Caminhos da Reportagem debate transformações nas formas de amar no episódio de segunda (23)
“O que é o amor? Quais formas esse sentimento pode assumir?”. São essas as principais questões que motivam o próximo episódio do premiado programa Caminhos da Reportagem que vai ao ar na segunda-feira (23), às 23h, na TV Brasil. O episódio, intitulado “Amar, verbo em transição”, dedica-se a investigar como as formas de amar têm se transformado ao longo do tempo e de que maneira diferentes experiências afetivas dialogam com a sociedade contemporânea. Para isso, percorre relatos pessoais e análises de especialistas para ampliar a compreensão sobre o amor em suas múltiplas dimensões.
O dicionário Michaelis traz 15 definições para a palavra “amor”. A primeira delas o descreve como um “sentimento que leva uma pessoa a desejar o que se lhe afigura belo, digno ou grandioso”. A segunda faz referência a uma “grande afeição que une uma pessoa a outra”. Mas será que o ato de amar se manifesta somente da forma que as linhas do dicionário traduzem?
Entre os entrevistados selecionados para responder a esta pergunta está o neurocientista Fernando Gomes, que destaca a influência das expectativas sociais na construção das primeiras referências sobre amor. Segundo ele, desde a infância, “todo mundo começa a entender que existe a necessidade de você ter uma pessoa ou alguém para você amar ou, pelo menos, vivenciar uma história romântica”.
A professora de português e literatura Ana Maria de Matos Viegas retoma suas memórias, relembrando como seu repertório infantil alimentou uma visão romântica e quase inevitável do casamento. “Na quinta série primária, eu já tinha um caderno de música e a primeira música do caderno era ‘A Minha Namorada’, do Vinícius. Daí pra cima. Era essa ideia muito romântica do amor, do tudo certo… A infância com muita história de fada, festa de casamento de sete dias. Então, tinha essa coisa idealizada”, explica.
A psicóloga Geni Núñez explica que essa forma idealizada de enxergar o amor tem raízes no conceito de “amor romântico”. Para ela, esse tipo de amor tem a “inspiração platônica de que só é verdadeiro aquilo que é complementar. [...] A ideia de metade da laranja, a tampa da panela”, define.
O filósofo Renato Noguera aprofunda essa reflexão ao discutir a genealogia do amor romântico, evidenciando como livros, filmes e contos clássicos compõem um imaginário afetivo que ainda influencia a sociedade atual. “A gente pode imaginar [...]aquela cena que todo mundo deve ter visto, que é alguém pedindo outra pessoa em casamento, dobrando um joelho, oferecendo uma joia, oferecendo um anel”, exemplifica.
Entre os relatos apresentados está o de Ana e Mónica Aliseris, que se casaram em 2019 após trajetórias marcadas por casamentos anteriores, maternidade e uma redescoberta do amor na maturidade. Para elas, o etarismo permanece como um obstáculo relevante quando o assunto é relacionamento afetivo. As duas defendem que a sociedade precisa discutir com mais profundidade as relações na terceira idade, rompendo estigmas e reconhecendo a legitimidade de vínculos que surgem ou se assumem mais tarde na vida.
Além da história de Ana e Mónica, o programa apresenta mais quatro narrativas que abordam aspectos como assexualidade, transfobia, capacitismo e luto, compondo um painel sensível e abrangente sobre como o amor se expressa em diferentes contextos.
Com apuração cuidadosa e linguagem acessível, Caminhos da Reportagem reafirma seu compromisso de oferecer ao público reflexões que articulam histórias reais, debate social e informação qualificada. A edição “Amar, verbo em transição” vai ao ar nesta segunda-feira, 23 de março, às 23h, na TV Brasil.
Ficha técnica
Produção e reportagem: Thiago Padovan
Apoio à reportagem: Anna Karina de Carvalho
Apoio operacional à produção: Acácio Barros e Lucas Cruz
Reportagem cinematográfica: Alexandre Nascimento e JM Barboza
Apoio à reportagem cinematográfica: Gilmar Vaz, Jefferson Pastori e Marcio de Andrade
Auxílio técnico: João Batista de Lima e Maurício Aurélio Marcelo
Colaboração técnica: Caio Araujo, Eduardo Domingues, Jone Ferreira e Rafael Carvalho
Edição de texto: Thiago Padovan
Apoio à edição de texto: Ana Graziela Aguiar e Priscila Kerche
Edição e finalização de imagem: Fábio Pousa e Rodrigo Botosso
Assessoria: Maura Martins
Arte: Aleixo Leite, Carol Ramos e Wagner Maia
Sobre o programa
No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileira mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.
Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 2h30. A produção disponibiliza as edições especiais no site http://tvbrasil.ebc.com.br/caminhosdareportagem e no YouTube da emissora pública em https://www.youtube.com/tvbrasil. As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site http://tvbrasilplay.com.br.
Ao vivo e on demand
Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.
Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: https://tvbrasil.ebc.com.br/webtv.
Serviço
Caminhos da Reportagem – “Amar, verbo em transição” – Segunda-feira (23), às 23h, na TV Brasil
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