Brasilianas.org aborda a necessidade de reforma no futebol brasileiro
O escândalo de corrupção na Fifa, envolvendo ex-dirigentes da CBF, pode reduzir a resistência às mudanças estruturais que o futebol brasileiro necessita? Para responder essa pergunta e discutir as regulações necessárias ao esporte, que é a paixão nacional, o Brasilianas.org, apresentado por Luis Nassif, recebe o professor do curso Gestão, Marketing e Direito no Esporte, Pedro Trengrouse, e um representante do movimento Bom Senso F.C, nesta segunda (8), às 20h, na TV Brasil.
Há pouco mais de uma semana o FBI prendeu, na Suíça, sete dirigentes da Fifa, incluindo três brasileiros, envolvidos em extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro. Os representantes regionais da federação cobravam propinas de empresas de marketing para garantir os direitos de transmissão e patrocínio dos torneios mais importantes. O inquérito, que seguirá sua execução nos próximos meses, envolve 14 réus que movimentaram, ilegalmente, mais de 150 milhões de dólares.
Um dos pivôs da investigação é o jornalista brasileiro e dono da empresa de marketing esportivo Traffic, José Hawilla, que fez um acordo de delação com o FBI para evitar a prisão imediata. O debate do programa Brasilianas.org não pretende voltar a discussão apenas para os mecanismos de pagamento de propinas, mas estender o assunto para um velho problema no futebol brasileiro, pautado pelo grupo Bom Senso F.C: a reforma no calendário anual de jogos e torneios no país, para trazer viabilidade econômica aos times e campeonatos estaduais.
Segundo a entidade, no atual modelo, dos 684 clubes profissionais 583 (85%) não têm calendário anual. Com isso, dos 20 mil atletas profissionais cerca de 16 mil recebem menos de dois salários mínimos e ficam desempregados durante seis meses do ano. Assim, desde 2014 o Bom Senso F.C propõe ajustar os campeonatos estaduais aos moldes da Copa do Mundo, por fase de grupos e de eliminatórias em jogos únicos. Pelo novo modelo, as Séries C e D do Campeonato Brasileiro seriam ampliadas e divididas em grupos regionais. Para comportar ainda mais clubes seria criada a Série E.
A mudança, defende o Bom Senso F.C, trará mais dinamismo com o aumento de possibilidades para os clubes avançarem nas séries. Mas, até hoje, a CBF se negou a mudar o tradicional calendário. Agora, com a credibilidade dessa instituição posta em xeque no escândalo desvendado pelo FBI, a pergunta que surge é se grupos organizados conseguirão avançar no diálogo sobre as mudanças necessárias no futebol brasileiro, com mais apoio popular.
O trabalho da justiça dos Estados Unidos ajudou o senador Romário Faria (PSB-RJ) a obter, recentemente, o número de assinaturas que precisava para abrir uma CPI que investigará a CBF.
O assunto não é novo no Congresso. Em 1998 duas CPIs, a do futebol e da CBF-Nike, foram instauradas na Câmara e no Senado, porém saíram inconclusas e sem nenhum indiciado. Na época dessas comissões, a gestão da CBF era de Ricardo Teixeira que foi preso há poucos dias na ação do FBI na Suíça.
Serviço:
Brasilianas.org – segunda-feira (8), às 20h, na TV Brasil.