Ver TV discute os direitos de transmissões esportivas na televisão
Ao conquistar altos índices de audiência, o futebol tornou-se um dos produtos mais disputados pelas emissoras de televisão em todo o mundo. No Brasil, clubes e federações dependem cada vez mais das emissoras para sobreviver. Direitos de transmissão e direitos de imagem - pagos pelas TVs - superam qualquer outro tipo de receita. Essa dependência e os recentes escândalos envolvendo o universo do futebol pautam o debate do programa Ver TV desta sexta (17), às 20h, na TV Brasil .
Para analisar o modelo atual de gestão das transmissões esportivas, o apresentador Lalo Leal recebe o repórter Luiz Carlos Azenha , um dos autores do livro "O lado sujo do futebol"; o jornalista Altamiro Borges , presidente do Barão de Itararé, centro de estudos da mídia alternativa; e o professor Marcos Vinícius Cardoso , do curso de pós-graduação em gestão esportiva da Universidade Nove de Julho.
Os convidados discutem o monopólio não apenas no futebol, mas também em outras esportes. Para o jornalista Luiz Carlos Azenha não há competição entre os canais. "O princípio de que você vai colocar as emissoras competindo, no Brasil ainda não foi estabelecido, enquanto que ele existe praticamente no mundo todo".
Altamiro Borges defende opinião semelhante. "O modelo existente hoje no Brasil é prejudicial para os clubes, para a concorrência, para o livre mercado entre as empresas, entre as próprias emissoras e é prejudicial principalmente para o torcedor", pontua.
Durante o programa, os especialistas concordaram que os modelos de transmissão internacionais são mais equilibrados e levam em consideração os mercados regionais. É o que acredita o professor Marcos Vinícius Cardoso. "Você deixaria que outros clubes possam aparecer na mídia e trabalhar com o patrocínio das suas próprias camisas. Você poderia vender patrocínio maior se tivesse mais visibilidade na televisão", sugere.
Segundo Luiz Carlos Azenha, a emissora líder negocia o Campeonato Brasileiro diretamente com as equipes. "Essa negociação direta da Globo com os clubes enfraquece muito os próprios clubes porque eles não fazem uma negociação coletiva, pois a ideia central da negociação dos direitos de televisão seria ter um campeonato equilibrado".
Para ele, os clubes poderiam formar times fortes se recebessem o mesmo valor. "Os direitos da televisão hoje distorcem completamente o futebol brasileiro porque não são divididos igualmente entre os clubes". Altamiro ratifica que a lógica é injusta. "Esse modelo de exclusividade é um modelo de monopólio".
Os torcedores também perdem com o padrão atual para os convidados deste Ver TV. "É mentira que a transmissão do futebol mata o público no estádio. Se tiver um campeonato equilibrado e interessante, você vai ter a renda da televisão e o estádio lotado", argumenta Luiz Carlos Azenha.
De acordo com o professor Marcos, essa afirmação é confirmada através de um trabalho acadêmico que analisou os índices de audiência e público nos estádios. "Os jogos importantes que são transmitidos geram mais público porque ele [o torcedor] não é o mesmo. O torcedor que gosta, que ama ir ao estádio, vai nos jogos importantes", avalia.
Serviço
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Ver TV – sexta-feira (17), às 20h, na TV Brasil.