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Vladimir Carvalho explica o trabalho com Eduardo Coutinho nesta terça (27)

27/10/2015
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16:13
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No segundo programa Arte do Artista com os irmãos Walter e Vladimir Carvalho , Aderbal Freire-Filho conversa com Vladimir nesta terça (27), à meia-noite, na TV Brasil, sobre alguns projetos de sua filmografia. Considerado um dos maiores documentaristas em atividade no país, o cineasta relembra um de seus primeiros trabalhos no cinema: o documentário “ Cabra Marcado para Morrer ” (1984), de Eduardo Coutinho .

Vladimir Carvalho conta a Aderbal como foi chamado para ser assistente de Coutinho na produção do longa e revela a epopeia que viveu ao lado do saudoso documentarista durante as filmagens do longa interrompidas pela ditadura militar.

“Depois de ter ajudado a esconder Elisabeth, retratada em 'Cabra', quis fugir da zona canavieira, onde a repressão era mais forte, e fui para as usinas de algodão, onde filmei 'O País de São Saruê'”, explica. “Mas o filme só foi liberado depois da anistia”.

A trama de “Cabra Marcado para Morrer” aborda a vida e a morte de João Pedro Teixeira, um líder camponês assassinado em 1962 na Paraíba. Além de entrevistas com camponeses e a família de João Pedro, o filme também faz a reconstituição de algumas cenas com atores.

O cineasta conta que a pessoa escolhida para o papel do líder camponês não era um ator profissional. Segundo Vladimir, “seu Mariano” não sabia diferenciar ficção de realidade, então Carvalho teve que criar um método para esclarecer ao ator como era realizada a “magia do cinema”.

Sobre o irmão, Walter, Vladmir se orgulha por tê-lo levado para o cinema. “Levei Walter com 10 anos de idade pra fotografar o nascer do sol. Ele viu tudo aquilo e a revelação. Ele conta que ali eu apliquei nele o vírus do cinema”, brinca.

Vladmir Carvalho documentou a história de Brasília em filmes como “Brasília Segundo Feldman” e “Conterrâneos Velhos de Guerra”, sobre a saga dos candangos. O diretor assina clássicos do documentário brasileiro moderno, como “Aruanda”, filme cuja luz seria uma das marcas do Cinema Novo, e “Romeiros da Guia” e “O País de São Sarue”, censurado pela ditadura. Vladmir criou um estilo próprio e, como professor da Universidade de Brasília (UnB), formou gerações de profissionais.

Serviço :
Arte do Artista – terça-feira (27), à meia-noite, na TV Brasil.