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Imagem da mulher na publicidade não reflete avanços sociais, avaliam especialistas

Criado em 08/03/13 12h22 e atualizado em 08/03/13 12h52
Por Isabela Vieira Edição:José Romildo Fonte:Agência Brasil

Rio de Janeiro - A imagem da mulher na publicidade brasileira parou no tempo. Em pleno século 21, especialistas avaliam que a propaganda estacionou em 1950 – quando as imagens relacionavam mulheres jovens, bonitas e felizes ao trabalho doméstico – época em que o casamento podia ser anulado se a noiva não fosse virgem e mães perdiam a guarda dos filhos se se casassem de novo.

Com olhar especial para a mídia, a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Lola Aronovich disse que a publicidade não acompanhou a escalada da escolarização feminina, a ascensão no mercado de trabalho e as mudanças no perfil da família brasileira. Os avanços, observa Aronovich, pouco modificaram os hábitos familiares: as tarefas domésticas continuam recaindo, na maioria das vezes, sobre as mulheres. “Isso mudou pouco”.

Autora do livro recém-lançado a Imagem da Mulher na Mídia: Controle Social Comparado, Rachel Moreno explicou que a publicidade se apropriou do poder de persuasão dos estereótipos, construídos em décadas passadas, e do peso das mulheres nas decisões de compra das famílias: 85% dos bens adquiridos decorrem de decisões femininas, de acordo com pesquisas mercadológicas. “Mesmo que seja uma cueca, a publicidade é voltada para mulher”, disse.

Para Lola Aronovich, a publicidade mostra produtos de limpeza, domésticos, em geral, “sendo usados com prazer pela  mulher, que sempre aparece sorrindo, limpinha, mesmo que para muitas as tarefas domésticas não sejam tão realizadoras”..

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Em pleno século 21, especialistas avaliam que a propaganda estacionou em 1950 (espensorvik/CC)

No cerne do problema, no raciocínio da professora da UFC, pesa a situação de o mercado publicitário ser comandado majoritariamente por homens. Há poucas mulheres na área de criação, situação que não é exclusiva do Brasil. Tal fato, a seu ver, se reflete na maneira como a mulher é retratada na publicidade. “Ou está se fingindo que não vê, ou não gostam das mudanças conquistadas”.

Rachel Moreno acha que as agências de publicidade não são a única ponta do problema. Segundo ela, empresas que contratam a publicidade deveriam ser responsabilizadas sobre o conteúdo das peças. É o que acontece no Peru, onde a “responsabilização” está determinada em lei, informou a estudiosa.

Para enfrentar o problema, Rachel cobra leis para retirar do ar peças estereotipadas, sexistas e racistas. Segundo ela, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), formado por representantes do setor de publicidade para regulamentar o mercado, é incapaz de agir com rapidez. “Até lá, [a peça] já saiu do ar”, afirmou.

Edição: José Romildo

 

Creative Commons - CC BY 3.0

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