Caminhos da Reportagem revela a devoção de pessoas que defendem os direitos humanos
Difamação, insultos, perseguições e até ameaças de morte fazem parte da rotina desses ativistas
O Caminhos da Reportagem desta quinta (15), às 23h, na TV Brasil, investiga a trajetória de defensores dos direitos humanos que recebem ameaças de morte por lutarem por diferentes causas.
O programa mostra a história de pessoas que dedicam suas vidas em prol de temas como o reconhecimento de um território, a preservação do meio ambiente, a mobilização contra grandes empreendimentos ou a igualdade entre homens e mulheres. A equipe da emissora pública viajou por cenários deslumbrantes dos estados de Sergipe e Ceará para contar essas histórias de resistência.
Na comunidade quilombola de Brejão dos Negros, localizada nos municípios de Brejo Grande e Pacatuba, em Sergipe, moradores que se reconhecem como remanescentes de quilombos disputam a área com posseiros e fazendeiros. "Eles dizem que vão matar uma liderança, que é pra que os demais se afastem, que tenham medo de continuar", conta Ângela Norato, presidente da Associação Santa Cruz, que reúne os quilombolas.
Os pescadores e catadores de caranguejos da comunidade do Cumbe, no município de Aracati, no Ceará, se dividiram com o início da criação de camarão em cativeiro e a instalação de um parque eólico na região. João do Cumbe está a frente do grupo de moradores que defende o modo de vida tradicional e a proteção do meio ambiente, por isso convive com intimidações e ameaças.
A família já pediu que João se afastasse do movimento, mas ele entende que a sua existência - e a dos pescadores da região - só faz sentido na luta pela sobrevivência do mangue e da identidade. "Nós nos doamos a uma causa, a uma luta. Esse patrimônio é de todo mundo e entendemos que também é um direito das gerações que estão por vir", argumenta. "Existe ainda aquela ideia de que direitos humanos é pra defender bandido e nós não somos bandidos", completa.
Ao lado da praia de Jericoacoara, no município de Camocim, a comunidade de Tatajuba se organizou contra o projeto de construção de um resort na vila. Os moradores querem que a área seja reconhecida como um território pesqueiro.
"A gente espera que a especulação imobiliária deixe de existir aqui dentro, a pesca predatória também e que a gente possa garantir esse território para as futuras gerações, valorizando a nossa identidade, respeitando e protegendo os nossos recursos naturais existentes", afirma o pescador Tita, também alvo de ameaças. A reportagem descobriu que o plano da empresa que comprou o terreno na região agora é investir em um parque eólico.
Em Fortaleza, o deputado estadual Renato Roseno se defende de uma campanha de difamação pela internet, que resultou em insultos e ameaças, por ter uma atuação voltada para a defesa dos direitos humanos. Já a blogueira Lola é perseguida por um grupo de misóginos por ser feminista. "Ameaçavam de morte e de estupro. Tinha uma recompensa pela minha cabeça", denuncia. Lola, Tita, João, Ângela e outras três lideranças de Brejão dos Negros fazem parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do governo federal.
Para o representante do Escritório Regional para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Amerigo Incalcaterra, o Brasil falha na investigação e na punição dos crimes contra os defensores de direitos humanos. "O Brasil está deixando clara uma deficiência. Os defensores de direitos humanos e jornalistas estão sendo assassinados por fazer seu trabalho", afirma. Em todo o país, de janeiro até a terceira semana de agosto, segundo o levantamento da ONG Justiça Global, 33 defensores foram assassinados.
Serviço
Caminhos da Reportagem – quinta-feira (15), às 23h, na TV Brasil