Entenda a imigração no Brasil no séc. XXI

Portal EBC - Textos de Vladimir Platonow e Renata Giraldi 06.11.2012 - 17h16 | Atualizado em 06.11.2012 - 17h57

Quase 1,5 milhão de estrangeiros vivem regularmente no Brasil. (Foto: Bernardo Medeiros)

O tema da redação do Enem deste ano, “O Movimento Imigratório para o Brasil no Século 21”, mostra uma realidade que os brasileiros começam a perceber no seu dia-a-dia, principalmente nas grandes cidades: está aumentando o número de imigrantes que chegam por aqui.

Haitianos e bolivianos, vindos da América Latina, espanhóis e franceses da Europa e norte-americanos, dos Estados Unidos, são alguns dos exemplos de cidadãos que nos últimos anos vêm tentando se manter no Brasil.

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De acordo com o Ministério da Justiça, em 2010 eram 961 mil estrangeiros vivendo regularmente no país, número que aumentou para 1,466 milhão no ano passado. Para completar, o número de brasileiros vivendo em outros países também diminuiu sensivelmente, de 4 milhões, em 2004, para 2 milhões, atualmente.

Segundo dados do Conselho Nacional de Imigração, ligado à pasta, em 2011 o Brasil concedeu 70.524 vistos de trabalho para estrangeiros. O número representa um aumento de 22% em relação a 2010. A maioria desses profissionais é do setor de petróleo e gás e da área de engenharia, segundo o presidente do conselho, Paulo Sérgio de Almeida.

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A crise internacional, que atingiu principalmente os países da zona do euro, aumentou a procura de europeus pela América Latina e pelo Caribe. A conclusão está em um estudo da Organização Internacional de Migrações (OIM). O documento revela que 107 mil europeus deixaram o continente, no período de 2008 a 2009.

Segundo o relatório, a migração envolve inclusive as pessoas com dupla nacionalidade. A maioria dos europeus procura o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o México. Os principais países de origem são a Espanha (47.701), Alemanha (20.926), Holanda (17.168) e Itália (15.701).

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O programa “Brasilianas.Org”, da TV Brasil, debateu como a criação de um ambiente de tolerância e democracia ajudou na construção de civilizações, como os Estados Unidos, e como a experiência brasileira se relaciona com isso. Assista ao programa!


Para organizar o fluxo migratório, o governo federal enviou ao Congresso Nacional uma proposta de modernização do Estatuto do Estrangeiro, editado em 1980, que será ampliado para se tornar uma nova Lei de Migração.

O presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida, disse que o objetivo do governo brasileiro é integrar da melhor forma possível os imigrantes, por meio da inclusão regular no mercado de trabalho e na garantia de acesso aos serviços básicos de saúde, educação e assistência social.

“Nós temos uma legislação ainda dos anos 80, que foi construída na época pré-democracia, focada na antiga doutrina de segurança nacional. Agora estamos construindo uma nova legislação, com foco nos interesses do Brasil moderno. Para que o imigrante, ao vir para cá, possa se desenvolver e contribuir para o nosso país. Os direitos humanos são o eixo central desta nova visão da política migratória brasileira”, explicou Paulo Sérgio.

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