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A forte chuva que atingiu Xerém, distrito de Duque de Caxias (RJ), causou destruição e deixou centenas de pessoas desabrigadas.

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Angra dos Reis tem mapa de risco inédito para prevenção a desastres naturais

Criado em 20/07/13 12h52 e atualizado em 20/07/13 13h14
Por Alana Gandra Edição:Talita Cavalcante Fonte:Agência Brasil

Chuvas
A forte chuva que atingiu Xerém, distrito de Duque de Caxias (RJ), causou destruição e deixou centenas de pessoas desabrigadas. (Vladimir Platonow)

Rio de Janeiro - Estudos do Instituto Geotécnico de Reabilitação do Sistema Encosta-Planície (Reageo) resultaram em um mapa inédito de risco para prevenção a desastres naturais no município de Angra dos Reis, no sul do estado do Rio de Janeiro, encomendado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O mapa inclui a região central da cidade e a Ilha Grande, em uma extensão de 70 quilômetros quadrados. Em 2010, as áreas foram afetadas por enchentes e deslizamentos de terra, que mataram cerca de 50 pessoas.

O professor de Engenharia Geotécnica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Maurício Ehrlich, membro do Reageo, defendeu que os governos federal e estaduais invistam em mapas topográficos em escala de “pelo menos” um para 5 mil, nos grandes centros e nas regiões mais suscetíveis a desastres naturais.

O especialista disse que o procedimento adotado para a elaboração do mapa do Reageo têm por base a história da região. “É quase um inventário de informações. Se ela [região] não tem histórico de ruptura, diz-se que o risco é baixo”. Além disso, foram feitas fotos de satélites. Por ser mais detalhado, o mapa do Reageo “pode cumprir seus propósitos mais adequadamente”.

“Para chegar a um mapa de risco, primeiro você tem que definir o mapa de suscetibilidade, que indica a maior ou menor possibilidade de haver ruptura de encosta em um determinado local”. São coletadas informações sobre fatores como declividade da encosta, altura, tipo de solo, vegetação, ocupação, descida de água. O levantamento demandou um ano de trabalho.

A etapa seguinte se baseou nos dados de ocupação e definiu o mapa de risco. “Se você não tiver uma ruptura na encosta, o risco, isto é, a consequência do que pode acontecer, é zero”. Ehrlich esclareceu que o risco também envolve, além dos habitantes, as facilidades que existem, como o custo de implantação de ruas e de casas, além de danos ao patrimônio.

O mapa do Reageo identificou que em torno de 25% das áreas pesquisadas apresentam riscos muito elevado e elevado. Essas áreas são também as que mostram maior ocupação populacional. De acordo com o mapa, cerca de 8 mil pessoas que vivem em áreas de alto risco terão de ser transferidas para outros locais, menos sujeitos a colapso, devido à alta suscetibilidade aos desastres naturais. O fator deflagrador é sempre o mesmo: a chuva.

Com base no mapa, os pesquisadores da Coppe/Reageo sugerem que as autoridades privilegiem as áreas de risco moderado para baixo no processo de futura expansão e de realocação de pessoas.  Nesses locais, foram sugeridas ainda obras de drenagem para melhorar de forma considerável as condições dos terrenos. 

A prefeitura de Angra dos Reis, na região sul do estado do Rio de Janeiro, atualiza as três bases de informações para definir as obras que terão de ser feitas na cidade visando à prevenção de desastres naturais. O trabalho é feito pela Secretaria Municipal de Defesa Civil.

De acordo com o secretário da Defesa Civil local, Marco Oliveira, a atualização dos dados poderá confirmar a necessidade de transferência definitiva de 8 mil moradores, sugerida pelo mapa. Além do banco de dados próprio do município, Angra dos Reis dispõe de um mapa elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), antiga Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, a pedido do governo federal, que cobriu 74 áreas de risco.

“Mapa de risco tem de ser atualizado”, destacou Marco Oliveira. Como os mapas disponíveis foram feitos em 2010 e 2011, a prefeitura de Angra está sobrepondo as informações visando à atualização. O trabalho é feito em conjunto com o Departamento de Recursos Minerais do estado (DRM) e deverá se estender até 2014, estimou o secretário.

O comparativo dos dados e a sua atualização permitirão definir as obras de recuperação que terão de ser feitas em locais afetados pelas fortes chuvas dos últimos anos e as intervenções de engenharia, identificando ainda em que regiões a população terá de ser totalmente evacuada.

Edição: Talita Cavalcante

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