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Entrevista: Mia Couto critica baixo intercâmbio de produção literária entre os países de Língua Portuguesa

Criado em 18/04/14 14h50 e atualizado em 18/04/14 15h19
Por Ana Elisa Santana e Noelle Oliveira Fonte:Portal EBC

Mia Couto
Mia Couto (Ana Elisa Santana / Portal EBC)

O biólogo e escritor moçambicano Mia Couto, vencedor do Prêmio Camões em 2013,  criticou nesta quinta-feira (17) –  em entrevista ao Portal EBC durante a II Bienal Brasil do Livro e da Leitura –  a forma como vêm sendo conduzido o intercâmbio da produção literária em língua portuguesa entre os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Para Mia Couto, o diálogo, quando se trata dessa troca, foi deixado “ao acaso”. “Essa responsabilidade foi deixada para o mercado, quando na verdade seria uma obrigação principal dos governos”, destaca o escritor.

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Apesar de considerar a troca de obras de língua portuguesa superior a que ocorria na última década, Mia Couto não acredita que esse seja um motivo para comemorações. “Esse intercâmbio ainda é pior do que quando havia ditadura no Brasil, em Moçambique ou em Portugal. É estranho que em um período de ditadura houvesse uma maior circulação de livros do que agora”, afirma Mia. “Alguma coisa precisa ser feita”, complementa.

O escritor também lembrou sua infância e iniciação junto à literatura. Como filho de um poeta, Mia foi criado em uma “casa habitada por vozes”, o que influenciou a sua criação. Hoje, segundo ele, ao produzir utilizando como influência da tradição oral africana, sua preocupação maior é distanciar-se de uma certa visão folclórica. “São outros sistemas religiosos de pensamento que, para serem explicados, tem que ser entendidos. São outras maneiras de entender o mundo”, explica. 

Para o escritor, o trabalho produzido também pode ajudar a proteger grupos e minorias moçambicanas. “A literatura pode mostrar que esses grupos são capazes de produzir riqueza, harmonia e inquietações que nos fazem mudar”, resume.

Avaliando a relação entre os trabalhos como biólogo e escritor, Mia afirmou que há uma pequena transição entre as profissões.  “A biologia que eu faço é de visita a um mundo com o qual eu quero aprender a conquistar uma certa proximidade. Isso incluí os bichos, a vegetação e a linguagem que essas entidades carregam”, explica. “A biologia é mais que uma ciência, é quase um curso de linguística, em que você percebe essas vozes, entende a linguagem dos bichos, tudo isso como um conjunto harmônico que devemos respeitar e aprender. Não somos os proprietários do mundo”, complementa Couto.

O contato com o meio ambiente e seus personagens inspira o escritor. “Como biólogo faço um trabalho em que praticamente faço de conta que estou trabalhando. Estou falando com pessoas, estou procurando histórias, são pessoas que têm outra visão do mundo e histórias para contar”, conclui.

 

Confira a entrevista de Mia Couto ao Portal EBC: 

 

Creative Commons - CC BY 3.0 -
Creative Commons - CC BY 3.0

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