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Violência infantil

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A cada hora, 5 casos de violência contra crianças são registrados no país

Criado em 17/06/16 09h06 e atualizado em 17/06/16 09h18
Por Suely Amarante Fonte:Ascom IFF

O 16º Curso de Violência Contra Crianças e Adolescentes do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), coordenado pela pediatra Rachel Niskier, foi palco de reflexões sobre todas as manifestações de violências infantojuvenis. Dentre elas, as violências física e psicológica foram abordadas, e de acordo com dados da Fundação das Nações Unidas para a Infância (Unicef), as estatísticas apontam um cenário desolador em relação à violência contra crianças e adolescentes. A cada dia, em média 129 casos de violência psicológica e física, incluindo a sexual, e negligência são reportados ao Disque Denúncia 100. Isso quer dizer que, a cada hora, cinco casos de violência contra meninas e meninos são registrados no País. Esse quadro pode ser ainda mais grave se levado em consideração que muitos desses crimes nunca chegam a ser denunciados.

É importante ressaltar que esses agravos, muitas vezes, estão próximos das vítimas, ainda  segundo dados do Unicef, 80% das agressões físicas contra crianças e adolescentes são causadas por parentes próximos.

Na oportunidade, a pediatra do IFF Marlene Roque Assumpção fez uma reflexão sobre o tema e ressaltou que a violência intrafamiliar acaba por se constituir como uma forma de comunicação e de relação que contamina todos os membros da família, manifestando-se por meio de atos de violência física, psicológica, sexual ou de negligência. Para a pediatra, segundo alguns estudos, essa violência está ligada à própria estrutura social, patriarcal, que coloca sobre a mãe a carga quase exclusiva da educação e cuidado com os filhos, gerando para a mulher um alto nível de responsabilidade no cumprimento de duplas ou triplas jornadas de trabalho.

Os estudos apontam que a figura materna é a principal autora das agressões contra crianças, dessa forma, essa mulher precisa ser cuidada e amparada, a fim de transformar esse cuidado a sua rede familiar. Para Marlene, esse fato é fundamental para uma educação positiva e sem violência. Ela disse também que o melhor caminho para obter bons resultados na criação dos filhos é o diálogo. “É mais eficaz explicar, dialogar com a criança e falar sobre as consequências dos seus atos do que puni-la com agressão física.  A criança não nasce sabendo as regras, ela precisa que alguém explique o que se deve ou não fazer”, afirmou.

O momento também foi oportuno para uma discussão sobre a Lei Federal nº 13.010, chamada Lei Menino Bernardo, que entrou em vigor no dia 27 de junho de 2014. A Lei proíbe o emprego de castigo físico e de tratamento cruel ou degradante contra meninos e meninas. O documento altera o texto do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), coibindo qualquer ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física, que resulte em sofrimento físico ou lesão. Proíbe também condutas que humilhem, ameacem gravemente ou ridicularizem crianças e adolescentes.

Sobre essa iniciativa, a pediatra Rachel Niskier ressaltou a sua importância na mudança cultural que precisa ocorrer nas famílias e na educação dos filhos. “O ato de violência desrespeita os direitos fundamentais das crianças e adolescentes, embora, ainda ocorre em muitos lares brasileiros. A Lei nos motiva a trabalhar, contribuir para uma nova realidade”, enfatizou.

Violência psicológica: cicatrizes que perduram

A violação dos direitos não se limita aos abusos que deixam marcas na pele. Pelo contexto do medo e da submissão, todas as manifestações de violências estão carregadas de agressões psicológicas e seus efeitos no desenvolvimento podem ser muitos. Dificuldades no aprendizado, incapacidade de construção de relações interpessoais, comportamentos negativos, baixa autoestima e humor depressivo foram exemplos citados pela médica psiquiatra da Coordenação Técnica de Saúde Mental do IFF, Cecy Dunshee de Abranches.

Cecy citou um dado importante retirado da sua tese de doutorado, “A (in)visibilidade da violência psicológica na infância e adolescência no contexto familiar,” que revela que a violência psicológica ao sair da invisibilidade pode colaborar para o aumento da prevenção e da proteção desta natureza. “Na última década, o tema foi consideravelmente discutido, tanto na literatura internacional quanto na literatura nacional, isso contribui, de forma significativa, para os avanços na visibilidade do problema”.

Segundo a psiquiatra, a violência psicológica acarreta agressões ao ego da criança com sérios danos em seu comportamento e deve ser vista e tratada como um problema de saúde pública.

“A violência é uma questão fundamental para o setor de saúde devido ao seu impacto nas condições de vida e de saúde da população, especialmente quando acontece durante a infância”, afirmou.

Creative Commons - CC BY 3.0

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