Programação

Caminhos da Reportagem expõe casos de trabalho escravo doméstico no Brasil atual

Nova edição da atração da TV Brasil vai ao ar na segunda-feira (20), às 23h
17/04/2026
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15:00
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Divulgação/TV Brasil

O programa premiado Caminhos da Reportagem apresenta, na segunda-feira (20), a edição “Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão” que traz histórias de mulheres que foram escravizadas e discute formas de aprimorar o pós-resgate. A atração vai ao ar às 23h, na TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O dia 25 de março de 2026 entrou para a história como a data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu que a escravização de africanos foi o crime mais grave contra a humanidade. Assim como outros 122 países, o Brasil votou a favor dessa resolução.

De acordo com o Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos, cerca de 4,86 milhões de escravizados chegaram ao território brasileiro entre 1501 e 1900. Nenhum outro local recebeu mais africanos traficados.

O Brasil foi também o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, por meio de um processo incompleto. “A data representou, é claro, a abolição do trabalho escravo, mas não o rompimento com a forma de exploração do trabalho. A gente viu muito mais uma mudança na forma de exploração do que uma liberação que significasse independência”, lembra o jornalista, cientista político e diretor da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto.

Em 2026, 138 anos após a abolição, a exploração não desapareceu. Muitas vezes, ela se esconde dentro de casa. A repórter do Caminhos da Reportagem, Marieta Cazarré, ouviu vítimas, agentes que ajudam a libertar essas pessoas e profissionais que atuam no pós-resgate.

“A primeira pergunta é: para onde eu vou?”, explica a ministra Liana Chaib, do Tribunal Superior do Trabalho (TST). “Eu não tinha casa, família nem ninguém para me abraçar”, desabafa Suzana Salomono. Ela passou anos trabalhando em casa de família sem receber salário.

Casos

As equipes de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte ouviram outras domésticas escravizadas no Brasil. Roberta dos Santos, de 46 anos, recebia alimentação como pagamento. “Só que a patroa dizia que eu só tinha direito a um prato de comida no almoço. No jantar não tinha. Nem eu nem meu menino”. O filho de Roberta é autista.

A produção da TV Brasil também mostra a história de Araci do Amaral, de 73 anos, que apanhou da ex-patroa e foi vítima de racismo do ex-patrão. “Ele chegava xingando, falando ‘nega não sei o quê’. E ela me agrediu umas duas ou três vezes”, conta.

Maria Santiago, de 78 anos, passou décadas como doméstica escravizada. Não recebia salário nem o BPC (Benefício de Prestação Continuada) feito em seu nome. “Eu não sabia a senha nem conhecia o cartão”, diz.

Já Maria Raimunda, de 63 anos, denuncia o sequestro do filho enquanto foi escravizada. “Ela (ex-patroa) chegou e falou assim quando eu voltei do hospital: ‘Deixa eu pegar ele no colo, Maria’. Aí me deu vontade de ir ao banheiro, muita vontade. Quando eu saí, ela disse assim: ‘Maria, o neném já lá vai...’”. Maria Raimunda nunca mais viu o filho.

Suzana, Roberta, Araci, Maria Santiago e Maria Raimunda foram resgatadas. Elas e centenas de outras trabalhadoras salvas formam um grupo com perfil definido. “Mais da metade dessas mulheres têm no máximo a 5ª série de escolaridade, 24% são analfabetas e 72% são negras”, afirma a coordenadora-geral de Fiscalização do Trabalho Análogo à Escravidão do Ministério do Trabalho e Emprego, Shakti Borela. 

Como denunciar?

Qualquer pessoa pode denunciar situações de trabalho escravo. A ligação é gratuita, o sigilo é garantido e o serviço funciona 24h por dia. Basta discar o número 100. Além disso, a denúncia pode ser feita pelo Whatsapp (61 99611-0100) e pelo Telegram (digite “Direitoshumanosbrasil” na busca do aplicativo).

Ficha técnica

Reportagem: Ana Gabriela Aguiar, Ana Passos e Marieta Cazarré

Reportagem cinematográfica: Daniel Moreno, Fred Oliveira, Gabriel Penchel, JM Barboza, Rogerio Verçoza e Sigmar Gonçalves

Auxílio técnico: Alexandre Souza, Marcelo Vasconcelos e Rafael Carvalho

Produção: Cleiton Freitas e Patrícia Araújo

Edição de texto: Paulo Leite

Edição de imagem e finalização: Rivaldo Martins  

Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia

Sobre o programa

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileira mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.

Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 2h30. A produção disponibiliza as edições especiais no site http://tvbrasil.ebc.com.br/caminhosdareportagem e no YouTube da emissora pública em https://www.youtube.com/tvbrasil. As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site http://tvbrasilplay.com.br.

Ao vivo e on demand

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: https://tvbrasil.ebc.com.br/webtv.

 

Serviço

Caminhos da Reportagem - “Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão” – Segunda-feira (20), às 23h, na TV Brasil

 

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