Alberto Dines entrevista Leonardo Padura no Observatório da Imprensa
Considerado um dos romancistas mais premiados da atualidade e estrela da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, o escritor Leonardo Padura é o convidado especial do Observatório da Imprensa desta terça (14), às 20h, na TV Brasil .
Na entrevista exclusiva ao apresentador Alberto Dines , o jornalista cubano aborda as relações entre seu país e os Estados Unidos, o mercado livreiro e a liberdade de imprensa. "Fazer previsões sobre Cuba não é um exercício recomendável", alerta Padura na conversa gravada na livraria Blooks, em São Paulo.
Mesmo vivendo em Cuba, ele denuncia o autoritarismo da ilha de Fidel em suas obras literárias. Padura ficou conhecido no Brasil por causa do livro " O Homem que amava os cachorros ", sobre a vida de Trotsky e de seu assassino, o espanhol Ramón Mercader.
Premiado em vários países por seus romances que misturam suspense e pesquisa histórica, o autor já vendeu mais de 50 mil livros só no Brasil com seu best-seller sobre o líder bolchevique. É o sucesso da vez.
Para ele, o universo das letras em seu país é uma dimensão que ainda permite uma postura mais destoante. "Em Cuba há uma opinião oficial que é a do governo e a do partido. Ela direciona os órgãos de imprensa fundamentais: a televisão e os jornais que circulam impressos. Mas há um espaço para o pensamento: a literatura por exemplo", avalia Padura.
Nos cinemas brasileiros, o jornalista estreou com o roteiro do filme " Retorno à Ítaca " e já foi anunciado o lançamento de sua nova obra, " Hereges ", pela editora Boitempo, em setembro deste ano. Nesta publicação, Padura se aventura pelo mundo judaico para discutir questões de livre arbítrio e ainda resgata o detetive Mario Conde, famoso em seus livros policiais.
O Observatório da Imprensa aproveita a oportunidade e discute as novas relações de Cuba com os Estados Unidos. Qual o impacto que a abertura econômica pode causar na sociedade e na liberdade individual? Hoje, a Comissão de Direitos Humanos de Cuba estima que ainda existam 60 presos políticos, mesmo que o governo negue este número. Dados e avaliações sobre o futuro da ilha são difíceis.
Padura ainda critica o mercado literário. Para ele, algumas obras têm uma repercussão aquém enquanto outras superior à esperada. "O mercado de livros é muito misterioso. Às vezes um grande livro com todas as condições para que os leitores gostem, não acontece. E às vezes um mau livro faz sucesso porque saiu um comentário", exemplifica.
Durante a conversa com Alberto Dines na TV Brasil, ele ainda reflete sobre a crise no jornalismo, um momento que considera muito triste. Para o profissional, a imprensa perdeu elementos essenciais da produção jornalística como qualidade, profundidade e análise. Ele defende ainda que a culpa desta situação não é dos jornalistas. Padura afirma que, em última instância, tal contexto prejudica o leitor, pois reduz a qualidade do conteúdo final que chega às suas mãos.
Serviço
Observatório da Imprensa – terça-feira (14), às 20h, na TV Brasil