Paulinho da Viola emociona plateia no auditório da Rádio Nacional no Rio de Janeiro
Na sexta-feira, 24 de fevereiro, Paulinho da Viola passou duas horas no histórico auditório da Rádio Nacional, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, relembrando histórias do pai, o chorão César Faria que, se estivesse vivo, faria 93 anos naquela data. Fundador do conjunto Época de Ouro, ao lado de Jacob do Bandolim e Dino Sete Cordas, César integrou o grupo até o ano de 2006, e se apresentava regularmente na Rádio Nacional.
A homenagem foi no programa “Época de Ouro”, que tem transmissão
ao vivo
,
das 17h às 19h,
às sextas-feiras, no auditório da emissora, com entrada franca. A apresentação é de Cristiano Menezes e participação do conjunto Época de Ouro, atualmente formado por Jorginho do Pandeiro (diretor musical), Jorge Filho (cavaquinho); Ronaldo do Bandolim; Antônio Rocha (flauta); Toni Sete Cordas e André Belieni (violão de seis cordas). O auditório, com lugares para 300 pessoas, recebeu o dobro, que faziam coro com Paulinho.
Gripado, Paulinho se desculpou pela voz mas cantou, contou e encantou a todos com belas histórias do mundo do samba e do choro. Não poderia faltar no repertório musical o histórico samba “
14 Anos
” que, segundo ele, não foi feito para César Faria, mas para todos os pais daquela época. “Tinha eu 14 anos de idade/quando meu pai me chamou/perguntou se eu queria/ estudar filosofia, medicina ou engenharia/ tinha eu que ser doutor/ mas a minha inspiração/ era ter um violão/ para me tornar sambista.”
Entre tantas histórias, Paulinho revelou que, quando menino, ficava sempre próximo a Jacob do Bandolim, observando, olhos nos olhos, o mestre afinar o instrumento. Até que um dia Jacob pediu que ele trocasse as cordas do bandolim. Para tanto, pedia sempre ao pai para ir às reuniões dos chorões:“posso ir?”, ao que César Faria respondia: “quem não toca, carrega.” E assim, o choro entrou em sua vida.
Paulinho da Viola ainda cantou “ Nova Ilusão ” e “ Pelas ruas que sonhei ”, com Nilze Carvalho, que fez uma participação surpresa. E os clássicos “ Dança da Solidão” , “ Pecado Capital ”, “ Coração leviano ” e “ Timoneiro” . Encerrou o programa dizendo estar muito emocionado com aquela homenagem a seu pai, e cantando “ Foi um rio que passou em minha vida ”.