EBC participa de workshop sobre crédito de US$ 500 milhões para TV 3.0
O presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Andre Basbaum, participou nesta terça-feira (3) de um workshop com representantes do Ministério das Comunicações, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial para debater a estruturação de linhas de financiamento com o objetivo de acelerar a implantação da TV 3.0 no Brasil.
“A radiodifusão no Brasil é a base da nossa indústria cultural e a base da modernização do país. Esse sistema vive agora uma nova etapa da TV 3.0, um modelo próprio, que vai multiplicar esse potencial que a televisão brasileira tem de produzir cultura e identidade nacional, com a comunicação pública tendo um papel de destaque”, afirma Andre Basbaum.
Entre diretores e técnicos dos bancos, estiveram presentes Luis Guillermo Alarcon Lopez, especialista líder em telecomunicações do BID, e Luciano Charlita de Freitas, especialista sênior em Transformação Digital e Inteligência Artificial do Banco Mundial. Nesta terça-feira, o evento também contou com a participação do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
No final do ano passado, a Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, aprovou o pleito do Ministério das Comunicações para a captação de até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) voltados à implantação da TV 3.0. O processo está na Casa Civil, responsável por encaminhar a Mensagem Presidencial ao Senado Federal, instância que autoriza a contratação do crédito, conforme a legislação.
O Ministério das Comunicações justifica a busca por recursos argumentando que o ecossistema da radiodifusão tem grandes dificuldades de obtenção de crédito. Além disso, o setor viu suas receitas caírem nos últimos anos: 25% entre 2017 e 2023, por exemplo.
A necessidade de se implantar a TV 3.0 de forma mais célere pode beneficiar também pessoas com algum tipo de deficiência, já que esse grupo usa menos a tecnologia e se torna mais depende das informações provenientes da televisão – que na TV 3.0 terá legendas customizáveis, audiodescrição, gerador de Libras e vídeo de intérprete simultâneo.
A aceleração da implantação do novo sistema ainda vai facilitar o acesso do telespectador a serviços públicos digitais, já que a TV 3.0 contará com um aplicativo específico para “dialogar” com o cidadão. Trata-se de um ambiente digital destinado a concentrar conteúdos e aplicações de entidades públicas de todos os Poderes, que deverá estar prontamente acessível no catálogo de aplicativos da TV 3.0.
Atualmente, 11% da população acima dos dez anos de idade não usam a internet – e a televisão pode se tornar um ambiente facilitador para que os serviços públicos cheguem, efetivamente, às cidadãs e cidadãos brasileiros.
“A ideia é acelerar a transição tecnológica de televisão digital no padrão 3.0. Nós estamos muito felizes de estar apoiando o Ministério das Comunicações nesse projeto estruturante de interesse nacional”, afirmou Luciano, do Banco Mundial.
“A TV 3.0 é uma maravilha! Ela vai disponibilizar muito mais recursos interativos. O telespectador estará mais no comando de tudo, podendo fazer mais escolhas”, disse Luis Guillermo, do BID.
O evento ocorreu em formato híbrido, presencial e online, e discutiu aspectos técnicos relacionados à abertura de crédito voltado à implantação do novo sistema de transmissão da televisão aberta brasileira.
Os trabalhos foram conduzidos pelo secretário de Radiodifusão (Serad) do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz Wellisch, e pelo diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização, Tawfic Awwad Junior.
“Estamos trabalhando para acelerar a implantação da TV 3.0 no Brasil e fazer com que o maior número de pessoas tenha acesso, o mais rápido possível, a essa revolucionária forma de assistir à televisão”, afirmou Wilson.
Uma nova era
A TV 3.0 representa a maior evolução da televisão aberta desde a digitalização. O novo padrão integra radiodifusão e internet em um ambiente totalmente baseado em aplicativos, substituindo os canais numéricos tradicionais. A implantação será gradual e começará pelas grandes capitais.
A tecnologia permitirá experiência interativa e personalizada, com acesso a conteúdos ao vivo e sob demanda; serviços públicos digitais e novas funcionalidades de participação social; melhorias significativas na qualidade da imagem, com transmissões em 4K e 8K, HDR e cores mais vivas; som imersivo, ampliando a sensação de presença; e recursos avançados de acessibilidade.
*Com base em informações do Ministério das Comunicações