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Aedes aegypti também é transmissor do Zika Vírus

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Saiba quais são os mitos e verdades sobre o vírus Zika

Criado em 22/12/15 09h59 e atualizado em 19/02/16 17h22
Por Adriana Franzin e Fernanda Duarte Edição:Ana Elisa Santana

Erupções na pele, dor de cabeça, no corpo e nas articulações, vermelhidão nos olhos, náuseas, fotofobia e coceira intensa na pele. Os sintomas são parecidos com os da dengue e da chikungunya, mas as consequências da infecção pelo vírus Zika são bem mais críticas.

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Zika vírus
Creative Commons - CC BY 3.0 - O vírus Zika visto ao microscópio         (Foto: Divulgação/CDC) 

Apesar de ter uma evolução branda, com sintomas que duram em média de dois a sete dias, a febre zika pode estar associada à microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas durante a gestação – e que trazem deficiências variadas. O vírus pode também ter relação com o crescente número de casos da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune que acomete o sistema nervoso) nas áreas afetadas pela epidemia.

Apesar de o vírus ter sido identificado em 1947, o primeiro grande surto de zika foi registrado em 2007, na ilha de Yap, na Micronésia, e chegou ao Brasil no ano passado. Por causa disso, muito pouco se sabe a respeito da doença, abrindo margem para que muitas informações sem embasamento científico se espalhem.

Veja aqui o que é verdade e o que é mito acerca da febre zika:

Você pode ter sido contaminado pelo Zika e não saber?

Microcefalia no Nordeste foi causada pela vacina contra rubéola?

A microcefalia pode ser causada pela água contaminada pelo larvicida Pyriproxyfen?

Quem pega zika uma vez não corre risco de se contaminar novamente?

A amamentação deve ser suspensa no caso de risco de zika?

O vírus Zika pode ser transmitido pelo sêmen durante o ato sexual?

Repelentes são a forma mais eficiente de evitar a contaminação pelo Zika?

Nem todos os repelentes são seguros para gestantes? 

O mosquito da febre zika só pica de dia?

Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, também hospeda o Zika Virus
Creative Commons - CC BY 3.0 - Além da dengue, febre amarela e chikungunya, o Aedes aegypti também trasmite o vírus Zika 

 

Você pode ter sido contaminado pelo Zika e não saber? VERDADE

Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, acredita-se que cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika não manifestam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram. 

Microcefalia no Nordeste foi causada pela vacina contra rubéola? MITO

De acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, até 12 de dezembro deste ano foram registrados 2.401 casos da doença e 29 óbitos. Esses casos estão distribuídos em 549 municípios de 20 Unidades da Federação. A microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça é desproporcionalmente menor que o corpo. O crânio não se desenvolve corretamente, porque o tecido cerebral não cresce. Isso faz com que, dependendo da área do cérebro afetada, a criança tenha dificuldades de locomoção, desenvolvimento cognitivo, deglutição, audição, dentre outras. Apesar de ter relação com outras doenças, como rubéola, infecções por citomegalovírus, toxoplasmose e uso de drogas na gestação, por exemplo, a vacina não é responsável pelo surto atual. Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas do calendário nacional são seguras. Em nota, a Sociedade de Pediatria de São Paulo esclarece que a vacina nunca é aplicada durante a gestação e que ela é produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as doenças. 

A microcefalia pode ser causada pela água contaminada pelo larvicida Pyriproxyfen? MITO

De acordo com o Ministério da Saúde, a hipótese levantada pela organização médica argentina "Physicians in the Crop-Sprayed Towns" (médicos nas cidades com colheita pulverizada, em tradução livre), que tentava explicar a concentração de casos de microcefalia na região Nordeste do país e que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, não se baseia em nenhum estudo científico que mostre a associação entre o larvicida e o risco de microcefalia, mas na interpretação de um relatório em que a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) critica as políticas de saúde pública e a estratégia nacional de controle do mosquito Aedes Aegypti. Nesse documento, a associação cita o uso de larvicidas na água que abastece a população dessas áreas entre outros tópicos que caracterizam o contexto da epidemia de zika, mas sem apontar que o produto está diretamente ligado à ocorrência dos casos de microcefalia. Para o Ministério da Saúde, a hipótese não tem consistência, uma vez que a suposta teoria não explica o registro de casos de microcefalia em localidades que não usam o produto. Além disso, o órgão ressaltou que pyriproxifen está entre os produtos aprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e também possui certificação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que avalia a segurança do larvicida no Brasil, e que somente recomenda a utilização de larvicidas em situações especiais, onde há necessidade de armazenamento de água e os depósitos não podem ser protegidos fisicamente.

A própria Abrasco negou ter relacionado larvicida Pyriproxifen a casos de microcefalia e a prefeitura de Recife, um dos locais com maior ocorrência dos casos de microcefalia, afirmou não fazer uso do produto.

Quem pega zika uma vez não corre risco de se contaminar novamente? NEM MITO, NEM VERDADE

Os casos de infecções sucessivas e de coinfecção por doenças causadas pelo Aedes Aegypti, como dengue e chikungunya, são possíveis, desde que causados por vírus diferentes. Ainda não se sabe como isso acontece no caso da febre zika. "Não temos como medir as consequências da coinfeccção ou de infecções sucessivas pelos três vírus em um paciente", afirma Claudia Nunes, chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná), para quem é necessário uma investigação profunda, buscando esclarecer os aspectos clínicos e adequar o tratamento.

A amamentação deve ser suspensa no caso de risco de zika? MITO

Amamentação
Creative Commons - CC BY 3.0 - Mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas afetadas pelo vírus Zika. Transmissão da doença por meio do leite materno é rara

 

Na Polinésia Francesa (onde houve surto de zika em 2013), médicos encontraram partículas do vírus no leite materno. Mas ainda não se sabe se existe transmissão para o bebê porque nem todo vírus encontrado no leite é transmitido. Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo, a transmissão raramente ocorre de mãe para filho pela amamentação. Ainda de acordo com esse documento, “até agora, não há relatos de crianças infectadas pelo zika vírus através da amamentação. Pelos benefícios do aleitamento, mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas onde o vírus Zika for encontrado”.

 

O vírus Zika pode ser transmitido pelo sêmen durante o ato sexual? PODE SER VERDADE

Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC, na sigla em inglês), admite a existência de dois casos de transmissão sexual em que homens infectados e com sintomas de febre zika passaram a doença para seus parceiros sexuais. Além disso, verificou-se que o vírus Zika fica presente no esperma mais tempo do que no sangue. Os estudos, no entanto, ainda não são conclusivos a esse respeito. A adoção do preservativo para a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e agora contra a zika deve ser tratada com seriedade pela população.

Repelentes são a forma mais eficiente de evitar a contaminação pelo Zika? MITO

O uso do repelente como único método de prevenção não garante que o mosquito Aedes aegypti ficará longe. Inclusive, nenhum dos dez repelentes testados pelo Proteste com as marcas mais comuns vendidas no Brasil foi aprovado. Uma das principais ações contra o mosquito, segundo o Ministério da Saúde, é a conscientização da população sobre o seu papel de eliminar locais nos quais o Aedes aegypti pode se reproduzir, como vasos de plantas, lixo e garrafas pet abandonadas. Além disso, recomenda-se o uso de roupas que cubram a superfície do corpo, em especial as extremidades e áreas de pele mais fina, como tornozelos, pés, punhos e mãos. 

Nem todos os repelentes são seguros para gestantes? VERDADE

Apenas repelentes à base de DEET, IR3535 e Icaridina são considerados seguros para uso durante a gestação, de acordo com o Ministério da Saúde.

O mosquito da febre zika só pica de dia? MITO

O Aedes aegypti é um mosquito de hábitos predominantemente diurnos, mas não é impossível que ele pique durante a noite. Essa espécie vem se adaptando rapidamente ao ambiente urbano e doméstico. Por isso, a recomendação é destruir os criadouros do mosquito.

Sempre verifique informações recebidas em fontes confiáveis como os portais do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS), do CDC dos EUA ou do Centro de Controle de Doenças Europeu.

Creative Commons - CC BY 3.0

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