Debate sobre cenário convergente encerra Seminário de Comunicação de Mídias Públicas
O jornalista e produtor de televisão, Nelson Hoineff, afirmou nesta sexta-feira, ao participar do Seminário Internacional de Mídias Públicas, que a televisão pública “deve estar na vanguarda da construção do conteúdo no século XXI”.Ele acrescentou ainda que a internet lança desafios para a televisão. Hoineff informou que a internet em alta velocidade atinge 3,7 milhões de pessoas no Brasil e vem crescendo consideravelmente comparado aos anos anteriores.
No mesmo painel, a colombiana Adelaida Trujillo, representante da Citurna Producciones e Iniciativa de Comunicacion, falou sobre o contexto da produção de conteúdo infantil em seu país. “Precisamos trabalhar com inclusão nas escolas. Precisamos ver como vamos trabalhar de maneira interativa”, enfatizou.
Os desafios que a comunicação, não apenas a pública como a privada, estão enfrentando com as inovações tecnológicas e as novas mídias sociais foram objeto de debate ao longo do seminário. Esses desafios não se limitam ao Brasil, mas a todos os países, mesmo aqueles que já têm tradição e sistemas de radiodifusão pública bem sucedidos.
A ombudsman norte-americana Alicia Shepard informou que a internet foi o meio de comunicação que chegou mais rápido aos lares americanos, em sete anos. Enquanto a eletricidade demorou 38 anos. Ela comentou sobre a necessidade de se ter um ombudsman nas emissoras públicas e falou de sua experiência no cargo.
“O ombudsman dá credibilidade a uma organização de notícias, desde que a pessoa seja independente e não possa ser demitida por criticar organização. O ombudsman não é uma bala mágica, mas oferece diversas funções positivas. Na área de noticias, nós vivemos ou morremos por causa da nossa reputação. O ombudsman deve ser independente e fazer perguntas aos editores e jornalistas, dando-lhes oportunidade de pensar sobre o que estão fazendo e por que estão fazendo”, prosseguiu.
A argentina Florencia Ripani disse, por sua vez, que a convergência de mídias está ligada a um processo histórico e social. “Há que se levar em conta a região quando se fala de convergência”, afirmou. A convergência digital surge na cultura digital, cujo desejo se baseia na comunicação recíproca, no desejo de estar conectado, na inteligência coletiva. A convergência não é só uma mudança tecnológica, mas também cultural. Ela atravessa todos os meios de comunicação, todos os paradigmas culturais e de narrativas.Além de ter acesso, é preciso apropriar-se da tecnologia e saber utiliza-la. Mandar uma mensagem para o Twitter é uma forma simples e reducionista de pensar interatividade”, concluiu.