Desafio do próximo presidente é melhorar qualidade do ensino no país

Os números da educação brasileira são tão grandes quanto o desafio do próximo presidente da República para impulsionar a educação no país. Para assegurar a melhoria da qualidade, serão necessários investimentos em áreas distintas: garantir um ensino médio mais inclusivo e atrativo, ampliar o acesso e o financiamento ao ensino superior e melhorar a formação de docentes.

Na primeira matéria da série sobre desafios da educação, a Agência Brasil aponta os principais problemas do ensino médio, o maior gargalo da educação básica.

A reportagem também apresenta experiências educacionais inovadoras na rede pública. Em parceria com institutos e entidades privadas, essas escolas são exemplos de como a rede pública pode atender com excelência, priorizar currículos que preparem para o mercado de trabalho, além de se preocupar com a diversidade e o desenvolvimento socioemocional de jovens.

Confira alguns destaques abordados na reportagem:

Educação básica

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), quando saem da escola, ao final do ensino médio, sete a cada 10 estudantes não aprendem o básico em português. O mesmo número tem aprendizado insuficiente em matemática. Na outra ponta, apenas 4,5% dos estudantes alcançaram um nível de aprendizagem considerada adequada pelo MEC em matemática e 1,6% em língua portuguesa.

Graduação

No ensino superior, o desafio ainda é a ampliação de matrículas. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei em vigor desde 2014, a taxa bruta de matrículas, ou seja, o número total

Professores

Atualmente, professores de escolas públicas ganham, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas, ou seja, cerca de 25% a menos.

Confira a reportagem completa: 

Ensino médio é a etapa que vai exigir mais atenção do próximo governo

O ensino médio é o grande gargalo da educação básica brasileira. É a etapa de ensino que concentra os piores indicadores escolares: altas taxas de abandono, alta porcentagem de repetência e piores índices de aprendizagem. Melhorar esses índices, ampliar a carga-horária de estudos, aumentar o aporte de recursos e tornar a etapa mais atrativa para jovens conectados serão desafios do próximo governante.

Ensino médio
Ensino médio é a etapa de ensino que concentra os piores indicadores escolares - Tânia Rêgo/Agência Brasil
 
Sete em cada 10 estudantes não aprendem o básico em português e matemática, segundo indicadores divulgados recentemente pelo Ministério da Educação (MEC). Na outra ponta, apenas 4,5% dos estudantes alcançaram um nível de aprendizagem considerada adequado pelo MEC em matemática e 1,6% em língua portuguesa.
 
Segundo a presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, o desafio do próximo presidente na educação é garantir que todos os estudantes aprendam. “O Brasil quase universalizou o acesso. Agora precisamos universalizar a aprendizagem”, afirmou. Após cursar apenas o 1º ano do ensino médio - a etapa tem geralmente três anos, mas pode ter quatro -, quase um a cada quatro estudantes (23,6%) repete de ano ou abandona a escola.
 
“Hoje, o ensino médio é para poucos, é um ensino médio excludente”, afirmou a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Smole, que participou da elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio de 1999, na área de ciências da natureza e matemática. “Algo precisa ser feito. Acredito muito que esse ensino médio, no modelo que está, não atende”, disse.
 
Cerca de 81% das matrículas do ensino médio estão concentradas nas escolas públicas estaduais, ou seja, a cargo prioritariamente dos governos estaduais.

06 de Setembro, 2018

No Rio, escolas públicas buscam parcerias para melhorar ensino médio

Estudar em horário integral em uma escola pública é realidade para 12 mil alunos do ensino médio da rede estadual do Rio de Janeiro. Eles estão matriculados em escolas que mantêm parcerias com instituições ou empresas privadas. Além do currículo obrigatório do Ministério da Educação (MEC), essas escolas oferecem ensino profissionalizante voltado para a ciência, tecnologia e cultura, empreendedorismo e têm uma carga-horária extra de línguas estrangeiras. Tudo com foco no mercado de trabalho. Em algumas, o estudante já sai com o registro em conselhos regionais.

Escola Chico Anysio
Rio de Janeiro - Colégio Estadual Chico Anysio, no Andaraí - Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Secretaria Estadual de Educação do Rio (Seeduc) tem convênios ou termos de cooperação técnica em 98 unidades. Entre as empresas que participam desta Parceria Público Privada estão: Instituto Oi Futuro, Instituto Grupo Pão de Açúcar, Lojas Americanas, Lafarge, Senac-RJ, Senai-RJ, Sebrae-RJ, Peugeot Citroen e Fundação de Estudos do Mar (Femar). Outros cinco colégios da rede estadual têm o chamado ensino médio intercultural, com o apoio do Ministério de Educação, Cultura e Esporte da Espanha; da Superintendência do Condado de Prince George dos Estados Unidos; da Universidade Normal de Hebei, na China; do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro e do Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT).

Cerca de 16 mil alunos já se formaram por meio dos convênios. Não há processo seletivo. Os candidatos devem se inscrever pelo site.

>> Conheça o Colégio Estadual Chico Anysio que adotou o modelo de educação integral e uma educação pública é diferenciada: 290 estudantes do ensino médio têm, além das aulas do currículo básico, uma grade complementar para o desenvolvimento socioemocional e de empreendedorismo. 

>> Conheça o Colégio Estadual Hebe Camargo. Inaugurada em 2014, a escola oferece ensino médio integrado com o técnico profissionalizante

Novo presidente terá de garantir mais vagas no ensino superior

Ampliar o acesso e o financiamento ao ensino superior está entre os desafios a serem enfrentados pelo próximo presidente da República.

Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei em vigor desde 2014, a taxa bruta de matrículas no ensino superior, ou seja, o número total de estudantes matriculados, independentemente da idade, dividido pela população de 18 a 24 anos, deve chegar a 50% até 2024 - atualmente é 34,6%. 

Nas universidades públicas, o problema está na falta de recursos. De acordo com os reitores das instituições federais, o orçamento não acompanhou o aumento no número de matrículas e a expansão dos campi ocorridos nos últimos anos.

Para 2018, por exemplo, os recursos previstos para investimentos nas universidades federais diminuíram para quase um quarto do valor destinado para a mesma finalidade em 2013 – de R$ 3,3 bilhões para R$ 786 milhões. O montante total, entretanto, aumentou, com destaque para pagamento de pessoal.

Ensino superior
Entrada da Universidade 9 de Julho (Uninove) na Barra Funda, zona oeste - Rovena Rosa/Arquivo Agência Brasil

“O processo de crescimento das universidades federais ainda não está consolidado. Temos cursos novos, novos alunos, novos programas de pós-graduação. A universidade está em processo de crescimento ainda e com orçamento decrescente”, disse o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Reinaldo Centoducatte, reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

O Brasil conta hoje com 63 universidades federais e 38 institutos federais, de responsabilidade do Ministério da Educação (MEC).

Confira o conteúdo completo na Agência Brasil:

Melhorar formação e salários de professores será desafio de presidente

Profissionais essenciais para a educação, os professores não poderão ficar de fora da agenda dos próximos governantes. Juntamente com mudanças no ensino médio e a ampliação de vagas no ensino superior, a valorização dos docentes está entre os maiores desafios do eleito em outubro.

Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei aprovada em 2014, o país terá que melhorar não apenas os salários, mas também a formação de quem está todos os dias em sala de aula. O Brasil ainda tem muitos docentes que atuam em áreas que não foram formados. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que, na educação infantil, 53,4% dos docentes não têm formação superior adequada. No ensino fundamental, o percentual chega a 49,1% nos anos finais (do 6º ao 9º ano) e a 41% nos anos iniciais (do 1º ao 5º ano). No ensino médio, 39,6% não têm formação adequada.

Pelo PNE, até 2024, todos os professores têm que ter a formação na mesma área em que lecionam.

“A educação tem dois pilares: ensino e aprendizagem. Não se aprende na escola se o ensino for um pilar capenga. É preciso que o ator do ensino, que é o professor, seja bem formado”, defende a coordenadora de Políticas Educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda.

Valorizar os profissionais e aumentar os salários dos docentes também são desafios. O último relatório de monitoramento do PNE, divulgado pelo Inep mostra que os professores de escolas públicas ganham, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas, ou seja, cerca de 25% a menos. Até 2020, esse rendimento terá que ser o mesmo das demais categorias.

Acesso universal à educação 

O acesso universal à educação está longe de ser realidade no Brasil. Mesmo na faixa etária dos 4 aos 17 anos, em que é obrigatório matricular crianças e jovens nas escolas, ainda faltam muitas vagas. Os principais problemas estão na pré-escola e no ensino médio. 

Saiba mais sobre o que pensam os especialistas e sobre essas escolas nas reportagens feitas pelo Repórter Brasil para a série especial "Caminhos e Desafios: Educação". 

Escolas modelo podem ajudar como referência

A expansão do ensino também busca referências que podem ser encontradas em escolas públicas já reconhecidas nacionalmente por suas soluções de gestão e infraestrutura.

Em um dos bairros de nível socioeconômico mais baixo do município de Novo Horizonte, no interior de São Paulo, está a escola municipal Hebe de Almeida Leite Cardoso. Considerada escola-modelo, a escola superou dificuldades estruturais, valorizou professores e conquistou o respeito e a admiração dos alunos. Hoje, ela está entre as dez melhores da rede pública de ensino do país no ranking da Fundação Lemann, uma ONG que atua na área da educação. 

Referência de ensino

O Repórter Brasil foi a Cocal dos Alves, no Piauí, para mostrar como a escola Augustinho Brandão adotou soluções simples e bem sucedidas para transformar a vida de uma comunidade. Os esforços renderam à instituição o posto de melhor escola pública estadual do Piauí e uma das melhores do Brasil. Todo ano, pelo menos 70% dos ex-alunos ingressam em uma universidade pública. A escola também coleciona 154 medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática.

11 de Setembro, 2018