TV Pública
A TV
Pública é uma aspiração histórica
de segmentos da sociedade brasileira preocupados com a pluralidade e
a democratização do acesso à informação.
O rádio surgiu no Brasil por iniciativa do Estado e cumpriu um
importante papel na integração nacional. A primeira
emissora pública, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro,
hoje parte da EBC, desbravou as ondas do rádio em nosso país.
A
televisão surgiu de um esforço da iniciativa
empresarial, consolidou-se como TV comercial e também prestou
importante contribuição à modernização
e à integração do país. Mas por sua
própria natureza – financiada pela publicidade e, em
conseqüência, orientada pela lógica da busca da
audiência – não abriga, em sua programação,
conteúdos destinados exclusivamente à difusão
cultural e à formação da cidadania.
Algumas
iniciativas isoladas resultaram em experiências pioneiras, como
a TV Cultura de São Paulo, que, embora atenda aos requisitos
básicos de uma televisão pública, foi sempre um
canal estadual. A emissora paulista contribuiu decisivamente para a
oferta gratuita de sua programação e a qualificação
de canais educativos ou culturais que também foram
implantados, quase todos durante o regime militar (1964-1985), em
diferentes estados da federação. Essas emissoras, em
sua maioria, são controladas por governos estaduais e têm
condições diferenciadas de produção e
reflexão das realidades regionais em que estão
inseridas. Apesar do sonho de uma rede pública, nunca chegaram
a se constituir como tal.
Também
instituída pelo regime militar, a Radiobrás sempre
funcionou como uma empresa de comunicação
governamental, gerindo emissoras de rádio e a TV Nacional. Ela
não possuía o estatuto da independência que deve
caracterizar os canais públicos, ainda que, em alguns
momentos, seus dirigentes tenham se empenhado em lhe dar a feição
de empresa de comunicação pública.
Na
Constituinte de 1988, as articulações do campo
democrático pela instituição de uma TV Pública
resultaram, embora as pretensões fossem mais imediatistas, na
aprovação do artigo 223, que prevê a
complementaridade entre os sistemas estatal, público e
privado. Passaram-se, entretanto, 20 anos sem que tal
complementaridade fosse observada. Foi para cumprir este dispositivo
constitucional que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
propôs a criação da EBC, transferindo à
empresa a gestão dos quatro canais federais que hoje compõem
a TV Brasil, cujas transmissões, com programação
unificada, tiveram início em 2 de dezembro de 2007.
A
TV Brasil busca oferecer ao telespectador programação
diferenciada e privilegia conteúdos nacionais e regionais em
suas diferentes faixas: infantil, jornalismo, documentários,
debates, programas culturais e entretenimento. A programação
inclui conteúdos próprios, co-produções,
contribuições da produção independente e
da produção regional.
A
produção audiovisual independente é uma parceira
importante da TV Brasil, contribuindo, com seus conteúdos,
para a expressão da diversidade cultural e da pluralidade de
pensamento e de olhares sobre a realidade nacional. Ao abrir espaços
aos independentes, a TV Brasil quer também viabilizar as
políticas de fomento cultural e para o incremento e
organização econômica deste segmento nas
diferentes regiões do Brasil.
Da
mesma forma, abriga em sua grade contribuições das
emissoras estaduais do campo público, com as quais vem
construindo a rede pública de televisão, buscando
estimular a produção regional e a organização
de pólos alternativos de produção audiovisual e
jornalística. Essa estratégia é fundamental para
a construção da identidade e a expressão das
singularidades que compõe um país tão vasto e
diversificado como o nosso.
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