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Prefeitura de São Paulo vai atender usuários de crack em trailers pela cidade

Criado em 10/09/15 17h12 e atualizado em 10/09/15 17h15
Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil Edição:Jorge Wamburg Fonte:Agência Brasil

O programa De Braços Abertos deverá instalar trailers de atendimento a usuários de crack em seis regiões da cidade até o final de outubro, informou hoje (10) a assessora de políticas de drogas da Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, Maria Angélica Comis. Os novos pontos de atendimento significam uma expansão das ações desenvolvidas atualmente na região da Luz, na área conhecida como Cracolândia, no centro da capital.

“Essas seis regiões de São Paulo vão receber trailers que terão agentes da saúde e da assistência social para realizar os atendimentos, desde a retirada de documentos até o encaminhamento para o Capes [Centro de Atendimento Psicossocial] e para o Consultório na Rua”, detalhou Maria Angélica, após participar do simpósio Crack – Estigma e Preconceito, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O De Braços Abertos oferece abrigo em hotéis e renda mediante trabalho em serviços de limpeza urbana. Há ainda o atendimento por assistentes sociais e profissionais de saúde, que já acontecem em outras partes da cidade, e serão intensificados com a chegada dos trailers. “O Centro de Atenção ao Trabalhador também poderá fazer algumas intervenções nas regiões e quem tiver interesse em se inserir em uma frente de trabalho poderá se cadastrar”, acrescentou Maria Angélica.

Já passaram pelo programa municipal 840 pessoas, sendo que 505 permanecem entre os beneficiados. Segundo a assessora da prefeitura, está sendo analisada agora a possibilidade de oferecer mais opções de ocupação aos usuários que participam do programa De Braços Abertos. A ideia surgiu a partir de uma pesquisa que mapeou as aptidões e habilidades dos beneficiários.

Além do De Braços Abertos, outras duas ações estão presentes na Cracolândia. A partir da iniciativa do governo federal Crack, É possível Vencer, foi instalado um ônibus com câmeras que monitora por 24h área. “Essas imagens são encaminhadas para as Polícia Militar e Civil para que aí eles possam tomar alguma atitude de inteligência em relação ao tráfico”, explicou Maria Angélica.

O governo estadual mantém o Programa Recomeço, que oferece internação aos dependentes. De acordo com a assessora da prefeitura, a equipe municipal está trabalhando com os responsáveis pela iniciativa estadual para encontrar uma forma de que as duas ações não entrem em conflito, mas se complementem. “São dois tipos de ideologias e políticas diferentes. Um é pautado na redução de danos e outro na abstinência. Mas a gente entende que o usuário vai escolher. É muito importante que tenham os dois tipos”, destacou.

A possibilidade de internação compulsória (por determinação judicial) e involuntária (a pedido da família), previstas no Programa Recomeço, foram criticadas pelo diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Unifesp, Isaldo Carlini. Segundo ele, apesar do programa estadual ter sido criado por pesquisadores da Unifesp, essa corrente é minoritária na instituição: “Nós temos quatro centros para dependentes de drogas [internação forçada], só um que faz isso. Os outros três são favoráveis a outras linhas de atuação”.

Para Carlini, a internação e as operações policiais não têm eficiência para conter o problema: “Nós estamos lidando com algo inevitável aplicando técnicas inúteis”. Na opinião dele, é fundamental ouvir os usuários para pensar em novas formas de atuação.

Nesse sentido, de acordo com Maria Angélica, o De Braços Abertos tem buscado a construção a partir das opiniões dos usuários de crack: “Em 2013, nós realizávamos assembleias com os usuários [para formatar a ação, lançada em 2014]. Os usuários é que deram o nome do programa e fizeram o logotipo”,

 

Editor Jorge Wamburg
Creative Commons - CC BY 3.0
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