favorita para medalhas nestes jogos, mas por conta da II Guerra Mundial as olimpíadas de 1940 foram canceladas. Em 1936, outra nadadora, Piedade Coutinho, representou o Brasil na Olimpíada. Piedade participou de três olimpíadas representando o Brasil: 1936, 1948 e 1952. 

Os Jogos Olímpicos só voltaram a ser realizados oito anos depois em Londres. Neste ano, toda a delegação brasileira voltou para casa sem medalha. Foi apenas em 1952 que o Brasil saiu do jejum de 32 anos sem medalhas, trazendo para casa uma medalha de ouro e duas de bronze. Nas olimpíadas seguintes, em Melbourne 1956, Mary Dalva Proença, disputou a competição dos saltos ornamentais e nos Jogos de Roma 1960, Wanda dos Santos representou o Brasil no atletismo. 

Aída dos Santos foi a brasileira a ficar em melhor colocação, nos jogos olímpicos de 1964 em Tóquio, conseguindo o quarto lugar no salto em altura. Nesta edição, Aída era a única mulher da delegação brasileira e também a única mulher de atletismo. Foi a primeira mulher brasileira a disputar uma final olímpica do atletismo. Aída disputou também a olimpíada seguinte, realizada na Cidade do México, ficando em 20º no pentatlo. 

Vinte anos se passaram até chegar às olimpíadas de Seul em 1988 a ginasta brasileira Luisa Parente. Luísa participou de duas olimpíadas representando o Brasil e apesar de não ter recebido medalhas, teve uma participação de destaque nos jogos. 

Medalhas de todas as cores 

As primeiras medalhas femininas vieram em todas as cores nas olimpíadas de Atlanta de 1996. Todas foram medalhas em esportes de duplas ou coletivos. Ouro no vôlei de Praia para Jacqueline e Sandra Pires numa final brasileira que deixou a prata com Adriana Samuel e Monica Rodrigues. Prata para o memorável time de basquete feminino que contou com a presença de nomes como “Magic” Paula, Hortência e Janeth, e bronze para o também histórico time de vôlei feminino de Ana Moser, Márcia Fu, Leila, Fernanda Venturini, Virna dentre outras estrelas. 

Maurren Maggi
Maurren Maggi Pequim (Wander Roberto/ Acervo COB )

Já a primeira medalha individual feminina foi no judô, com Kleyten Quadros, que ganhou bronze no jogos de Pequim em 2008. E foi também nesta olimpíada que Maurren Maggi consagrou o primeiro ouro olímpico feminino para o Brasil no salto em distância . Para as mulheres, as olimpíadas de 2008 foram realmente decisivas. Além destas medalhas, as equipes femininas também ganharam de forma inédita o ouro no vôlei e a prata no futebol, com o time que consagrou Marta como a melhor jogadora de futebol do mundo. Fernanda Oliveira e Isabel Swan também ganharam bronze na vela, modalidade que o Brasil mais ganhou medalhas até hoje, e Natália Falavigna ganhou bronze no Taekwondo. As mulheres foram, portanto, responsáveis por duas das três medalhas de ouro em Pequim e seis das 15 medalhas totais.

 

Sarah Menezes come brigadeiro
Com a medalha de ouro e um prato de brigadeiro, presente do COB aos medalhistas brasileiros, Sarah Menezes conhece a Casa Brasil, em Londres (Foto: Moreno Bastos)

Na atual Olimpíada de Londres, já se pode dizer que as mulheres iniciaram bem a abertura do quadro de medalhas com a emocionante vitória da judoca Sarah Menezes e com a também inédita medalha de ouro feminina do Brasil na modalidade. Esperanças ainda sobram para todas as mulheres que ainda se mantêm na competição como Maurren Maggi e Fabiana Murer. 

 
*Com informações do Wikpédia, COB, COI e site oficial do Ministério do Esporte

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