Protesto Guarani na Esplanada

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Abaixo-assinado mobiliza internautas pela causa dos índios Guaranis Kaiowás

Criado em 24/10/12 13h22 e atualizado em 24/10/12 15h09
Por Davi de Castro Fonte:EBC

Guarani Kaiowá
Indígenas suspeitam que ataques possam ter sido de fazendeiros da região. (Foto: Wilson Dias / ABr)

Um abaixo-assinado [2] divulgado na internet tem sensibilizado internautas a favor dos índios Guaranis Kaiowás, do Mato Grosso do Sul. Até o começo da tarde da quarta-feira (24), mais de 140 mil pessoas haviam assinado o documento, que alerta o "sério risco de  genocídio" da etnia e exige ação urgente do governo Dilma e do governador André Puccinelli "para que impeçam as matanças e junto com elas a extinção desse povo".

O documento que recolhe as assinaturas apresenta também uma carta de socorro da comunidade indígena. O relato denuncia a morte de integrantes da comunidade e o desamparo assistencial. "Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo que 2 morreram por meio de suicídio, 2 em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas". Profundamente afetados pela perda de boa parte de seu território, os indígenas declaram: "já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira."

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou nota [3] negando a interpretação dada por veículos noticiosos e comentários em redes sociais de que a carta de socorro indicasse a intenção dos indígenas de realizar um "suicídio coletivo". Segundo a entidade, trata-se da manifestação de resistência. "Eles falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandoná-las", diz a nota.

A carta dos indígenas foi divulgada após a Justiça Federal determinar a saída de cerca de 30 famílias da etnia Guarani Kaiowá da aldeia Passo Piraju [4], onde viviam há dez anos em Porto Cambira, em Mato Grosso do Sul. A região é disputada por índios e fazendeiros. Em 2002, acordo mediado pelo Ministério Público Federal (MPF) em Dourados destinou 40 hectares da fazenda para a etnia. Porém, o proprietário da área recorreu à Justiça.

Protesto Guarani na Esplanada
Cruzes no gramado da Esplanada dos Ministérios simbolizam índios mortos e ameaçados (Wilson Dias/ABr)

Segundo o Cimi, foram assassinados no país 503 índios entre 2003 e 2011. Do total, mais da metade, 279 são do povo Guarani Kaiowá. Na última sexta-feira (19), cinco mil cruzes foram colocadas no gramado da Esplanada dos Ministérios, próximo ao Congresso Nacional, simbolizando os índios mortos e ameaçados, especialmente os Guaranis Kaiowás, que, de acordo com os organizadores do protesto, é a etnia que mais sofre com a violência fundiária. A manifestação foi organizada por comunidades indígenas e entidades de defesa e também reivindicou a homologação e demarcação das terras.

Veja reportagem do Outro Olhar sobre os Guaranis Kaiowás:

 

Entenda:

Em protesto, índios cobrem gramado da Esplanada dos Ministérios com cruzes [4]

Justiça determina saída de guaranis kaiowás de área em Mato Grosso do Sul [4]

Ministério Público vai catalogar documentos que comprovem expulsão de índios no MS [5]

Funai não consegue intermediar conflito em MS por falta de acompanhamento policial [6]

Índios ocupam fazenda no MS e cobram conclusão de processo demarcatório [7]

Comunidade Guarani Kaiowá é novamente atacada a tiros no MS [8]

Creative Commons - CC BY 3.0

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