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Programa Especial celebra 12 anos no ar

10/03/2016
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14:05
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O Programa Especial deste sábado (12), às 12h30, na TV Brasil, está em ritmo de festa. Em março, a atração comemora 12 anos no ar. Para celebrar a data, a edição comemorativa recebe 12 pessoas que fizeram parte dessa trajetória. Elas vão lembrar como foi participar do programa e também contar um pouco sobre a história de vida a partir daquele momento. Apresentado por Juliana Oliveira e com reportagens de Fernanda Honorato e Zé Luiz Pacheco, o Programa Especial estreou nas telinhas em março de 2004.

A designer Camila Rabelo, de 27 anos, tem deficiência auditiva e usa aparelho nos dois ouvidos. Ela conta um pouco da sua história e da participação no Programa Especial. “Nasci prematura, com seis meses e o antibiótico que me deram afetou a minha audição. Meus pais só descobriram quando eu tinha 2 anos. Foi muito gratificante ser entrevistada pelo Programa Especial. Foi muito positivo pois eu vi que estava ajudando outras pessoas. A questão da deficiência melhorou muito: a sociedade está mais aberta às diferenças e as pessoas estão mais conscientes sobre a deficiência”, explica.

Já o documentarista Daniel Gonçalves, de 31 anos, tem paralisia cerebral e fala sobre as participações no programa da TV Brasil. “Já gravei três matérias para o Programa Especial. Uma, há muito tempo, foi ligada à escalada. A segunda foi uma entrevista que a Juliana Oliveira fez em minha casa em que eu contei minha trajetória de vida. E, a última vez, ano passado, era mais ligada ao mercado de trabalho. Falar sobre o mercado de trabalho também é importante, porque ainda é difícil ver pessoas com deficiência ocupando cargos que tenham alguma relevância”, argumenta.

“O papel do Programa Especial é mostrar que não tem esse tanto de superação, as pessoas vivem vidas normais. Não é porque eu tenho paralisia cerebral, e moro sozinho, que eu sou melhor do que ninguém. Eu acho que é tão difícil para mim como para qualquer outra pessoa”, defende Daniel.

A estudante de Serviço Social Juliana Santos, de 26 anos tem nanisno e recorda uma reportagem que fez para a TV Brasil. “Já gravei diversas vezes e uma das matérias me marcou muito. Foi sobre escalada. Mexe com a autoestima da gente ao ser convidada por um programa em prol de uma causa. Que o Programa Especial seja uma referência para outros programas de televisão. Quando você abre a comunicação para o público, a sociedade começa a enxergar com um outro olhar. Nesses 12 anos, a sociedade está mais consciente em relação às pessoas com deficiência”, avalia.

Pedro Augusto, de 30 anos, tem autismo. O pai dele, Paulo Alonso, conversa com a equipe sobre as matérias que o rapaz gravou para o programa. “Uma coisa que nos marcou muito foi que, em 2007, a emissora fez uma visita a escola de artes em que o Pedro trabalhava no Grajaú. Fomos convidados a fazer um programa todo gravado na minha residência, no ambiente que o Pedro estava acostumado. O episódio foi ao ar algumas semanas depois e teve uma repercussão muito grande no meu ambiente de trabalho, junto a outros pais que viram aquele programa e aprenderam muito com aquilo. Com isso acabou também sendo uma mensagem muito importante para os telespectadores para mostrar como é possível uma pessoa autista, com todas as dificuldades de integração com o ambiente, vencer essas barreiras e, de fato, interagir e conseguir resultados. Não conheço nenhum programa da tevê brasileira que aborde a questão de maneira sistemática como o Programa Especial faz”, argumenta.

Pedro Henrique estuda Microbiologia e tem a síndrome de Ehlers Danlos. Ele destaca a importância de atrações assim na televisão. “Eu vejo o Programa Especial como um catalizador de toda a comunidade com síndromes raras, com deficiências, que percebem nesse programa uma possibilidade de mostrar para a sociedade a nossa vida, o nosso contexto, as nossas dificuldades e também as nossas habilidades, os nossos talentos”, emociona-se.

A desenhista Rafaela Poggi está dentro do espectro autista. Ela conta sobre o mangá que escreveu. “O nome do meu livro é 'Fairy Rainbow'. Minha personagem teve dificuldades, precisou encará-las e teve a ajuda das suas amigas para enfrentar as irmãs bruxas más. Acho que o meu livro pode ajudar muito as pessoas que são autistas. Queria que a sociedade soubesse que os autistas podem ser o que eles quiserem ser”, conclui.

Serviço :
Programa Especial – sábado (12), às 12h30, na TV Brasil.