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Especialistas discutem digitalização das frequências de rádio

29/05/2013
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18:55
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Takashi Tome afirma que digitalização possibilitará novos serviços (Marcello Casal / ABr) Takashi Tome afirma que digitalização possibilitará novos serviços (Valter Campanato / ABr)

Radialistas, jornalistas e profissionais do ramo da comunicação estiveram presentes nesta segunda-feira (27/05) no Seminário “Desafios da Digitalização das Rádios Públicas em Ondas Médias”. O evento faz parte das comemorações dos 55 anos da Rádio Nacional de Brasília, e aconteceu no Espaço Cultural da EBC, em Brasília.

Discutiu-se no seminário os testes de digitalização das transmissões em Ondas Médias, as inovações e melhoras que a digitalização pode trazer e impactar a vida das pessoas. Participaram o diretor-presidente da EBC, Nelson Breve, o diretor-geral de Conteúdo e Programação, Eduardo Castro; a coordenadora-geral de Avaliação de Outorgas do Ministério das Comunicações, Elza Fernandes, e o engenheiro e integrante da Câmara de Rádio do Conselho Curador da EBC, Takashi Tome. Também participou por meio de videoconferência o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), João Batista Abreu. O debate foi mediado pela gerente regional de Brasília das Rádios EBC, Tais Ladeira.

Elza Fernandes falou do panorama das Rádios AM no Brasil. Segundo ela, são 1.780 emissoras autorizadas a fazer transmissão em AM (Ondas Médias), que possuem menor qualidade áudio em relação a transmissão FM, mas possui maior alcance. O rádio tem perdido audiência nos últimos, em especial, as transmissões em AM em comparação com as emissoras FM. A digitalização melhoraria essa situação. Segundo Elza, o Ministério das Comunicações tem realizado testes com o sistema digital, cujos resultados mostraram melhorias na qualidade de áudio, mas a cobertura ainda apresenta restrições. Em breve serão realizados novos teste.

O professor João Batista destacou as características únicas das transmissões em Rádio no Brasil. Segundo ele, cerca de 94% da população brasileira têm acesso ao meio, perdendo apenas para a televisão. Ele chamou a atenção para a inclusão das rádios comunitárias no processo de digitalização, ressaltando que são milhares destas espalhadas pela país, com um poder de comunicação muito grande. “Se o processo de digitalização contempla as rádios AM, então também deve contemplar as emissoras comunitárias”, defendeu o pesquisador.

O engenheiro Takashi ressaltou que a transmissões analógicas ainda são muito importantes em regiões mais isoladas e que, por isso, não há planos no Brasil para, diferente da televisão, desligar o sinal analógico. Ele ressaltou que um dos pontos mais relevantes na digitalização do sinal, além da melhora da qualidade de áudio, é a possibilidade de novos serviços, como recebimento de textos e imagens nos aparelhos receptores.

Eduardo Castro também defendeu a importância da transmissão AM e falou do papel fundamental que as ondas médias têm fora das grandes cidades. “Eu tive o privilégio de ouvir o AM longe das cidades e saber o efeito que ele tem na vida das pessoas. O efeito que ele tinha lá na década de 90 e o efeito que ele ainda tem nos dias de hoje”, relatou.

Segundo ele, o AM fora das cidades é muito mais importante do que dentro delas, onde a faixa pode ser substituída pelo FM. “O FM pode fazer o papel do AM como já está provado ha alguns anos. Mas, para fora das cidades, o FM não substitui o AM. E quando você vai para mais longe ainda das cidades, entrando para dentro das floretas, é aí que você percebe que não tem substituição de jeito nenhum.”

O seminário contou com um momento para perguntas do público, quando participaram os presentes e os internautas que acompanharam o evento pelo Portal EBC.

Homenagem
Ao abrir o seminário, Nelson Breve fez um pedido de silêncio em homenagem à gerente da Rádio Nacional do Alto Solimões, Lana Micol, que foi assassinada no último domingo (28/05). “A Lana, que tão bem encarnou o espírito da comunicação pública no país, trabalha numa emissora que presta um dos mais relevantes serviços públicos de comunicação social, que é o contato de uma emissora da nossa língua com a realidade de uma região de tríplice fronteira, no Alto Solimões, em Tabatinga”, disse.

Mara Régia presta homenagem a Lana Micol (Marcello Casal / ABr) Mara Régia presta homenagem a Lana Micol ( Valter Campanato / ABr)


A apresentadora do programa Viva Maria, Mara Régia, também aproveitou a oportunidade para prestar sua homenagem.  “Queria muito que a tecnologia digital nos socorresse o quanto antes para que tivéssemos um sistema de alerta de emergência para poder ajudar, apoiar, e efetivamente salvar a vida de tantas mulheres vítimas do machismo e da violência, da crueldade e da barbárie” disse a apresentadora, emocionada.