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Médicos fazem campanha para desmistificar ocorrência de incontinência urinária

Criado em 17/03/15 16h45 e atualizado em 17/03/15 16h50
Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil Edição:Marcos Chagas Fonte:Agência Brasil

A incontinência urinária tem cura e não pode ser considerada um problema normal atrelado ao envelhecimento das pessoas. “Qualquer pessoa pode ter incontinência urinária, desde criança,”, disse o chefe do Departamento de Urologia Feminina da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Marcio Augusto Averbeck. Março é o mês em que a entidade promove uma série de ações para esclarecer a sociedade sobre a doença.

A campanha da SBU visa conscientizar a população sobre o impacto que a incontinência urinária significa para a qualidade de vida, provocando o isolamento das pessoas e até a depressão social. A campanha se estenderá até o final deste mês.

A incontinência urinária é mais comum em mulheres, por uma questão anatômica. A uretra feminina – canal que conecta a bexiga ao meio externo –, tem entre três e quatro centímetros enquanto, no homem, a uretra tem entre 18 e 20 centímetros. “Anatomicamente, é mais fácil um paciente do sexo feminino apresentar perda de urina, porque a uretra é mais curta”. Outros fatores ao longo da vida também podem predispor à ocorrência de incontinência urinária em mulheres. É o caso das gestações e partos que, muitas vezes, alteram ligamentos que deveriam manter a uretra na posição correta. Há ainda a menopausa, que pode influenciar a incidência e prevalência da doença nas mulheres.

O primeiro passo para as pessoas que sofrem da doença, independentemente do gênero ou da idade, é que procurem ajuda, disse o especialista. Segundo Averbeck, a crença de que a incontinência urinária é algo normal, que acontece com o envelhecimento, faz com que as pessoas não busquem auxílio médico precocemente. Outro fator que inibe quem sofre desse mal é o constrangimento em falar do assunto, o que leva as pessoas a procurar ajuda tarde, quando as chances de cura são menores.

Há três tipos de incontinência urinária: a de esforço, quando há perda de urina ao tossir, rir ou fazer exercícios, por exemplo; de urgência, também chamada Síndrome da Fechadura, quando a pessoa tem uma súbita vontade de urinar e não consegue chegar a tempo ao banheiro e a  mista, que é a associação dos dois tipos anteriores.

O médico explicou que a Síndrome da Fechadura “é a situação de bexiga hiperativa que se contrai involuntariamente quando não deveria se contrair”. Estima-se que 18% da população adulta brasileira sofram de bexiga hiperativa. Já na incontinência urinária mista “pode ser necessário um tratamento mais abrangente”, ressaltou.

Para qualquer tipo de incontinência urinária em homens e mulheres, o tratamento inicial consiste na realização de exercícios para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico, que é importante para o controle da micção. Deve-se contrair o assoalho pélvico por dez segundos, seguido de relaxamento também por dez segundos. O movimento deve ser repetido dez vezes por sessão, pelo menos três vezes ao dia, recomendou o especialista da SBU. “Existe uma chance boa de que a incontinência reduza e tenha uma boa resposta clínica ao fortalecimento desses músculos”.

Para o tipo de incontinência por esforço, existe a cirurgia para implante de esfíncter urinário artificial. Esse tratamento entrou em 2014 no rol de Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para pacientes com planos de saúde, beneficiando homens portadores da doença após cirurgia para remoção da próstata em tratamentos de câncer. A incontinência acomete entre 5% e 10% de homens que extraem a próstata devido ao câncer.

Editor Marcos Chagas
Creative Commons - CC BY 3.0

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