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Sete em cada dez mulheres africanas não têm acesso a banheiro

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Sete em cada dez mulheres africanas não têm acesso a banheiro

Criado em 19/11/12 10h37 e atualizado em 19/11/12 13h27
Por Agência Lusa

Higiene
Sete em cada dez mulheres africanas não têm acesso a banheiro (Kheel Center, Cornell University/Creative Commons)

Sete em cada dez mulheres na África Subsaariana não têm acesso a um banheiro seguro, o que ameaça a saúde e as expõe à vergonha e à violência, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (19). Promovido pela organização internacional WaterAid, baseada no Rio Unido, o Dia Mundial do Banheiro é comemorado hoje.

O Estudo da WaterAid revela que 297 milhões de mulheres africanas não têm acesso a instalações sanitárias adequadas e, entre estas, 107 milhões não têm acesso a qualquer banheiro. O estudo cita, entre outros, o testemunho de Sandimhia Renato, de 18 anos, uma moçambicana que caminha todos os dias 15 minutos para ir até o meio de arbustos.

“Por vezes espero até ficar escuro para lá ir de modo que ninguém possa ver-me. Ficarei muito preocupada com o fato da Diani, a minha filha, ir até aos arbustos porque ficam muito longe daqui. Durante a noite é muito perigoso. As pessoas são mortas. Uma mulher que conheço foi violentada", testemunhou Sandimhia.

Uma pesquisa realizada pela WaterAid entre mulheres que vivem em cinco bairros degradados em Lagos, na Nigéria, demonstrou ainda que uma em cada cinco mulheres teve uma experiência de assédio verbal e intimidação ou foi ameaçada e fisicamente molestada no último ano durante uma ida ao banheiro.

Investigações semelhantes promovidas em países como Uganda ou  Quênia mostram que "as experiências de receio, indignidade e violência são comuns na África, nas regiões em que as mulheres não têm acesso a instalações sanitárias seguras e adequadas".

"Quando as mulheres não têm um lugar seguro e privado que possam utilizar como banheiro, ficam expostas e numa posição de vulnerabilidade e, quando fazem as suas necessidades a céu aberto, arriscam-se a ser alvo de assédio. As mulheres estão relutantes em falar acerca desta questão ou queixarem-se, mas o mundo não pode continuar a ignorar esta situação", defendeu Barbara Frost, presidente da WaterAid.

“Instalações sanitárias adequadas, em conjunto com o acesso a água limpa e segura para beber, transformam vidas, melhoram a saúde, a segurança e a produtividade. Os governos têm que tomar medidas e investir no acesso às instalações sanitárias e à água", acrescentou.

A WaterAid lembra que uma higiene deficiente tem implicações graves na saúde, adiantando que mais de mil mães africanas perdem diariamente um filho devido a doenças originadas pela falta de instalações sanitárias adequadas e de água limpa.

A falta de instalações sanitárias decentes também afeta a produtividade e os meios de subsistência porque as mulheres africanas gastam 20 bihões de horas por ano para encontrarem um lugar a céu aberto no qual possam satisfazer as suas necessidades, de acordo com os números da WaterAid.

Para assinalar o Dia Mundial do Banheiro, a WaterAid lançou também um novo filme que pretende mostrar como seria se as mulheres do mundo ocidental não tivessem acesso a instalações sanitárias adequadas.

A WaterAid é uma organização internacional presente em 27 países da África, Ásia e região do Pacífico, que promove o acesso a água potável e a instalações sanitárias.

Creative Commons - CC BY 3.0
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