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Maria Bethânia desfila como destaque da Mangueira. Cantora foi a homenageada da escola no carnaval 2016 pelos 50 anos de carreira

Imagem: Gabriel Santos / Riotur

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Acompanhe ao vivo o Desfile das Campeãs 2016 do Rio de Janeiro

Criado em 12/02/16 14h51 e atualizado em 13/02/16 22h25
Por Céumar Turano Edição:Ana Elisa Santana Fonte:Portal EBC

As escolas de samba campeãs do carnaval 2016 retornam à passarela do sambódromo da Sapucaí neste sábado (13/2), a partir das 21h30, para o Desfile das Campeãs. A TV Brasil, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro (AM 1.130KHz) e a MEC AM - Rio de Janeiro (800kHz) transmitem as apresentações (clique aqui para saber como sintonizar na TV Brasil ).
Você também pode acompanhar a transmissão pelo twitter, usando a hashtag #CampeãsRJ, ou na janela abaixo:

Ouça ao vivo pelo player:

Entram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, por ordem decrescente de classificação, as seis escolas que tiveram melhor desempenho no carnaval deste ano: Imperatriz (6ª), Beija-Flor (5ª), Salgueiro (4ª), Portela (3ª), Unidos da Tijuca (2ª) e a grande campeã Mangueira, que encerra a festa relembrando seu desfile a partir das 2h55.

Relembre os enredos das melhores escolas do Rio em 2015:

Imperatriz

A escola de Ramos fez este ano uma homenagem à dupla Zezé Di Camargo e Luciano e à música sertaneja. Os filhos de Francisco vieram no alto do último carro com as cores da Imperatriz Leopoldinense. Com versos que incluíam os trechos "É o amor" e "Sou brasileiro, caipira Pirapora", o samba ajudou a empolgar os 3.200 componentes e chamou a atenção ao ser executado com acordes de sanfona.

Carnaval do rio de Janeiro 2016 - Imperatriz
Imperatriz homenageia Zezé di Camargo e Luciano e a vida no campo. Foto: Marco Antônio Cavalcanti/ Riotur

O carnavalesco Cahê Rodrigues se inspirou no filme "Dois filhos de Francisco" para compor o enredo “É o amor... que mexe com minha cabeça e me deixa assim... Do sonho de um caipira nascem os dois filhos do Brasil”. Além de contar a trajetória de vida e musical da dupla, a Imperatriz abordou a vida do homem do campo, o universo caipira e reuniu nomes como Chitãozinho e Xororó, Paula Fernandes e Alexandre Pires. O desfile teve ainda a participação dos atores Dira Paes e Ângelo Antonio, que vivem os pais da dupla no filme.

A Imperatriz desfilou com 32 alas, seis carros e três tripés. A família Camargo veio retratada em um tripé na forma de retirantes que lembravam um quadro de Candido Portinari. Encerraram o desfile o carro "É o amor todo em vermelho", com os homenageados e Seu Francisco no alto, e uma distribuição de almofadas em formato de coração.

Beija-Flor

A Beija-Flor, campeã do Carnaval de 2015, cantou neste ano a história do político, poeta, compositor e professor dos tempos do Brasil imperial, que dá nome à passarela do samba: Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí. A escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, apresentou um desfile luxuoso, marcado pela opulência barroca e pelo abuso do dourado, além da tradicional força e empolgação da sua comunidade, que cantou o samba com o refrão "Sou Beija-Flor, na alegria ou na dor/ A deusa da passarela é ela!".

Beija-flor no carnaval 2015
Beija-flor no carnaval 2015. Tata Barreto/ Riotur

A azul e branco desfilou com 3.700 componentes, em 40 alas, com sete carros e um tripé. Foram retratadas as várias passagens da trajetória do Marquês de Sapucaí, que nasceu em Nova Lima, na época áurea da extração do ouro em Minas Gerais, estudou na Universidade de Coimbra, em Portugal; se tornou um executivo do Império brasileiro, amigo de D. Pedro II, e ficou conhecido pelo apoio à abolição da escravatura.

A comissão de frente retratou o trabalho escravo e o ciclo do ouro em Minas Gerais: os integrantes vieram em uma carroça que se transformava em uma igrejinha. Durante a encenação, os escravos ganhavam asas, e as portas da igreja se abriam, com um cortinado se transformando em mapa-múndi de onde surgia Marquês. Predominantemente dourado na primeira parte, o desfile foi ganhando outras cores, fechando em azul e branco, clássicas da escola. O desfile terminou com uma homenagem à Avenida Marquês de Sapucaí, que teve a "deusa da passarela" como a primeira campeã da era do Sambódromo.

Salgueiro

O Salgueiro fez na Sapucaí uma ode à malandragem, trazendo um desfile caprichado e divertido, empolgando as arquibancadas. O enredo “Ópera dos malandros” teve como inspiração a obra a "Ópera do Malandro", de Chico Buarque, e levou para a avenida o universo dos cabarés, botequins e personagens das ruas e da noite do Rio de Janeiro, com direito a um zepelim de cerca de 20 metros sobrevoando a avenida por cima dos ritmistas fantasiados de Geni – personagem da obra de Buarque.

A ópera carnavalesca criada pelo casal Márcia e Renato Lage, que já colecionam 13 anos de Salgueiro, falou ainda dos jogos de azar e celebrou símbolos da malandragem carioca como Bezerra da Silva e Dicró. O Salgueiro levou para a Avenida seis carros e dois elementos cenográficos, e desfilou com 3.800 componentes divididos em 31 alas.

"Furiosa", a Bateria do Salgueiro - carnaval 2016
"Furiosa", a Bateria do Salgueiro - carnaval 2016. Foto: Gabriel Santos/ Riotur

O abre-alas recriou a Cinelândia, as escadarias do Teatro Municipal do Rio e o chafariz da Praça Mahatma Ghandi, no Centro do Rio, e trouxe a diversidade dos personagens das ruas, reunindo malandros, mulheres de lingerie, vendedor de flores e mendigo. O segundo carro transformou o Morro da Babilônia em um jardim suspenso tropical, enquanto o terceiro abordou o universo dos cabarés e bordéis.   O Salgueiro encerrou o desfile distribuindo flores na avenida: o último carro trouxe uma mensagem de paz e tolerância com a figura do malandro ao lado de uma pomba branca.

Portela

Na estreia de Paulo Barros na escola de Madureira, a azul e branco desfilou pela Sapucaí com um enredo sobre viagens. Maior ganhadora de títulos do Rio de Janeiro (foram 21), a Portela fez um desfile repleto de surpresas. A última vez que a escola foi campeã foi em 1984.

Portela
Creative Commons - CC BY 3.0 - Portela. Foto: Marco Antônio Cavalcanti / Riotur

Passaram pela Avenida 45 alas, sete carros e 3800 componentes com o enredo "No vôo da águia, uma viagem sem fim". A comissão de frente fez uma releitura da "Odisseia de Homero", obra da mitologia grega. O que mais chamou a atenção foi um Poseidon que flutuou com uma prancha e jatos de água. O abre-alas da Portela pesava 40 toneladas, sendo 30 só de água. Na sequência, veio um elemento cenográfico representando o Monte Sinai e uma coreografia que mostrou a travessia do mar vermelho por Moisés: o ator que representava o líder religioso veio em cima de uma águia.

O carro abre-alas teve como tema o Egito antigo, com réplicas de templos, pirâmides e palácios. Outros povos surgiram nas alas seguintes: os vikings, chineses e europeus. O segundo carro retratou o perigo do mar, seguido pela ala das vinte mil léguas submarinas. Lugares como a Amazônia, o Deserto do Saara, Antártica e Marte foram lembrados por alas, quase todas com fantasias bastante impactantes. A ala das baianas brincou com o túnel do tempo, com os giros representando as viagens mostradas nos filmes de ficção científica. O efeito das saias rodando parecia ser feito para deixar o público em transe.

Ala das baianas da Portela - carnaval 2016
Ala das baianas da Portela - carnaval 2016. Foto: Marco Antônio Cavalcanti/ Riotur

 

Unidos da Tijuca

A escola do Morro do Borel celebrou a terra e o agronegócio, apostando mais uma vez em alegorias humanas ou vivas – com encenações e coreografias nos carros. O enredo “Semeando Sorriso, a Tijuca festeja o solo sagrado”, uma homenagem à cidade de Sorriso, no Mato Grosso, conhecida como capital da soja, abordou da criação do homem através do barro ao desenvolvimento da agricultura e vida no campo.

A Unidos da Tijuca desfilou com seis carros e um tripé, e 3.500 componentes divididos em 29 alas. A comissão de frente veio em cima de um módulo e apresentou bailarinos 'brotando' e 'desabrochando' da terra. O abre-alas mostrou a criação do homem através do barro e causou impacto ao trazer cerca de 170 componentes cobertos de terra dos pés à cabeça. Para pintar o grupo foram usados mil quilos de argila.

Unidos da Tijuca no carnaval 2016
Unidos da Tijuca no carnaval 2016. Foto: Tata Barreto | Riotur

A ala das baianas chamou a atenção ao vir de roxo e marrom, em forma de uma árvore de cabeça para baixo. O terceiro carro homenageou a figura do homem do campo, e trouxe a imagem de um caipira em meio a um galinheiro, com direito a distribuição de ovos cozidos. Chamou a atenção um carro em forma de colheitadeira, com integrantes fantasiados de 'supermilhos' no alto, e que fazia a colheita de uma ala de milhos. O desfile terminou em uma festa de colheita, com dança de quadrilhas e violeiros.

Mangueira

Na busca pelo título que havia sido conquistado pela última vez em 2002, a Mangueira celebrou os 50 anos de carreira da cantora baiana Maria Bethânia com um desfile de luxo e sofisticação, além da presença de muitos artistas. O lado religioso da cantora foi uma inspiração forte para o carnavalesco Leandro Vieira. Nascida em Santo Amaro da Purificação, Bethânia é de família católica e iniciada no candomblé.

A comissão de frente era formada por 15 bailarinas negras com um figurino que fazia parte da coreografia e deixava os seios à mostra, como guerreiras Oyá – orixá relacionada à valentia. A primeira porta-bandeira, Squel, apareceu "careca", com uma touca de látex que cobria a cabeça. Ela se apresentou vestindo uma fantasia grandiosa representando o Axé do candomblé. O carro abre-alas representava Oyá e Oxum, orixás muito presentes na vida de Bethânia, e lançava jatos de água numa destaque fantasiada de Oxum, a deusa que habita as águas doces. Outro destaque alegórico foi o carro com um enorme carcará, ave que deu nome à música que projetou Maria Bethânia nacionalmente.

Muitos artistas, amigos e parentes de Bethânia, participaram do desfile - além da própria cantora. Entre eles estavam Caetano Veloso, irmão de Bethânia, e o filho dele Tom, Mart'nália, Adriana Calcanhoto, Chico César, Zélia Duncan, Lúcia Veríssimo, Regina Casé, Vanessa da Mata, Renata Sorah e Ana Carolina. No chão e à frente do carro, foram Alcione, grande amiga de Bethânia, e Rosemary. No carro que representou a Bethânia católica, um dos destaques foi a sambista Beth Carvalho, mangueirense ilustre, que há dois anos não saía na escola.

 

Veja também: Sambódromo do Rio recebe últimos ajustes para desfile das campeãs

Creative Commons - CC BY 3.0
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