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Assassinatos de civis e policiais aterrorizam São Paulo

Criado em 12/12/12 20h08 e atualizado em 21/12/12 19h07
Por Sueli de Freitas Fonte:Agência Brasil

Violência - marca de tiro no vidro
Assassinatos assustaram o Brasil (Ulisses Barbosa/Creative Commons)

 

A onda de violência que assolou a Grande São Paulo, com bifurcações do crime para o interior paulista  e para estado de Santa Catarina, marcou o ano de 2012, especialmente no segundo semestre. O número de casos de homicídio praticamente dobrou na capital paulista em outubro em comparação ao mesmo mês do ano passado, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Foram 78 crimes com mortes em outubro de 2011, contra 150 registrados em 2012, um crescimento de 92%. Em relação ao número de vítimas, o aumento foi ainda mais expressivo: 114%, com 176 pessoas assassinadas em outubro de 2012, contra 82 em 2011. Mortes e ônibus queimados  tornaram-se rotina na capital paulista. Analistas apontaram como causa principal da violência uma guerra entre a Polícia Militar e a facção criminosa que atua nos presídios paulistas.

Apesar do medo que tomou conta de São Paulo, o  governador do Estado, Geraldo Alckmin, relativizou o aumento dos índices de violência, alegando que a taxa ainda está dentro da média nacional e dos padrões pregados pela Organização Mundial de Saúde. O ministro da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, chegou a comparar o número de mortos na onda de violência vivida em São Paulo ao do conflito entre israelenses e palestinos, na Faixa de Gaza. Em meio aos assassinatos, o secretário de Segurança, Antonio Ferreira Pinto foi substituído pelo ex-procurador-geral do Estado Fernando Grella. Também foram substituídos os comandantes das polícias Civil e Militar.

A indignação com a crescente violência aumentou quando veio à tona a informação de que pelo menos uma vítima de homicídio na capital paulista teve sua ficha de antecedentes criminais verificada pelo sistema da polícia pouco antes do crime, levantando a suspeita de crime planejado. 

Para conter a onda violência, os governos federal e de São Paulo decidiram pela criação de uma agência integrada de inteligência com o objetivo de unir os serviços de informação estadual e federal, para orientar a ação de combate ao crime por parte da polícia paulista. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, firmaram um termo de cooperação para formalizar ações de combate à violência. Dentre as ações propostas pela parceria, está o chamado “asfixiamento financeiro” das organizações criminosas, impedindo o fluxo de capital que abastece o crime organizado.  Promotores de São Paulo pediram a transferência de líderes de organização criminosa para presídios federais . Investigações apontaram que as ordens que resultaram nos primeiros assassinatos de policiais militares no Estado vieram de membros de organizações criminosas que atuam dentro e fora dos presídios.

Movimentos sociais fizeram protestos no Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro) pedindo um basta nos homicídios praticados por policiais, principalmente contra a população pobre e negra moradora de bairros periféricos.  O movimento Mães de Maio lançou o livro "Mães de Maio, Mães do Cárcere, A Periferia Grita”. Na avaliação da organização não governamental (ONG) Anistia Internacional as autoridades de São Paulo falharam na tentativa de garantir a segurança pública e punir abusos a direitos humanos cometidos por agentes públicos. A Anistia Internacional também condenou os ataques contra policiais, que resultaram na morte de  militares e parentes. 


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