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Universidades devem rever governança para atingir excelência, dizem especialistas

Criado em 16/07/15 14h13 e atualizado em 16/07/15 14h20
Por Elton Alisson Edição:Agência Brasil Fonte:

As universidades públicas de pesquisa no Brasil evoluíram muito nas últimas décadas em termos de aumento da qualidade e da quantidade de produção científica, inserção internacional, relação entre ensino e pesquisa e interação com empresas.

Para atingirem a excelência internacional, contudo, as instituições de ensino e pesquisa brasileiras precisam superar uma série de desafios relacionados à governança institucional.

A avaliação foi feita por participantes de uma mesa-redonda sobre novos padrões de governança e institucionalidade da universidade pública realizada na última terça-feira (14/07) durante a 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Aberta no domingo (12/07), a reunião ocorre até o próximo sábado (18/07), no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, para ter universidades de excelência, é preciso que o país queira ter universidades excelentes mundialmente, e não uma série de universidades, todas iguais e com um padrão mediano.

“Talvez seja possível ter, no máximo, entre cinco e sete universidades de excelência mundial no Brasil, e com muito esforço e se o cenário econômico do país melhorar, talvez até dez, porque são necessários recursos financeiros e pessoas qualificadas que saibam como fazê-las funcionar”, ressaltou Brito Cruz.

De acordo com ele, algumas universidades públicas de pesquisa no Brasil – como as universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp) e Estadual Paulista (Unesp) – já são vistas como competitivas internacionalmente, apresentam um nível de interação com empresas comparável ao das 20 universidades norte-americanas que mais fazem parcerias com empresas para realizar pesquisas, e têm autonomia para administrar seus orçamentos.

Por outro lado, o conjunto das universidades públicas de pesquisa brasileiras enfrentam desafios como o baixo impacto internacional de suas pesquisas – medido pelo número de citações dos artigos científicos que publicam por pesquisadores de outros países – além do corporativismo, baixa estabilidade de financiamento e falta de adoção de parâmetros internacionais, ponderou.

“Há uma tendência de as universidades públicas de pesquisa no Brasil olharem muito mais para si e pouco para fora e uma certa relutância em adotar referenciais acadêmicos que sejam mais universais”, avaliou Brito Cruz.

“Em vez de pensar em ser a melhor de suas regiões, é preciso que se planejem para ser melhores internacionalmente, olhando o mundo como referencial de qualidade”, apontou.

Experiência internacional

A fim de criar universidades públicas de pesquisa de excelência no Brasil é preciso estudar e avaliar a experiência internacional, indicaram os participantes do encontro.

Nos últimos anos, países como França, Alemanha, China, Cingapura e do Reino Unido implementaram iniciativas governamentais para estimular e possibilitar que algumas de suas universidades consigam conquistar melhores posições nos rankings das melhores universidades de pesquisa mundiais.

Na França, por exemplo, universidades estão se juntando porque chegaram à conclusão de que tinham universidades demais, sendo cada uma delas dedicada a uma determinada área do conhecimento e nenhuma com força suficiente para figurar entre as melhores instituições internacionais, exemplificou Brito Cruz.

“Algumas universidades francesas estão se unindo para se tornarem instituições mais poderosas e o governo francês está dando os meios e facilitando esse processo. Mas, para isso, elas têm que concorrer pelos recursos, apresentando um plano e mostrando que são capazes de atingir a meta de se tornarem universidades de pesquisa de excelência mundial”, contou.

Segundo ele, todas as iniciativas internacionais recentes para criação de universidades de excelência mundial destacam a necessidade de haver um equilíbrio entre as atividades de pesquisa e ensino nas instituições.

“Os países que vêm implementando essas iniciativas não querem que suas universidades se transformem em institutos de pesquisa de primeira categoria e que abandonem o ensino e a formação de seus estudantes, que é uma das missões das universidades”, afirmou.

Ainda de acordo com Brito Cruz, outros pontos destacados nas iniciativas internacionais para fazer com que as universidades de pesquisa atinjam a excelência mundial são: desenvolver infraestrutura institucional para apoiar o ensino e a pós-graduação e terem autonomia pedagógica, financeira e de gestão – inclusive para contratação de recursos humanos.

Além disso, é necessário que essas instituições tenham recursos estáveis em um prazo razoavelmente longo e iniciativas para alavancar a pós-graduação e a pesquisa conectando-as, ao mesmo tempo, com a graduação.

“Talvez o Brasil possa ter universidades excelentes internacionalmente um pouco mais depressa do que estamos fazendo hoje se for feito um acordo entre o governo federal e os estaduais para elaborar um plano nacional que permita fazer com que algumas universidades públicas de pesquisa brasileiras estejam entre as 20 melhores no mundo em uma prazo de dez anos, por exemplo”, sugeriu Brito Cruz.

Avanços

Na opinião de Jailson Bittencourt de Andrade, da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), nos últimos anos começaram a ser formadas estruturas de pesquisa no país que já adotam padrões de excelência internacionais, como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs).

Mas é preciso que os padrões de governança adotados por esses 126 institutos de pesquisa espalhados pelo país – financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com apoio das Fundações de Amparo à Pesquisa estaduais, como a FAPESP –, sejam introjetados nas universidades públicas de pesquisa brasileiras.

“É preciso fazer uma mudança radical nas nossas universidades, que inclui mudanças nos currículos, eliminar o corporativismo e um redesenho de suas formas de organização”, avaliou.

Para o diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), Abilio Afonso Baeta Neves, os desafios das universidades públicas brasileiras são semelhantes aos da comunidade internacional.

O problema, entretanto, é que não está ocorrendo uma reflexão sobre esses problemas no país que culminem na elaboração de uma política de transformação para criação de uma nova universidade no Brasil, ponderou.

“Estamos dando sinalizações contraditórias e tomando ações que punem a interdisciplinaridade e a criatividade. Está faltando um política de ensino superior para o país”, avaliou.

Também participou da mesa-redonda Luiz Roberto Liza Cury, do Conselho Nacional de Educação (CNE) do Ministério da Educação (MEC).

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