A difícil arte de compor um título
O jornalismo impresso, nos tempos que antecederam o computador, tinha uma categoria de profissionais que se dedicavam a fazer os títulos das matérias dos jornais. Eram os tituladores, que lutavam com espaços às vezes exíguos para fazer a manchete, sem contar com mecanismos de engordar ou emagrecer as letras e os espaços entre elas. Fazer bons títulos era considerado uma arte, talvez muito mais pelo quebra-cabeça do que pelo resultado final. E o jornalismo coleciona muitas histórias desse trabalho que hoje, habituados às facilidades da informática, nós diríamos beirar o impossível. “Faça aí uma manchete de 2 linhas, com 13 toques em cada uma” - diziam os editores. E o jornalista datilografava 13 pontinhos para, na linha abaixo, começar o jogo de caça-palavras no tamanho certo. Hoje, fazer um título não exige esforço de adivinhação, porque as letras ganharam “elasticidade” no sistema “amigável” de edição. Então, o jornalista poderá dedicar-se apenas a ser criativo, atraente. Fazer bons títulos ainda é uma arte. E se o espaço é generoso, mais fácil ainda. Hoje, no portal, temos um exemplo do desperdício da oportunidade trazida pelas novas tecnologias, quando o espaço generoso foi preenchido com uma redundância de informação: “Dirceu e Delúbio deixam Papuda e são transferidos”. Com todo esse espaço e mais os recursos que se tem hoje, um jornalista titulador teria contado a história toda ali - ou pelo menos o lead . A Ouvidoria recomenda que os jovens jornalistas de web não abram mão da criatividade na hora de titular, mas acima de tudo não se deixem atrapalhar pelo excesso de espaço para compor um título. Construam suas próprias lendas, no bom sentido.
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