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Fotógrafo Gervásio Baptista na Guerra do Vietnã

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As lentes que captaram misses, soldados e políticos

Criado em 08/01/13 14h42 e atualizado em 09/01/13 09h33
Por Léo Rodrigues Fonte:Portal EBC

Gervásio Baptista na Guerra do Vietnã
Fotógrafo Gervásio Baptista na Guerra do Vietnã (foto: arquivo pessoal)

Ele não gosta de precisar sua idade, mas confessa que está chegando à nona década de vida. A maior parte desses anos foi entregue a uma paixão: a fotografia. O baiano Gervásio Baptista conta que começou na profissão aos 13 anos e não se vê fazendo outra coisa. Segue trabalhando e hoje integra os quadros da EBC.

O currículo de Gervásio é invejável. Ele trabalhou no jornal Estado da Bahia e nas revistas Cruzeiro e Manchete. Nessa última, participou do primeiro ao último número. Cobriu concursos de miss universo, copas do mundo, guerras e políticos. Um pouco desse trabalho pode ser conhecido no portal do Supremo Tribunal Federal, que organizou uma exposição em sua homenagem.

Nesse Dia do Fotógrafo, Gervásio acredita que o maior motivo para comemoração é o avanço da tecnologia. Ele critica o excesso de tratamento das fotos, mas exalta a possibilidade de compartilhar uma imagem com o mundo inteiro em apenas alguns segundos. Assista abaixo o que ele fala sobre os desafios dos fotógrafos brasileiros:

Creative Commons - CC BY 3.0 -

Gervásio constuma dizer que só revela os acontecimentos que tiveram testemunhas, porque "fotógrafo e pescador têm fama de mentirosos". Conheça mais sobre sua trajetória na entrevista abaixo:


- De que forma se deu seu primeiro contato com a fotografia?
Meus pais contavam que, ainda criança, eu brincava com caixinhas do fósforo como se fosse uma câmera fotográfica. Abria e rabiscava o que via na parte de dentro. Quando completei 13 anos, meu pai me cobrou uma escolha profissional e me sugeriu que trabalhasse no laboratório fotográfico de um amigo para ocupar o tempo das férias. Eu fui e comecei a aprender todo o processo químico da revelação das fotos.

- Trabalhar em jornal se tornou um objetivo?
Os acontecimentos vão pegando a gente de surpresa. Eu costumava trabalhar na revelação. Um dia, o senador Rui Santos apareceu no laboratório precisando de uma foto 3x4 e os fotógrafos estavam todos ausentes. Eu me ofereci para atendê-lo. Como era muito pequeno, precisei subir na cadeira para alcançar o visor da câmera. Fiz e revelei a foto na hora. Ela ficou muito satisfeito e, ao mesmo tempo, impressionado como alguém da minha idade poderia ter feito tudo aquilo. E, então, me perguntou se teria interesse em trabalhar no jornal Estado da Bahia. Ele me indicou e minha carreira com o fotojornalismo começou aí.

- De que forma você se destacou no Estado da Bahia?
Depois de um tempo, eu passei a assinar uma coluna chamada "Um fato em foco". Saía pelas ruas de Salvador fotografando tudo que julgava errado, como um cano de esgoto estourado, e publicava a imagem com uma pequena descrição. Ganhei uma certa fama. As pessoas me chamavam mais pelo nome da coluna do que pelo meu próprio nome.

- E essa fama te fez receber outras propostas de trabalho?
Não foi exatamente a fama e sim um acontecimento inusitado. O Estado da Bahia era propriedade dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Um dia, fui enviado para Feira de Santana, para cobrir a entrega da Comenda do Vaqueiro. Assis Chateaubriand seria agraciado e eu tirei uma foto de quatro homens o ajudando a subir no cavalo. Irritado, ele me perguntou se eu queria desmoralizá-lo e quis saber onde trabalhava. Respondi que era no jornal dele. Ele me pediu as chapas da foto e eu retruquei dizendo que isso ele resolvia com meu editor. No dia seguinte, ele foi à redação. Disse que eu era muito atrevido e que precisava de alguém com esse perfil na Revista Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

- Seu conhecimento foi todo construído na prática, sem curso nenhum?

Inauguração de Brasília na Revista Manchete
Capa da Revista Manchete na inauguração de Brasília publica foto de Gervásio Baptista. (foto: divulgação)

Eu costumo dizer que fotografia é um aprendizado diário. Os veículos onde passei foram minhas escolas. Principalmente a Revista Manchete, onde fiquei desde o primeiro ao último número. Através dela, eu conheci o mundo. Cobri 16 concursos de miss universo e 7 copas do mundo. Também presenciei a derrubada de Perón na Argentina, a Guerra do Vietnã, a Revolução dos Cravos em Portugal e estive em Cuba durante a revolução, onde fotografei Che Guevara. Essa cobertura diversificada é importante. O olho fotográfico se define no cotidiano.

- E como se aproximou de Brasília?
Isso também aconteceu na Revista Manchete. Eu cobria muitas cerimônias oficiais e tinha uma relação bem próxima com os presidentes. Quando Brasília foi inaugurada, eu tirei uma foto que se tornou capa da publicação e percorreu o mundo: JK acenando seu chapéu (ver vídeo abaixo). Eu comecei a trabalhar em Brasília ainda na Revista Manchete. E não saí mais. Quando a revista acabou, eu tomei um susto. Não acreditava que um veículo com aquela estrutura, com sucursais em diversos pontos do mundo, pudesse chegar ao fim. Mas, felizmente, consegui seguir minha carreira e posteriormente ingressei na Radiobras.


Assista Gervásio contando a história da fotografia de JK, na inauguração de Brasília:

Creative Commons - CC BY 3.0 -
Creative Commons - CC BY 3.0

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